terça-feira, 21 de junho de 2011

Dia 60 A.V.

SM.

Faz um bom tempo que eu não escrevo. Mas eu tenho um bom motivo. Eu não tenho feito muita coisa... Na semana passada não teve nada de novo. Não que eu lembre, pelo menos. No domingo, eu descobri que existem alguns "Jesus" que tiram férias. O da Santa Joana, por exemplo. A missa antiga tem férias entre julho e maio de setembro. Acho que Cristo, ou o padre, vai pra Marselha... Enfim, domingo é a última missa. Eu estava contando em ir para Bordeaux domingo, mas eis que hoje, eu descubro que na verdade, a cerimônia é sábado, e eu reservei o hotel errado, o carro errado e tudo errado! Fiquei nervosa com o Zeca!
Mas voltando a semana passada... A quinta e a sexta passaram-se sem novidades. Na verdade, eu saí na quinta, mas eu fui sozinha, então ficava todo mundo olhando. E veio um casal conversar comigo, e perguntar o por quê de eu estar sozinha. E dizer que os franceses tem muita pena de pessoas que saem sozinhas etc e tal, mas que os parisienses normalmente são muito fechados para ir falar com a pessoa. MAS, eu descobri que eles não eram parisienses, óbvio. Eles eram da Lorena. Mas isso foi só um à parte. Eu tomei uma caipirinha no lugar lá, e era ruim! Mas tudo bem.
Na sexta, eu não fiz nada além de ir na escola e me aborrecer por aí. No sábado, idem. Exceto pelo fato de que eu não fui na escola. E no domingo, eu fui na missa. E foi nessa altura que eu descobri a questão supra-citada das férias. Mas eu, que sou lesada, obviamente, meu dia começou mau. A madame me convidou para ir num pique-nique e eu não fui. Eu me senti meio mal de não ir, mas fazer o que? Assim que chegarem meus pães-de-queijo, enviados pela tia Marina, eu dou um para ela e fica tudo bem! E continuou ruim. Eu, lesada que sou, desci uma estação antes. E gastei 5 minutos suplementares esperando o próximo trem, porque eu certamente gastaria mais andando de salto entre uma estação e outra. E por fim, a missa de antes atrasou e a nossa começou meia hora mais tarde e terminou mais de 2 horas. E eu roxa de fome...
Na saída, eu ia comer no restaurante em frente, que tem um steak tartare (carne crua) muito bom! Mas eu fiquei com coisa e resolvi vir para perto de casa. E, obviamente, eu percebi no meio do caminho que chegaria aqui depois das 3 e não teria mais nada aberto. Então, resolvi parar no centro, que é onde tem os turistas e os restaurantes são serviço contínuo. E lá fui eu. Achei um lugarzinho até que bom com menu a 11 euros e pronto! Bebida? Somente água, por favor. Fácil. E lá fiquei eu, escrevendo, na minha mesa sozinha. Na saída, o dono e o garçom vieram me perguntar o que eu estava escrevendo e tal. Eles acharam que era um guia de viagem e ficaram preocupadérrimos. A comida até que não estava má, pela relação preço-hora-lugar, mas foi engraçado. E esse foi o domingo.
