domingo, 7 de agosto de 2011

Dia 13 A.V.

SM
Já tirei o atraso, então agora é só contar o fim dessa semana mesmo. E até que eu fiz bastante coisa, viu... Na quarta-feira, eu fui no Louvre. Eu cheguei lá um pouco depois da uma e fui embora mais de 6 da tarde. Se contar a fila para entrar, digamos que eu fiquei no museu mesmo quase 5 horas. E, no balanço geral, foi chato. Tem algumas coisas bem interessantes, mas no geral, é uma confusão. Por exemplo: a parte da antiguidade: Egito, Grécia e Roma. A começa com Egito. A gente entra numa sala e está lá escrito: século tal. Aí tem uma vitrine de moedas, então tem várias, umas do lado das outras, tudo numeradinho, com uma plaquinha pequena escrita: 1. moeda egípcia século tal. 2. moeda egípcia século tal. e assim vai. Parece uma vitrine de anel. Depois vem uma de potes. E são um monte de gamelas e gamelinhas enfileiradas em prateleiras, e a mesma coisa para a inscrição. Tem algumas coisas interessantes, é verdade, e que vale a pena ver, mas a maioria das coisas não tem muito sentido. Tem uma sala lá, só de inscrições. Então são várias vitrines com pedras cheias de hieróglifos. Algumas estão traduzidas, mas as outras não. E é pedra, e pedra. Depois vem a parte da Grécia, que é a mesma coisa. Só que da Grécia, além do mais, tem muita gente sem roupa, coisa que dos egípcios não tem. Mas é vaso, e moeda, e estátua, tudo nas vitrines. Parece loja mesmo... Tudo isso, o Napoleão roubou dos seus lugares de origem e transportou até a Europa. Depois tem a parte de Roma, a qual ele já pegou pronta e classificada do museu do Vaticano. Mas é a mesma coisa.
Depois, mudando de pavimento, porque são 3, tem uma parte de esculturas da idade média. Não é muita coisa, mas é incrível. Tem pedaços de parede, um pórtico, com o mesmo tipo de inscrição ridícula. Um pedaço de parede com um arabesquinho esculpido: "escultura da região da Borgonha século XIII". Tosco! Depois, eu fui para uma parte mais recente. Era de pintores renascentistas e barrocos, separados por nacionalidade. Começava pelos italianos. E aí vinha por época. Mas era assim: Fra Angélico, então tinha vários pedaços de paredes, que era principalmente onde ele pintava, com as plaquinhas idiotas: "Fra Angelico, séc , São Domingos." E 20 centímetros de espaço, a próxima parede. Depois, vinham os pintores renascentistas italianos. Imaginem uma galeria, de uns 20 metros de largura por mais de 200 de comprimento. E desse jeito: um quadro do lado do outro, 20 centímetros entre cada, parecia loja de quadro, sério. E no fim, a Mona Lisa. E o monte de babacas olhando e não sabendo porque. Grande retardamento... Aquela porcaria não é melhor nem pior que os outros mais de mil quadros do corredor. E ficam lá os turistas bobalhões babando em cima de eles não sabem o que.
Depois vem outros artistas, outras nacionalidades. E eles são bem bonitos, alguns quadros, mas o jeito do museu é muito tonto. Desvaloriza todas as peças. É o contrário da criação do mundo. Deus criou bom, bom, bom, e no final ficou muito bom. Lá eles colocaram bom, bom, bom, e no final ficou ruim. Tinha também umas coisas preciosas, umas jóias, que eram bem bonitas e bem interessantes. Mas era a mesma coisa do resto. Vitrines e vitrines. Tinha lá a coroa do Napoleão e a de Carlos Magno. O mais interessante é imaginar o Louvre como um palácio. Ele não foi criado para ser um museu. Não que o rei morasse lá, mas era usado para administração. E é uma coisa enorme. E tinha algumas salas muito bonitas! E na saída, eu vi uma coisa que garanto que ninguém sabia que tem em Paris. Era uma micro praça com uma estátua do almirante Coligny.O dito era um protestante importante de 155x que mandou os protestantes franceses tentarem colonizar o Rio de Janeiro. Sinto, filhinho, mas ele viveu para ver a surra que eles tomaram. Eu passei e não resisti a mostrar a língua e falar com a estátua: "Sinto muito, fracassado... Nós, brasileiros e católicos, somos melhores. Vocês acreditando ou não que os índios eram gente, o fato foi que eles botaram vocês para correr fácil fácil."
Bem, isso tudo foi na quarta. Na quinta, eu saí tarde da escola, então não fiz nada. Na sexta, eu saí cedo e como eu tinha prometido, eu fui de novo na Nossa Senhora das Vitórias ajudar a limpar as plaquinhas de promessa. A gente lavava, com sabão e secava, e empilhava de novo. Pela velocidade do trabalho, acho que assim que as freiras acabam de limpar tudo, elas já podem recomeçar... A questão é que cada vez precisa tirar e recolocar, então é um trabalho imenso. Mas a gente parou antes da hora e foi carregar umas coisas que elas precisavam. E acabou sendo engraçado, vai. E no final, a gente ganhou um lanche e eu pelo menos fui embora. Porque tinha as vésperas e elas cantam tudo em francês, é uma coisa estranha de mais. E eu também tirei foto das plaquinhas de promessa lá. Algumas só, claro. Umas mais interessantes. Estou devendo um post sobre elas. E enquanto a gente limpava, tinha gente de várias nacionalidades. Das 6, só uma era francesa, aliás. Tinha uma russa, uma senegalesa, uma senhora da Martinica, uma norte-americana, a francesa e eu. A norte-americana era bem novinha e estava fazendo um trabalho na faculdade sobre inscrições em latim em Paris.