Na segunda feira entraram pessoas novas na minha sala. Saíram algumas e entraram 2 belgas. É importante, contar isso é importante. Um chama Lawrence, até aí tudo bem. O outro chama Linus. E, na atividade, eu fiz dupla com ele e tinha que explicar o porque do nosso nome. E vocês acreditam que era por causa do Linus Pauling? SPSPS... Nossa, olha só, química de plantão... Uma ideia para seu primeiro filho, em!!! Fala sério, eu precisava compartilhar isso, não? Mas isso me leva à segunda novidade de segunda.
E bem, eu só fiquei sabendo disso porque ontem, durante a aula, eu fiquei pensando (em francês, tá? Eu consigo pensar cada vez menos em português.) que eu sairia de lá e ficaria horas inútil na vida. Então liguei eu para minha mãe e... mudei de curso básico para curso intensivo, que tem também 3 dias à tarde, só de conversação, que foi onde teve essa atividade em duplas. E tem sido conversação mesmo! Claro, se a sala tem um fundo, como tem, lá estou eu. Mas eu estava sozinha, e agora, finalmente, os membros fúndicos se juntaram e agora as aulas tem sido proveitosas. A gente "causa" o dia inteiro. E está portanto sendo bem proveitoso.
Por exemplo, hoje, fora as matérias da aula, eu discuti sobre liberdade, sobre corrupção da polícia brasileira e convidei o suiço que fala italiano para ir na missa comigo. Convidei não é bem a palavra. A gente estava conversando de religião e ele falou que gostaria de assistir missa em latim, e eu falei para ele ir comigo no domingo. E pronto.
E hoje a professora me perguntou se eu sabia falar italiano, ou se era de familia italiana (ela sabia que eu era brasileira), porque eu tinha um acento parecido com o do Maximiliano, que fala italiano. Mas que era bem fraquinho. E toca a explicar que é porque eu sou de São paulo, e pior ainda, da Mooca. E ela entendeu, então, pronto.
E hoje à noite, foi a Fete de la Musique. Nossa, como esses franceses inventam moda! Eles não saem quase à noite, mas porque é hoje, a tal da festa, a cidade inteira parecia a Vila Madalena, se é que me entendem. E a tal é simplesmente uma Virada Cultural, maior, mais propagandeada e muito menos organizada. Eu fui numa Banda Sinfonica americana, sei lá. E foi legal... Tinha uns 300 músicos, e eu só sei disso por causa da descrição, porque era gente pra caramba! Mas foi bem legal! Eu mando amanhã algum link de apresentação deles.
Enfim, é isso. Agora eu fico o dia todo na escola. E arrumei gente para sair, o que é bom, porque eu saio da escola as 4:30 e ficou por aí até as 6, vou pra missa, venho pra casa e pronto. Ontem eu dei uma aulinha de Notre-Dame em inglês. Nossa, nem sei de onde saiu tudo o que eu disse em meia hora. E convidei-as para irem na missa em latim também. Estou super-apostólica! Palmas!
Bem, queridas. Vou dormir. Espero que amanhã ou depois eu tenha mais coisas para contar.
Muitos beijos e estou com saudades!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Dia 67 A.V.