E no sábado, eu resolvi sair, e fui no museu dos Invalides, que é o museu da guerra. Nossa, eu não me lembrava como era legal! Tinha uma parte de armaduras, que era muito muito legal, depois uma do tempo entre século XVI e XIX e depois uma das grandes guerras. Era muito legal! Muito bem feito e tudo... Eu cheguei lá às 4 e fui quase expulsa às 6 quando o museu ia fechar. Eu tirei várias fotos de lá, aliás. Mas foi legal,
Hoje, eu acordei cedo e fui na missa. Vai, não tão cedo. A missa era às 11, e eu acordei às 9. Quando eu ia sair, a outra menina que está morando comigo me perguntou onde eu ia, falou que queria sair e tals. E eu prometi que na volta da missa a gente sairia. E tive que sair. Quando eu voltei da missa, ela estava lá, e a gente foi primeiro na Torre Eiffel, mas só ali por baixo. Depois nós fomos em Montmartre, na basílica do Sagrado Coração. Lá, desde que a igreja foi constru;ida, há 125 anos, tem exposição perpétua do Santissimo Sacramento. O ostensório é fixo, já feito no altar, e fica lá o santíssimo exposto. E as pessoas vão lá rezar dia e noite, de forma que há 125 anos naquela igreja tem sempre alguém rezando. Eu gostei muito! A igreja em si não tem nada de mais. Só o fato de que ela está bem alto, no alto de um morro, e de lá de cima a gente vê a cidade inteira. Gostei de lá, viu... Por fim, a gente foi comer uma crepe e depois veio para casa. Foi, digamos, um domingo bem aproveitado. Além do mais, eu descobri que no IBP de Paris tem missa de sábado à noite, o que me dá certa comodidade, porque como eu vou viajar para Portugal nesse domingo, eu não sei se, chegando em Fátima, eu ainda consigo assistir missa.
E é tudo. Hoje começaram meus últimos em Paris. Esse foi o último domingo. Está acabando. Eu gostei muito de ter vindo, mas a verdade é que eu não aguento mais. Estou cansada de não estar em casa. Aliás, uma coisa sobre a contagem. Eu chego na sexta, dia 19. Subtraindo 7, hoje, de 19, não dá 13, dá 12. Mas lembrem-se, dia 0 não existe. Eu chego no dia 1. Então, até sexta que vem!
Muitos beijos e Salve Maria.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Dia 18 A.V. - tirando o atraso

SM
Bem, no domingo, eu acordei e fui na missa. Aliás, quando eu estava me arrumando para ir, eu tropecei de uma maneira que eu ainda não consegui entender em mim mesma e tomei um tombo incrível. Eu caí de joelhos e pensei "nossa, parece filme de aparição", porque foi bem assim minha queda. E agora, cada vez que eu ajoelho, eu penso na minha queda, porque eu machuquei mesmo o joelho... Enfim, não vou ficar lamentando-me de minhas doenças como uma velha. Eu fui na missa na Saint Eugène. Todo mundo diz que lá a missa é muito bonita, e tal, e o coral, e não sei o que... E, já descontando que está nas férias, embora não seja um desastre, eu não vejo nada de tão fenomenal assim. Aliás, sobre as férias, é uma coisa impressionante. Eu não acreditava antes de ver. Tinham me dito que Paris ficava vazia no mês de agosto. Eu pensei: "ah, duvido. Deve ter muito turista mesmo assim..." Eu acreditava mesmo que muitos parisienses pudessem viajar, mas não nesse conceito forte de cidade vazia. Além do mais porque minha escola fica em um bairro muito turístico, então eu achava que não mudaria nada ou quase nada. Mas eu estava errada, claro. É inacreditável. De sexta para sábado, as pessoas sumiram. Sabe o jeito que fica São Paulo naquela semana entre o Natal e o Ano Novo, ou pior, no dia seguinte ao Natal, onde a gente tem a impressão que se olhar bem, a gente acaba encontrando as mesmas pessoas todo dia, porque só sobraram alguns poucos condenados na cidade? Imaginem o m6es inteiro sendo dia 26/12. Paris fica assim. Mesmo num bairro muito turístico, onde eu estudo, tem várias lojas e restaurantes que fecham todo ou parte do mês de agosto. Uma loucura...
Bem, depois da missa, eu encontrei com uma das mulheres que fazia parte do coral da Santa Joana e a gente foi almoçar juntas. Ela também encontrou uma amiga da irmã dela, que ela nem conhecia, e fomos nós 3. Ela mesma é analista de sistemas, digamos. a amiga, chamada Maria Letitia, é a responsável pela biblioteca do Chateau de Versailles. Muito glamour, né? Pois é... Super chique! Ela me deu um cartãozinho dela e tudo... Muito legal!