SM

Hoje, claro, tenho muita coisa para contar. Nem todas as palavras do mundo poderiam exprimir meu encantamento por uma das melhores experiências da minha vida! Acho que os dois únicos eventos que eu me lembro de ter gostado mais do que essa peregrinação foi a primeira festa da Montfort no sítio e os dias de abaixo assinado no sítio. É inacreditável fazer essa peregrinação! É muito muito muito bom! É muito emocionante pensar que você está andando com mais 11.000 pessoas rezando pela missa. Imaginar que você está em um ponto ínfimo de 20, 30 metros numa fila de 8 kms...
Enfim. No sábado, a gente tinha que estar em frente à Notre-Dame às 6 da manhã. Eu cheguei lá e fui fazer minha inscrição de última hora. Foi facil, tals. Depois eu fui guardar minha mala grande comecei a entender o esquema das coisas... Os 11.000 peregrinos são agrupados em capítulos. Um capítulo é um grupo de pessoas que anda sempre junto, tem um nome, que vai escrito numa cruz, que reza junto, e tals. Depois, os capítulos são agrupados por região da França. Meu capítulo era Marie Reine Imaculée, da região Yvelines, que é ao sul de Paris, região aliás de Chartres. Essa região, aliás, era a maior, sem comparação. Paris era dividido em 3, e acho que a partir do ano que vem, Yvelines também vai ser dividido. Cada região tem uma cor. A nossa era azul e amarelo. A gente amarrava fitinha azul e amarela na mala para eles saberem. E a gente sempre procurava os cartazes com essas cores. Tinha preto, pros estrangeiros, roxo, para Paris-Sul, etc. Do lado do caminhão onde a gente deveria colocar as malas, tinha uma faixa com as nossas cores. Eram 6 caminhões, acho. Depois a gente ficou esperando pra começar a cerimônia. A abertura é um Veni Creator cantado dentro da Notre-Dame e uma cerimônia com benção, dirigida pelo bispo auxiliar de Paris.
Bem, aqui é o momento de abrir um parênteses. Essa peregrinação é feita há muitos anos. É uma tradiçào muito antiga essa peregrinação de Paris a Chartres. Começou na Idade Média. Depois, isso foi sendo largado. A fraternidade S Pio X começou há vários anos a fazer uma de Chartres para Paris, que acabava em Saint Nicolau de Chardonnay. Depois, algumas pessoas resolveram começar a fazer o contrário. E ela começou pequenininha. Fundaram uma associação chamada Notre-Dame de Chrétienté, que é quem organiza essa peregrinação. E já há alguns anos, com milhares de peregrinos, que aumentam cada vez mais, a abertura é feita na catedral e a missa de encerramento é feita na catedral de Chartres também. Benefícios da legalidade...
Acabada a abertura, a gente começou a sair, e um cara no microfone começa a chamar para a saída. Ele chama a região e depois começa a dizer os nomes dos capítulos da região por ordem de marcha. E vai todo mundo saindo, nos grupos de capítulos, um após outro, com uma distancia de uns 10 metros, no máximo pra não misturar, e vai formando uma fila enorme e larga. Cada capítulo, para ser identificado, carrega uma cruz padronizada com o seu nome e depois, sempre tem estandartes de santos ou dos grupos, algumas imagens, bandeiras, etc. que todo o capítulo se reveza carregando. E isso é muito bonito! Muito muito mesmo. Durante a caminhada, a gente canta muito. Canta o rosário todo, por exemplo, todo dia. E tem também algumas pregações que são padrão, que estão escritas no livrinho, e algumas que o chefe do capítulo faz ou que alguém que se dispôs faz. E a gente canta também e conversa. Enfim, é muito tempo... A gente sai da catedral e começa a subir uma ladeira. Se vê longe a fila, mas ela some antes de acabar. É lindo lindo lindo!
Nós andamos até as 11:00, por vales e montanhas, estradas e florestas... Brincadeira. Brincadeira nada, foi bem isso. A gente parou saindo já de Versailles, num parque. Mas era uma pausa de 10 minutos. Quando a gente chegou, os primeiros já tinham saído há muito tempo... Ficando num ponto parado, a fila demorava mais ou menos 1 hora e 20 para passar. E depois, a uma da tarde, a gente parou num campo enorme para a missa. Quem chegou primeiro ficou esperando a missa um tempão, então eles almoçaram antes. Mas a gente que chegou mais tarde almoçou depois.
Durante a missa (fotos, que eu prometo que vou colocar legenda), tinha vários padres confessando. Tinha uma capela móvel, que viaja de caminhão, onde o padre celebra a missa. Tem cadeirinhas pros clárigos e o povo fica sentado no chão. Os corredores são marcados com umas fitas amarradas. E até que é muito legal ver 11.000 pessoas respondendo e cantando a missa no campo. Maravilhoso!
Depois da missa, a gente saiu e foram mais três andadas de 1:30 separadas por 2 pausas de 15 minutos. Depois, a gente finalmente chegou no acampamento. A logística é inacreditável. Era um campo enorme onde eles tinham separado por região os lugares de dormir. E cada um procurava sua região, achava um lugar, armava sua tenda e pronto. Na verdade, tem algumas tendas comuns, onde você pode simplesmente chegar e dormir, mas nem teria lugar para todo mundo e é muita bagunça, apesar de ser obviamente separado, para homens e mulheres. Eu dormi na tenda da Elianor.
No domingo, às 5 da manhã no acampamento já começou a chamada. No auto falante o sujeito chamava, dizendo que era hora de acordar, 5 da manhã. Depois, às 5 e 10 ele dizia que a gente tava atrasado porque ele ainda estava vendo várias barracas montadas. E aí começava a tocar música. Era música clássica, em altos brados no auto falante. Nossa região seria a primeira a sair, então 5:30 ele já começou les Yvelines, não se atrasem. E 15 pras 6 foi a primeira lista dos capítulos, com avisos para a gente se posicionar para não atrasar a coluna. E 6 horas ele foi chamando já os capítulos e a gente começou a sair.
Na hora do almoço, a missa foi com o padre Laguérie. E depois saindo todo mundo e etc. Esse dia, eu machuquei o pé. Na verdade, eu tinha batido ele no sábado e estava andando um pouco torto. E de andar um pouquinho torto 60 kms eu destruí meu pé. Mas tudo bem. Eu fiquei só duas etapas sem andar. Uma antes e uma depois do almoço de domingo. E eu fiquei no grupo dos fatigués. Pera lá! Eu não estava cansada! Eu estava machucada! E teve um padre que ficou falando dentro de uma igrejinha em uma micro-cidade-modelo de interior da França e a gente rezou o rosário e pronto.
De noite, no acampamento, eu estava super animadinha. Eu até jantei a sopa deles, a conselho da minha mãe e tava boa mesmo. Eu tinha tomado 1,5 aspirina e meu pé não estava mais doendo tanto, então eu fiquei saracuteando, e fui na Benção do Santíssimo e na Consagração à Nossa Senhora. E depois, eu ainda passeei e foi bem legal.
Na segunda, a gente estava quase no fim da fila. Então eu arrumei logo minhas coisas, guardei no caminhão e fui para a entrada do acampamento ver os grupos saírem. É muito legal! Eu fiquei ouvindo ele chamar cada um. E o povo de uma região lá atrasou e não aparecia. E ele ficou muito bravo, disse que era falta de caridade que eles estavam atrasando a coluna e que a gente, mais para trás, podia não ter pausa por causa deles. E aí logo depois eles apareceram e acabou indo tudo certo. E a gente se virou para tirar o atraso. E tivemos pausa sim. Ufa!
E foram duas caminhadas de 2 horas com pausa de 15 minutos, almoço e 2 horas. E chegar em Chartres é simplesmente indescritível! A catedral a gente ve logo depois da pausa, mas ainda tá bem longe. E logo depois do almoço a gente começa a entrar nos subúrbios de Chartres. E quando a gente entra na cidade mesmo, 5 kms depois, os primeiros já estão chegando na catedral, então a fila fica num anda-para bem devagar. E está todo mundo animado, então a gente vai cantando cada vez mais alto e cada vez mais feliz. E depois tem a missa com o cardeal. Claro que não cabe todo mundo dentro, então entram primeiro os capítulos estrangeiros. Eu estava em um francês, mas eu acabei convencendo a mulher a me deixar entrar.
E a missa lá dentro foi linda. Primeiro, na procissão entraram todas as bandeiras e estandartes que tinham vindo na peregrinação. E a gente cantava, todo mundo na igreja. Foi muito bonito. E depois teve a missa com o bispo. De tudo isso tem foto. E por fim, saímos da missa. E eu voltei para perto do grupo. E de lá a gente foi pegar o trem. Eram dois. O primeiro ia direto para Paris e o segundo parava em Versailles. E eles eram todos de Versailles, e entraram no segundo. Eu também tinha entrado, mas depois mudei de idéia e saí rápido pra pegar o primeiro. Eu entrei lá, toda feliz. E o trem tava lotado. Parecia aqueles filmes de fugitivos de guerra. Saia gente pelo ladrão! E um monte de mala, todo mundo morto... E o trem, que deveria partir às 7 fechou a porta as 7:2o e de novo às 7:25 e foi sair já passava de 7:30. E quando ele começou a se mexer, a gente começou a cantar: Jubilate deo aleluia! E a gente foi cantando até Paris, onde eu peguei o metro e corri para casa rapidinho, ou o quanto podiam minhas pernas, e tomei banho e dormi. No metro, eu reparei que as pessoas ficavam reparando em mim. Eu não sabia por que. Quando eu cheguei em casa que eu olhei no espelho depois de 3 dias... Eu estava cor de terra! Bordo escuro, entre marrom e vermelho. Nossa! Meu rosto não descascou, ainda bem.
E hoje eu dormi 10 horas, então eu nem fui na escola e fiquei só escrevendo e batendo papo.
É isso gente. Tem muito mais coisas, mas eu conto conforme for lembrando.
BJS SM