Na saída, como o lugar que a gente almoçou era exatamente do lado da igreja Nossa Senhora das Vitórias, e as duas estavam querendo ir na Paris Plage, eu fui para a igreja. Além do mais, eu estava querendo mesmo ir visitar a igreja. E eu gostei muito. Começando que ela tem as paredes todas lotadas de promessa. Sabe aquelas plaquinhas, escritas obrigada, etc, em pedra, claro, para durar? Então, e depois, os corações de promessa também... Todos os ornamentos das paredes, no alto, porque em baixo é tudo coberto de promessa, são feitos de "mosaicos" desses corações. Gostei muito. E eu passei mais de hora lendo essas plaquinhas. Muitas eram repetitivas, mas algumas nos fazem imaginar histórias muito interessantes... E mesmo as repetidas, imaginar a intenção, o estado de espírito da pessoa que mandou colocar aquilo. Mas algumas eram ainda mais interessantes. Para o post de amanhã, eu quero transcrever algumas e comentar sobre elas.
Na segunda, eu tive aula uma parte do dia. Então, de tarde, eu não podia fazer muita coisa. E resolvi ir na igreja de Santa Maria Madalena, a Madeleine, que é citada no livro do Eça de Queiroz, A Cidade e as Serras. Sinceramente, nunca tinha ido numa igreja que inspirasse menos piedade na minha vida! Mesmo essas igrejas modernosas, horrorosas, que eu conheço várias. É uma igreja do século XIX, pelo menos uma parte, muito parecida com um templo, e está toda suja por fora, toda preta. Já dá medo de entrar. E por dentro, continua parecendo um templo. Ou vai, um saguão de biblioteca de filme, no máximo. Lá na frente tem o Santíssimo, no altar principal, não sei por quê. Eu vi duas ou três pessoas em silêncio, sentadas, mas ninguém ajoelhado. Eu fiz questão de rezar o rosário de joelhos lá, porque era uma coisa inacreditavelmente pagã. Lá, eu acho, estão as relíquias de santa Maria Madalena, em um relicário, no canto do altar, mas não dá pra ver direito. As estátuas todas eram bem feitas, não tinha ninguém sem roupa, nem mal-vestido. Mas acho que inspirava menos piedade do que aquelas coisas renascentistas de Roma, se isso é possível. E o altar era igualmente feio, mas o mais impressionante era, sem dúvida, o mosaico em cima do altar. Representava Napoleão chegando no céu, sendo apresentado pelo papa a Jesus e à santa, que flutuavam ambos em nuvens, e vários bispos junto, patriarcas orientais, muita gente, enfim. E ele estava com o manto de rei e a coroa de louros, que eu tenho certeza que ele não levou para a outra vida, e pegava em uma almofadinha a coroa dele de imperador. Inacreditável! Eu não conseguia tirar os olhos daquilo. Eu tirei foto, claro, mas eu acho que, para mim, essa igreja se tornou um passeio obrigatório aqui em Paris. Muita da minha raiva de Paris pode ser encarnada nessa igreja.
Hoje, para compensar, eu fui na Rue du Bac, ver a capela da medalha milagrosa. Ali sim inspira piedade. A igreja não fica vazia um minuto. É uma capelinha de uns 200 lugares, é verdade, mas fica o tempo todo lotada. E as pessoas vão lá mesmo para rezar. Até de joelhos. Embora eu tenha preferido a calma da Nossa Senhora das Vitórias, é interessante de mais ver a cadeira onde nossa senhora sentou. E lá, fora as relíquias, se tem mesmo um ar de santidade. É impressionante. E o bom é que lá não tem sentido o turismo, porque a capela não tem grande interesse artístico. É só mesmo a religião, então a gente acaba vendo mais latinos do que tudo. Na saída, eu passei pela Nossa Senhora das Vitórias de novo. E como eu estava lá rezando ainda perto da hora de fechar, uma das freiras me pediu para ajudar a "fechar a igreja". Ou seja, arrumar as coisas para fechar. E eu soprei sinceramente umas 200 velinhas, porque as velas pequenas não podem ficar acesas à noite por causa de incêndio. Então lá passei eu apagando. Só não sei o tempo que elas levam para acender tudo no dia seguinte. Mas eu fiquei imaginando várias crianças com inveja de mim... Depois eu ajudei mais um pouco e ela me pediu para voltar na sexta, às 3 da tarde para ajudar a limpar as plaquinhas de promessa. Oba! Então sexta eu volto lá.
E foi isso. Essa semana eu estou de fato fazendo turismo em Paris. Sozinha, literalmente. Rodeada de coreanos e chineses, porque é só quem tem por aqui, quase. Faltam só 18 dias para eu voltar. Eu não vejo a hora.
Até mais, gente. Estou com muita saudades já. Mas está acabando.
Vários beijos e Salve Maria.