quinta-feira, 9 de junho de 2011

DIA 72 A.V.

SM

Oi, gente. Eu de volta. Não dá mesmo pra escrever dia sim dia não. Eu tenho preguiça e nem tem muito o que escrever... E essa semana também nem foi muito movimentada. Segunda o Pedro veio pra Paris pra ir no médico e o ombro dele ainda tá ruim, e o médico mexeu e piorou, então hoje ele teve que vir de novo. Mas parece que agora vai melhorar. Esse médico acha que não vai ter que operar. Se bem que na outra segunda ele vai ter que vir de novo pra olhar... Mas tudo bem!
Na segunda, não aconteceu nada. Fui na escola, vim pra casa, fui na missa. E pronto. Na terça aconteceu. Eu fui jantar na casa da Sophie. Aliás, preciso mandar umas fotos das minha novas amigas, né? Enfim, lá foram também mais duas amigas dela, que não se conheciam, nem me conheciam. Eram a Emanuelle e a Elianor. Não me responsabilizo pelos nomes. Aliás, não entendo o vício de nomes com E, mas tudo bem. Enfim, conversamos sobre várias coisas... Escola, educação no Brasil e na França, ensino religioso, etc. E elas são todas tradis. Pelo jeito que elas conversavam, eu depreendi um pouco como "as coisas funcionam por aqui". Atenção: sistema sujeito a alterações.
Acho que é mais ou menos uma rede. Eu não sei de onde vem o tradissismo delas, mas talvez seja de família, porque quando alguém falava de uma pessoa desconhecida para as outras, elas sempre perguntavam a familia. Sei lá. Mas eles não são um grupo, que nem a gente. São mais como uma rede. O que elas fazem aqui é convencer os padres a formar uma paróquia tradicionalista como parte da paróquia normal. E daí tem gente que vai lá e forma grupo de catequese, coral, essas coisas. E essas duas que não se conheciam faziam com o mesmo sistema. Elas não gostam nada nada da frat, me senti bem, já. Tá certo que elas não exageram como eu, mas já é bom. Portanto, eu não sei quem ensinou esse povo a fazer assim. Quem sabe eu descubra esse fim de semana... E elas são super carolas, e super ativas atrás da missa. Inclusive, a Emanuelle, que já tem uns 40 anos, passou 6 anos na África, em 2 lugares diferentes, ajudando padres a formar paróquias de missa tridentina. Eu achei legal. Se eu tivesse oportunidade, eu também iria passar um tempinho assim. Mas por outro lado, houve uma releitura sob um ponto de vista contemporâneo de alguns mandamentos. Por exemplo na parte de roupa, piscina, namorado, etc. "C'est drôle ça"!
E, no meio do jantar, elas falaram da peregrinação de Chartres. É uma peregrinação famosa e tradicional - nos dois sentidos: já é feita há muitos anos e só tradis, que sai de Paris, da frente da Notre-Dame, e vai até Chartres a pé. São 110 kms em 3 dias. Sai no sábado às 6hs da manhã e chega segunda-feira, que é feriado em Chartres. Aí tem uma missa pontifical na catedral e depois tem 2 trens disponibilizados de graça para trazer as pessoas de volta para Paris. E tentem adivinhar o número de tradis que vão todos os anos? 10.000! É uma coisa inacreditável! Eu acho que eles desenterram gente pra ir, ou pagam. Não é possível... Pensa, num país pequeno como a França, onde tem um bando de velhos e a maioria que vai são jovens, e nem 10% da população é católica, tem tudo isso? E como vem gente da França inteira, as pessoas são divididas por capítulos, e vários capítulos formam uma região. E vão vários padres que ficam confessando durante a peregrinação e por isso são os seminaristas que vão pregando. Inclusive os nossos.
A parte logística que é a pior. A gente acampa as duas noites. E embora os padres tenham uma tenda e esteiras para dormir, o povo leva saco de dormir e barraca se quiser. Se não quiser, dorme no relento. Eles carregam pra gente a maior parte da bagagem, mas a gente só tem acesso a isso de noite, então a gente precisa levar também uma mala pequena. E cada um leva a sua comida, etc. E banho, só quando voltar pra casa. Não que eles se incomodem com isso, mas...
Enfim, eu vou com a Elianor, que acabou de fazer 23, então é nova. A Emanuelle foi vários anos coordenadora da região da Normandia, mas ela não vai mais há algum tempo. E a Sophie teve um problema no tornozelo uma vez e também não pode andar... Então, esse fim de semana, nada de internet pra mim. Mas acho que vai ser legal... Na pior das hipóteses, uma experiência e tanto!
E o mais super foi que, quando eu contei o que ia fazer no feriado aqui em casa, as judias ficaram super animadas, falaram mil vezes, nossa, que legal! E elas até me ofereceram um saco de dormir. Eu já tinha ganho um emprestado, mas elas insistiram e eu achei que ficava bem aceitar, então eu vou na peregrinação com o saco de dormir emprestado delas. Legal, né? Amanhã eu vou ganhar uma mala grande emprestada e eu vou com a minha mochila que eu trouxe, aquela que os meninos no seminário cismaram que tinha muita cara de Clara.
E é isso, minhas queridas. Vou tirar mais fotos hoje e muitas na peregrinação. Porque isso é de fato uma coisa que acho que vocês nunca viram. Não tenho mais novidades, acho. Ah, ve se alguém faz ou leva um bolo pra Carol. Ela vai fazer 18 anos... Já tá uma mocinha... rsrsrsrsr
E agora, lá vou eu pra missa.
SM

domingo, 5 de junho de 2011

Dia 76 A.V.

SM

Não tenho muitas coisas para contar, na verdade. Na sexta, como todas sabem, eu fiquei conversando com vocês. E já era mais de nove da noite aqui, então aqui já era mais de duas da manhã. E eu tava falando meio alto, por isso a madame veio me pedir pra falar mais baixo. E eu fiquei com muita vergonha! Mas no sábado, eu dormi até morrer. E isso é muito bom! Não existe, am absoluto a necessidade de se dormir 9 horas todo dia. Basta dormir 12 uma vez a cada 15 ou 20 dias, mais ou menos. E o sono dos outros dias? Facil, é só enrolá-lo com a perspectiva de que qualquer dia você vai dormir as 12 horas. É mágico! Enfim, acordei do meu sono de beleza realmente muito tarde. Na saída, já encontrei a madame e ficou tudo bem. E eu nem saí no sábado nem fiz nada. Só descansei e quando eu cansei de descansar, eu descansei um pouco. Excelente!
Mas de noite, ela se vingou de mim! Ah, se vingou e duplamente. Primeiro foi na comida. A melhor parte era um omelete mal cozido. Eu odiaria aquele omelete na CNTP, mas depois da sopa, ele tava até muito bom. A sopa lembrava a dona Laura, se é que me entendem. Era o resto de uma panela de cuscuz fervida com água, um ou outro legume boiando e uma coisa de consistência gelatinosa a qual eu engoli direto para não saber o que era. Acho que era gordura.
E a segunda vingança veio depois. Uma das meninas ia sair com os amigos. Mas como choveu muito ontem à noite, eles ficaram em casa, se divertindo todos e com a mamãe até tarde. E quando era umas 3 da madrugada eu percebi que tinha umas vozes de homens no apartamento. E eu vi um cara que dormiu na sala. Sei lá. Pessoas locas essas da festinha com mamãe!
Eu vi, porque quando eu saí para a missa, às 11 horas, ele ainda estava lá. E claro, não tinha ninguém acordado. A missa é 12:15, mas o coral começa 11:45, e sair as 11 já é apertado, porque o metro demora pacas de domingo. E lá fui eu, toda arrumadinha, para a missa. E estava no metro, quando reparei que tinha uma mulher muito bonita me encarando. Ah, não! Era eu mesma espelhada no vidro! hahaha Brincadeira!
Hoje no coro tinha mais um velhinho e uma velhinha. Ela eu não sei, mas ele tinha mais de 80 anos, certamente. E como o chefe do coro chegou atrasado, o velhinho ficou conversando comigo. Ele falou o nome dele, mas eu não entendi. Mas a gente ficou conversando e ele era muito bonzinho. Ele disse que cantava no coro quando era jovem, mas que ele tinha voltado a assistir missa em latim fazia alguns meses só, e portanto, ele ainda estava se readaptando e relembrando o gregoriano. Aliás, acho que alguns sapatos deveriam ser proibidos. Por exemplo, deveria constar na Declaração Universal dos Direitos Humanos uma proibição formal contra sapatos masculinos de camurça e bico fino! Como esses franceses conseguem!?! Hoje tinha dois com essa aberração da natureza!