domingo, 31 de julho de 2011

Dia 19 A.V. - tirando o atraso

SM
Já cheguei nessa semana. Segunda feira eu fui na escola. Finalmente, depois de tanto tempo passeando, eu precisava me voltar um pouco aos estudos. Era uma professora nova, chamada Edwige, formada em letras clássicas, ou seja, grego e latim. Nossa, sem exagero, acho que foi a melhor professora que eu tive. A anterior era boazinha também, mas essa era muito boa. Logo no 1o dia ela me viu com um livro que a Sophie tinha me emprestado e ficou conversando comigo no intervalo sobre literatura e me recomendou outros livros e tal. E depois, de tarde, tinha uma outra professora. Mas não tinha a mínima comparação. Enquanto a da manhã era toda culta, certinha, etc, a da tarde chamada Catherine, era meio grosseirona, e falava que gostava de aprender novas gírias e palavrões pra sair falando. E ela era igualzinha à bruxa da pequena sereia. Idêntica! Era incrível! E foi indo. A gente aprendeu muita coisa essa semana. Eu pelo menos. Podia ter essa professora sempre, viu... Porque ela saiu de férias sexta e a gente vai mudar de novo. E aliás, a escola vai ficar quase vazia essa semana. Porque os alunos estão indo embora quase todos também. Não importa. A aluna mais importante ainda vai ficar 15 dias...
Na terça, eu fui na casa da Sophie jantar. Primeiro, ela tinha dito que teria também um outro amigo dela. Eu não gostei muito, na miúda, porque se tivesse, a gente não poderia conversar muito à vontade. E eu, como tinha uma mala enorme de presentes para levar, em vez de pegar o metrô, que era mais rápido mas andava mais, eu peguei o ônibus. E aí pude ir sossegada. Quando eu cheguei lá, a primeira boa surpresa foi que o amigo não viria. Porque ele achava que os jantares na casa dela era muito "intelectuais", que ela e os amigos dela tinham "um papo muito cabeça", seria a definição. Eu fui entrando, com a minha malinha e o outro pacote. E fui tirando:
1- um chapéu e uma bolsa de papel, daquelas de enroladinho que imita palha, coloridos, muito lindos, que ela amou. E ela nem acreditava que era papel;
2- um chinelo bordado. E ela ainda pode escolher entre azul, prata e laranja. ela escolheu laranja. Eles era iguais, só mudava a cor, e eu gostei de todos;
3- um Divino de madeira, daquele tipo falso-velho pintado de branco e desgastado. A Air France tinha quebrado 4, dos 8 raios, quando eu estava trazendo da Inglaterra. Mas, modéstia à parte, ficou tão bem colado com super-bonder e disfarçado com branquinho que nem dava para perceber;
4- uma toalha de 1,5x2,10 bordada à mão, daquelas bem Brás, e um caminho de mesa idem, para a mãe dela. Eu falei que era bordado à mão, mas só para ela poder dizer pra mãe dela. Porque eu, sinceramente, acho que ela não sabe o valor que isso pode ter. Ela não sabe bordar, então não creio que ela imagine sequer o tempo que levaria para fazer aquilo, muito menos o custo de uma coisa dessas se fosse feito aqui na França. Mas a mãe dela certamente sabe. A mdm Morin já tem mais de 65, então acho que ela tem sim noção daquilo.
5- uma caixa com 2 garrafas de cachaça paulista. E tinha uma tipo Ouro e outra Prata. Eu não tenho a menos ideia da diferença. As duas tinham o mesmo teor alcoólico, mas a Ouro era amarela e a Prata era transparente. Eu falei pra ela que não sabia a diferença. E o problema era que o nome era Caribeña. Que ódio! Isso não é nome em português. Mas tudo bem. Não era cachaça para exportação. E no fim era mais um ponto positivo, porque ela gostou de ganhar uma cachaça que era de fato para os brasileiros. Mas eu disse pra ela ficar sossegada que ela só tinha 45% de teor alcoólico. Não era uma daquelas de alambique, das malucas com 70%, que nem eu tomei uma vez. Porque, na minha modesta opinião, aí já fica ruim.
6- um outro chinelo bordado para a Emanuelle, que me emprestou a mochila de acampamento e mais um, junto com uma bolsa de barbante para a Eleonore, que foi quem me levou na pélé. E aí, quanto aos chinelos, vai ser na sorte pra que vai cada um, porque estava escrito nas caixas prata e azul. E nenhuma das duas cores é parecido nem em francês, nem em inglês. E como ela não sabe espanhol nem português, já era! Não importa, os dois eram bonitinhos.
7- uma caneta que eu comprei na casa do Sherlock Holmes e um marcador de páginas do museu da Jane Austen, tudo vindo da Inglaterra, desse último fim de semana, pelos livros que ela me emprestou.
E só isso. Não bem só, mas só. Ela gostou, acho. Depois, a gente sentou no sofá da sala, onde eu peguei um pouco de resto de pelo da gata, como eu contei, e começou a tomar cidra e conversar. Aliás, cidra é muito bom... Eu nunca reparei, mas deve ter algumas boas aí. E é uma boa idéia pegar o costume, porque a cidra tem o teor alcoólico de cerveja, é fraquinha, e não é tão amarga, para quem não gosta de cerveja. E a gente foi tomando e conversando. E primeiro a gente falou de várias coisas, que a gente concordava, e depois, ela começou a falar de coisas que a gente não concordava. Parecia que ela tinha um script já do que a gente falaria e nem se dava ao trabalho de disfarçar. Ela ia só lançando os temas. Me senti quase numa entrevista. Mas não que só eu falasse, a gente discutia bastante. E claro, enquanto isso eu melhorava o francês... Quando deu umas 10 horas, ela resolveu fazer um jantarzinho. Nada de muito. Ela misturou um resto de comida da manhã com 3 ovos batidos, omelete, e pronto. Eu concordei, claro. Mesmo porque, ela gastou no máximo 2 minutos para fazer, e a gente pode continuar conversando o tempo todo. Quando deu umas 11 horas, que ela pegou a sobremesa, eu pensei: daqui a 1 hora, mais ou menos, eu saio. Porque se não eu perco o metrô. E, 20 minutos depois, eu olhei o relógio e era 1:20. Eu falei: "ih, Sophie, já perdi o metrô!" Mas aí ela chamou um taxi e eu voltei para casa. No caminho, eu liguei para a minha mãe, que tinha falado comigo as 8 daqui e pedido para ligar quando eu saísse da casa da Sophie. Mas como ela estava ocupada, ela me disse que ligaria depois. E ligou quando aqui já era quase 3... Ela me tirou do meio de um agitado sonho em francês e queria que eu falasse em português. Eu não estava conseguindo, aí a gente começou a conversar em francês mesmo. E ela deu muita risada e contou lá em casa. Enquanto isso, os seminaristas todos e o padre Aulaigner comendo pizza e deram risada de mim, pode? Absurdo, né? E outra, toda uma festa lá em casa e eu aqui, toute seule, tadinha de mim...
Bem, na quarta eu não fiz muita coisa. Estava acabada e não aguentava mais. Então, depois da aula eu só vim para casa. Na quinta e na sexta, igual. Mas na sexta, eu fui na missa que eu tinha mandado rezar pela d. Elda, na Saint Eugène. E bem, foi missa normal, de Santa Marta, a da bíblia. Na sexta também eu fiz um levantamento de deveres ainda por fazer aqui em Paris e coisas a comprar. Então eu trabalhei até que bastante. E no sábado, eu saí do quarto só para jantar, porque eu fiquei arrumando a bagunça E olha que era muita! Eu tirei 3 sacos de supermercado cheios de lixo, e guardei todas as minhas roupas de volta no armário. Foi um sufoco... Mas pelo menos meu quarto está arrumado agora.
E domingo, eu conto amanhã, ou depois, porque se não, eu tenho medo de acabar meu assunto. No mais, eu fico pensando em tudo que eu falei com a Sophie principalmente na terça. E eu acho que sinceramente, tem muita coisa a ser feita aí, na sede. Eu não falei nada, mas às vezes, eu ficava com vergonha do que a gente não fazia. E não eram coisas ruins essas em! É em parte verdade o slogan da agência de intercâmbio pela qual eu vim: "a gente sempre volta diferente de uma viagem". A primeira diferença é que com essa água meu cabelo voltou a ser totalmente liso. A segunda é que eu falo bem melhor francês. E a terceira é que até os franceses me deram ideia do que fazer aí no Brasil. Me aguardem, gente... Brincadeira, mas é verdade a parte das ideias.
SM. Beijos e estou com saudades, mas essa é minha penúltima semana na escola!!! EBA!!!

Dia 20 A.V. - tirando o atraso

SM
Bem, domingo passado. A missa era às 9, então a gente precisava pegar o trem das 8:10 na estação. Dessa vez, a gente acordou na hora certa e foi tudo bem. A gente tomou café, arrumou as coisas, porque a gente ia embora direto, pegou várias coisas que eram para por na mala do Antônio para levar para minha avó e foi para a estação. Lá a gente se despediu da minha tia, que ia para um domingo de reunião com umas carmelitas que ela frequenta. Pegamos o trem, tudo bem, fomos para a igreja, tudo bem. Quando a gente estava quase chegando, logo saindo da estação, a gente viu as crianças, ali na frente. A d. Ivone e a p. Érika estavam tão desligadas que elas viraram duas vezes e não viram a gente. Depois a gente foi junto para a igreja e de novo era aquela missa estranha. Na saída, as crianças iam num lugar tomar um café da manhã inglês. Eu e a Clara resolvemos ir junto. E até que foi gostoso. Eu comi só um pouco do feijão com molho de tomate. Mas o bacon estava maravilhoso. E tinha também pão, o ovo eu dei as gemas mas comi a clara, e estavam boas. E segundo a Clara, ela gosta das gemas porque elas a completam. E tinha chá também que estava bom pra caramba. Mas como o Luis não gostou muito, eu troquei o chá dele com o meu suco de laranja.