Isso só no coral, porque na missa, eu não consegui reparar nos sapatos, obviamente. Mas no final da missa, uma surpresinha! Eles cantaram em francês aquela música que os tfpistas catavam: "Queremos Deus, homens ingratos,
Oh, Pai Supremo, oh Redentor.
Zombam da Fé, os insensatos
Erguem-se em vão contra o Senhor!
Da nossa fé, oh, Virgem,
O brado abençoai.
Queremos Deus, que é nosso Rei,
Queremos Deus, que é nosso Pai."
Essa é a primeira estrofe da música. Quase comecei a rir! Era melhor o ritmo de guerra dos tfpistas!!! Mas tudo bem...
Na saída, veio uma senhora nova no coro, a qual aliás não estava no ensaio. Chama Efigene, acho. Não sei porque, mas acho que ela chama assim. Uma velha, bem velha, mal vestidissima! Ah, você é a amiga que a Sophie falou, eu gosto muito dela, e papapá e papapá. E vamos conversando, e tal. E ela resolveu me dar carona até em casa. Nossa, fiz em 15 minutos o percurso de quase uma hora! Excelente! Mas, enquanto isso... No lustre do castelo... No carro, ela foi me falando que ela tinha quebrado o fêmur, e não sei o que! A Stella me contaminou. É sério! Não se aproximem muito dela! hahaha Ê, garotinha! E depois, ela começou a falar que a outra mulher do coro ficava virando o microfone só para ela e que não se podia ouvir só a voz de uma pessoa, e que hoje o padre tinha falado sobre caridade.
Enfim. Se essa viagem não tivesse servido para mais nada, teria servido para eu tomar uma excelente resolução. Depois de, em menos de 15 dias, ter sido meio de 2 brigas, eu prometo solenemente não reclamar com estranhos sobre rixas e problemas que eu tenha com conhecidos! Meu Deus!
Como em casa não teria almoço para mim, eu fui almoçar no Mc. E foi muito ruim, porque o ar condicionado estava gelado e eu estava bem em baixo de uma boca, e além de me estragar a comida com o frio, ainda começou a pingar água do teto! Ninguém merece! E ainda por cima, não tinha lugar e um velho com uma cara de pirata barbudo de filme sentou na mesa comigo, bem na minha frente, e ficava olhando para a minha cara e rindo que nem pirata de filme! Fosse eu caça-talentos de Holywood e ele estaria certamente no próximo filme como um lobo-do-mar! Nossa, foi grave.
Mas enfim, depois vim para casa e ficou tudo bem. E eu não jantei hoje porque não estava com fome, mas deveria, porque o cheiro da comida estava muito bom!
E agora, está caindo uma tempestade aqui. E as três estão realmente assustadas com os trovões. E, embora eles estejam já chegando perto de tuba, certamente eu ouvi mais ambulâncias hoje do que trovões.
É isso, gente. Contei muito..
BJS SM

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Dia 78 A.V.

Oi, gente...