No fim do café, a gente tinha resolvido ir numa feira de antiguidades que a gente tinha achado no guia. Mas como a Clara estava super hiper sobrecarregada de coisas, a gente antes voltou no apartamento para deixar tudo. E entre ir, voltar e tal, a gente acabou desistindo e indo na casa do Sherlock Holmes. Ela já tinha ido, mas a gente foi de novo. Era, claro, na Baker Street, 221B. Esse número não existia e no começo da década de 90 eles fizeram um processo na prefeitura para criar onde seria mais ou menos o lugar e ali fizeram o museu. No térreo tem uma lojinha. No primeiro andar tem a sala e o quarto dele. São 17 degraus, claro. E eles montaram baseados em todas as descrições que têm. O Conan Doyle deve ter desenhado a casa, porque lá estava escrito que nenhuma descrição é incongruente. E eles também montaram o museu com vários objetos que teriam pertencido ao Sherlock Holmes. Lá dentro se tem de fato a impressão de que ele realmente existiu.
No segundo andar, onde seria o quarto do Watson e da dona, eles não são muito mobilhados e fizeram um museu de cenas. Tem uma cabeça imensa do cão dos Baskerville, empalhada numa parede. E tem várias outras estátuas de cera, como o homem do lábio torcido, etc. Um senhorzinho vestido de Watson apresenta tudo. A Clara tirou foto com ele, mas eu não. Ele explica qualquer coisa que se perguntar. Acho que ele está lá desde que fizeram o museu, pelo que eu ouvi de orelha ele explicando para uma outra pessoa. E depois eu desci para a lojinha e comprei, claro. Na saída, a gente foi almoçar numa rede que chama prêt-a-manger, que tem vários lanches naturais, suco etc e tal. A gente comprou, mas como era mais caro comer lá, bem mais caro, aliás, a gente pediu para viagem. E depois, onde comer? Ah, fácil, num ponto de ônibus. A gente se instalou lá, calmamente e foi comendo. Tinha um lanche de salmão e outro de rúcula com tomate seco. Cada uma comeu metade de cada e comemos também um musse de limão, muito bom, e um gingerbredman. Eu nunca tinha visto, só na história. Mas a gente viu e comprou e comeu. Até que era bom, viu! E depois a gente foi para perto de onde eu tinha que pegar o ônibus para o aeroporto. E lá tinha umas lojas de souvenires e a gente comprou várias coisas. A Clara, principalmente. E depois a gente fez juntas uma lista de coisas que eu ainda tinha que ver em Paris e aí já era hora de ir embora e eu fui.
Chegando no aeroporto, eu fui logo fazer o check-in. E o senhorzinho que me atendeu, quando viu meu passaporte, já perguntou se eu era brasileira. Claro, estava escrito lá! E quando ele viu meu nome, ele começou a falar em italiano comigo. E por incrível que pareça, meu italiano estava melhor do que meu inglês... E ele foi explicando que eu não podia ter uma mochila e uma bolsa, as duas na mão. E ele sugeriu que eu colocasse a bolsa dentro da mochila. E já foi um sufoco, porque as duas estavam já meio cheinhas. E ainda por cima, ela deveria caber dentro daqueles limites lá. Nem sei como eu consegui, mas eu consegui! E depois, tinha que passar no detector de metal. Acredita que eles me fizeram tirar, além do computador, o celular, a câmera e as chaves. Foi horrível! Odeio aquele aeroporto. E por fim, a gente ia para um saguão onde tinha o free shop. E ficava todo mundo lá, esperando, até que era liberado o vôo. E então aparecia na tv o portão onde a gente deveria ir. E aí era uma correria discreta, porque todo mundo queria estar no começo da fila, já que não tinha lugar marcado. Eu me deixei ficar lá e fui só depois. Não me importava mesmo. No final, eu fiquei em penúltimo da fila. E esperei sentada e quando eu entrei no avião, foi muito bom, porque tinha um lugar na janelinha! Era na fileira da porta, então o comissário foi explicar os procedimentos para abrir e tudo mais. Até parece, né! E tava vazio o lugar porque os outros dois eram dois gordos meio nojentos. Mas eles eram até que educados, e nem amolaram. Eles ficaram no canto deles e eu no meu, e nem estava muito mais apertado do que de costume. Dei sorte, enfim.
Na chegada do Charles de Gaule, eu corri e peguei um roissybus que estava quase saindo. No ônibus eu pensei que nunca eu acreditaria que podia ficar tão feliz de chegar em Paris. Eu não gosto daqui, e foi com verdadeiro espanto que eu percebi como estava com a sensação de estar chegando de fato em casa. Credo! Como assim, Paris pode simbolizar em algum momento um lar para mim? Mas eu sentia mesmo. Eu pensava "to chegando em casa, finalmente!" E ainda lá com a Clara, eu estava super cansada e falei: "nossa, não vejo a hora de chegar em casa!" E ela achou que eu estava falando de ir para o Brasil, mas eu estava mais pensando em Paris, 13o arr. Acho que eu fiquei assim porque: 1- a gente vê muita igreja lá na Inglaterra, e não pode entrar pra rezar um pouco, porque é anglicana. Pelo menos aqui, se a gente quer um sosseguinho, pode entrar numa igreja, sentar lá no fundo, ficar quieta e pronto. Lá não. 2- o meu inglês atrofiado me incomodava muito, enquanto que o francês eu já domino até que bem. Não que eu falei muito muito, mas eu entendo o que as pessoas dizem na rua umas pras outras e posso me comunicar bem. 3- eu não conheço Londres, e me sentia o tempo todo perdida. Aqui em Paris, basta eu olhar uma placa na rua e ver o arrondissement que eu sei onde estou. Eu sei ir de metrô para qualquer lugar, é tudo mais fácil. Fora que eu tenho um lugar realmente meu aqui. Eu até pensei que ia me decepcionar, mas não! Foi mesmo reconfortante chegar aqui! Eu cheguei, deitei e dormi!
Eu pensei em deixar para o próximo post essa semana, e vou deixar mesmo. Mas eu queria completar que, depois de umas coisas eu fiquei pensando se a Sophie tem noção do quanto eu gostei das férias na casa dela e de ter conhecido ela. Acho que não. Estou pensando se escrevo ou não um e-mail pra ela. Pesando pelo lado do sim dizer que eu gostei muito de conhecê-la e que ela me acrescentou várias coisas, porque eu critiquei umas dela também, mas não foi só crítica, e pelo lado do não que eu não quero ser chatinha etc e tal. Mas eu conto depois o que eu resolver.
Muitas saudades e muitos beijos. Eu já estou voltando, pessoas...
SM.

sábado, 30 de julho de 2011

Dia 21 A.V. - tirando o atraso

SM
Bem, eu achei que contaria tudo no mesmo post, mas de fato, o de ontem já estava enorme e o de hoje tenho certeza que ficará grande também. Estava lendo, ou relendo os e-mail que eu mandei sobre a viagem do começo do ano e ria muito. Espero rir muito também relendo esses posts do blog.
Bem, no sábado, a gente acordou cedo porque a gente precisaria estar no centro de Londres às 8, para pegar um ônibus turístico que nos levaria até vários lugares. E para tanto, a gente teria que pegar o trem, na estação exatamente em frente à casa da minha tia às 7 e portanto teria que acordar um pouco antes das 6:30. Só que o meu celular é apegado, e ele não muda de horário. Não adianta tentar que ele se recusa. E a gente, já naquele sono louco, eu, que não confio em mim mesma perguntei para a Clara. "Se a gente tem que acordar 6:30 e na França é 1 hora depois, eu coloco 5:30?" Ela:"É.". E pronto. No dia seguinte, a gente acordou, eu me vesti, e quando ela colocou o relógio ela mesma disse:"Não acredito! A gente é burra mesmo! São 4:30 da manhã!" Bem, a gente até ia ficar conversando até a hora de acordar, mas não deu e a gente resolveu dormir mais duas horas e pronto.
Quando a gente acordou, não, não estávamos atrasadas. A gente tomou café da manhã super bem e foi para a estação. E pegamos o trem na hora certa, tudo muito correto. A gente sabia que ia chegar cedo de mais, mas o trem demorava 35 minutos e só passava de meia em meia hora. Então, não tinha escolha. Mas certo. Nós fomos e no caminho paramos, compramos uma coquinha, e era um supermercado que tinha uns caixas self-service. A gente experimentou, claro. E não podia tirar foto, mas a Clara tirou e a mulher ficou brava e ela não ficou nem aí. Olhou pra cara da mulher e a gente foi embora. Simples. E a gente então se dirigiu para o terminal de ônibus onde a gente ia pegar o ônibus junto com as crianças. A gente pegou, tudo bem, não foi difícil. O Tonico fez questão de sentar do meu lado e a gente foi conversando o caminho inteiro. Eu contando história pra ele da minha viagem e ele contando coisas do Brasil ou da escola dele. O primeiro lugar que a gente viu foi Windsor. Eu já tinha ido lá uma vez, mas não tinha conseguido entrar. Mas com a excursão é claro que eles sabiam que a gente entraria. Eu gostei muito. Primeiro tinha a casa de bonecas da rainha Mary, que é nossa, muito fantástica! Ela tem luz elétrica, água, e tudo funcionando! E tem micro taças com champagne de verdade e tudo! E os livros da biblioteca são livros de verdade, alguns feitos especialmente, como um caso que o Conan Doyle fez do Serlock Holmes, e também os grandes clássicos. É muito legal! Depois, tem a exposição da baixela real, com conjuntos do século XVI ainda. Muito lindos alguns! No meio, mas só por agora, tinha uma exposição comemorativa dos 90 anos do príncipe Phillipe, marido da rainha. E no segundo andar tinha a sala de jantar de cerimônia, que é usada até hoje, e o antigo quarto da rainha, que virou museu, e várias outras salas e depois aquela sala que, quando a gente imagina jantar da rainha da Inglaterra, imagina lá. Ela é uma sala de recepção, mas em uma ocasião lá, colocaram bem umas 200 pessoas folgadas em uma única mesa. E o teto é todo decorado com escudinhos, que são numerados e tal. Em cima de todos os brasões está escrito "Hony soit qui mal y pense", em franc6es mesmo, porque toda a nobreza inglesa da idade média era francesa e quer dizer "envergonhe-se quem pensar mal disso", e esse é o símbolo da Ordem da Jarreteira, que quer dizer ordem da liga. Algum dia eu conto a história. Depois, na saída do castelo a gente viu uma mini troca da guarda. E foi legal até, mas a da Buckingham é mais legal, porque é maior.