Pulei um dia na verdade, né? Mas é que não teve muita coisa para contar... Na terça eu fui para a escola e na quarta também... Nada especial, nem legal... Na quarta à noite, estava eu em casa calmamente, quando liga a madame: "ah, você está em casa? Ah, nós não vamos jantar aí. Se você quiser, pode abrir o freezer e fazer alguma coisa." Pois bem. Eu comi minhas galettines e ficou tudo bem. E eu dormi era mais de duas da manhã, mas ainda ninguém tinha chegado em casa. Compreendo para uma menina de 22 e outra de 19, mas ela tem 55! Na quinta feira, que era feriado devido ao dia da Ascenção, eu fui belaefolgadamente (essa é a forma sintética equivalente ao advérbio de modo cuja forma analítica é 'como quem não quer nada') para a missa. E fiquei lá a tarde toda. Ahn, só um detalhe. Eu cheguei meio em cima da hora, então não deu para participar do ensaio. E o chefe do coro, que não era o mesmo de segunda, fez uma careta quando me viu lá. Tudo bem, fazer o que? Fiquei na minha. Mas ele me olhou assim: "Laura, âhn!" Levando em consideração que era pouco mais do que as criancinhas cantam em Osasco, não foi difícil levar. Mas parece que ele não tava nervoso. Ele é só francês. Nada excepcional.
Tinha de diferente, um casal novinho. Uma moça de cabelo preto com uns 25 anos, e um rapaz loiro, com a mesma idade. E o marido da outra contralto de segunda. E mais um outro senhor de uns 60. Mas assim: a missa lá é só de pessoas "normais". Exato, aquelas que estão a no máximo 2 desvios-padrão da média. Ah, deixa quieto. São pessoas que a gente veria na missa nova aqui. Sem tirar nem por.
Depois da missa, a Sophie e eu fomos almoçar no restaurante em frente. E foi um almoço meio longo, porque a gente sentou na mesa a uma e meia e levantou as cinco e meia. Mas nós conversamos bastante e foi bem legal. Ah, ela vai fazer 25 anos em agosto. Descobri! Quando eu cheguei em casa, mais de seis, as meninas tavam aqui. Disseram que a mãe tinha ido num casamento e ia chegar tarde. Não sei que horas ela chegou. Foi certamente depois das duas. Enfim, a mais nova tinha um encontro e tava nervosa, e tals, e ficamos a mais velha e eu dizendo que era fácil e tal.
Hoje eu fui na aula de manhã. Teve um café da manhã com a outra sala e foi tudo normal. Mas a aula foi bem engraçada. Eu não sei porque... Eu estava morrendo de sono, então acho que tava vendo passarinhos e coisas a fim voando e rindo. Não sei. Ainda bem que foi engraçada, porque se não eu teria dormido. Na saída, eu vi uma coisa magnífica. Provavelmente só vai interessar a Clara, mas tudo bem. Era um bolinho salgado em cima do qual vinha um ovo frito. Mas como era um bolinho pequeno, era um ovo de codorna! Muito bonitinho. Segunda eu vou provar...
Depois eu fui num pique-nique. Sem comentários! A gente senta num mato, no caso, inclinado, estende uma toalha e come em cima. E em volta, tem gente comendo também, e às vezes tomando sol como se estivesse em Copacabana. Vai, na Praia Grande, no máximo... Com direito a farofa e tudo.
Mas, uma coisa boa! A gente foi, a Sophie, a Virgine e eu. E a Sophie levou a toalha. Que na verdade não era uma toalha. Era um lençol de cima genial! Para aquelas que não gostam que o lençol de cima solte do pé da cama, esse vinha com elástico só na parte de baixo... Enfim, nossa comida tava boa, e foi bom...
E agora eu voltei para casa. E houve uma coisa mais bizarra ainda. Eu, no meu quarto, e nove horas e nada de jantar. Dali a pouco, a madame entra. Ela tinha esquecido de me chamar, porque ela estava no jantar dos vizinhos de andar. Muito doido! Eles colocaram a mesa no hall dos apartamentos, que são 6 por andar, aliás, e jantaram lá. Cada um fazia uma parte do jantar... Pessoas locas! Eu agradeci e não fui jantar com eles não. Comi bolachas mesmo. Muito estranho.
E é isso. Acho que não aconteceu nada mais importante. Nem contével. Então, se dividirmos por dois esse post, ficou bem curtinho...

É isso pessoas. Divirtam-se. Faltam poucos dias para eu voltar... UHU!!!

SM