Enfim, depois de Windsor a gente ia no Stonehege. E a gente pegou um tremendo trânsito até chegar lá e o motorista do ônibus até desviou, mas mesmo assim demorou um pouco, e quando a gente chegou, era uma decepção. Eu achei que fosse uma coisa enorme, que a gente pudesse passear dentro, mas nada. Era do tamanho da praça do Arco do Triunfo e a gente passava em volta, bem loge, com um radinho em francês falando muito mas sempre a mesma coisa, porque nem tinha muito o que dizer daquelas pedras. É verdade que elas estão lá há mais de 5.000 amos, ao que parece e ninguém sabe como fizeram para levá-las para lá. Inclusive, os romas estudaram aquilo como sítio arqueológico. Mas foi decepcionante. Na saída, a gente foi para um restaurante almoçar.
A gente chegou no restaurante, que era té bem bonitinho, lá pelas 3 da tarde. Eu estava pirando de fome! E tomei uma cerveja aguada que não me deixaria feliz em outras circunstâncias, mas naquela foi bom. E as escolhas eram fish and chips ou hamburguer and chips. Eu pedi peixe e comi tudo, menos as ervilhas. Depois, eu comi só o pão do Marcos, que estava do meu lado e não estava aguentando tudo, então ele comeu só o hamburguer. E depois ainda eu comi mais da metade do hamburguer da Maria do Carmo, que também não aguentou. Eu nem sei como eu comi tanto! E enquanto isso, a Clara comia as saladas, mais a minha ervilha, a do Tonico e a do Luis. Pelo menos, quando a gente saiu estava saciada. Saindo de lá, a gente pegou mais um pouco de trânsito, claro e foi para Bath.
Bath é a cidade, mais ou menos da Jane Austen. Ela viveu uma parte da vida lá e tem várias histórias que se passam lá. Não completas, mas uma parte pelo menos. Era uma cidade com águas medicinais já do tempo dos romanos. Depois elas ficou famosa no século XIX e no começo do século XX saiu de moda. Então ela ficou estacionada no século XIX. Eu até que gostei bem. No centro da cidade tem ainda as termas e em volta várias casas e outras construções. É bem legal. Pensa que a gente tinha menos de 1 hora para ficar lá. A Clara e eu resolvemos ir no museu da Jane Austen. Mas como tinha uma exposição de 20 minutos necessária, a gente acabou indo embora. Eu só gastei um pouco, que nem devia, na lojinha e nós voltamos correndo. E chegamos no ônibus exatamente na última badalada das 6, que era a hora marcada para ir embora. E fomos. No caminho, a gente contou onde tinha ido e a profa. Érika achou super interessante. Ela também nunca tinha ido lá e falou que tinha vontade de conhecer. Que quando ela voltasse para a Inglaterra, ela voltaria a Bath. Eu e a Clara gostamos. E pronto.
A gente então pode voltar para Londres. E demoramos muito! Chagamos em Londres era quase 8 da noite. Nós descemos na 1a parada do ônibus. E foi a gente descer que eu vi que estava sem o celular. E já fui ficando deses perada. Mas foi eu tentar conferir se estava na bolsa que o ônibus foi embora. Aí a gente pensou: a gente sabe onde é a última parada: era a estação onde a gente tinha entrado. E nós duas corremos para lá para alcançar o ônibus. Quando a gente chegou na estação, eu fui perguntar se tinha um escritório da cia de turismo e a mulher me disse que não, que era só pelo telefone. Mas a gente não desistiu. E foi em direção onde estava indicado chegadas. A gente saiu na rua e ficou lá, meio olhando, mas não estava parecendo ser ali. A gente esperou uns 5 minutos e não chegava ônibus nenhum. Aí a Clara resolveu olhar lá dentro de novo. E enquanto isso eu vi que a placa atravessava a rua e continuava. Eu chamei ela e nós duas fomos lá. Aí a gente chegou num saguão que parecia o certo. E enquanto ela olhava não sei o que, eu dei uma saída na outra rua e quem eu vejo que tinha acabado de chegar? Nosso ônibus! Eu até perguntei pra Clara se era aquele mesmo e ela disse que era. Só que ele entrou na garagem. E a gente ia entrar atrás, mas tinha um chuveirinho de ônibus que não parava! Ele era entre 50 cme e 1,5 mts, com tr6es jatos. E aí, veio um homem indicando para a gente uma outra porta, mas a gente se assustou e resolveu passar. Como no meio era mais baixo, eu pulei ali. E a Clara tentou passar por baixo no canto, mas o jato de baixo pegou ela e ela molhou um pouco as costas. A gente foi andando com cuidado, porque era um chão cheio de óleo e água. Muito melecado e escorregadio. A gente chegou perto do ônibus e o motorista lá do lado. Eu fui lá e disse que tinha esquecido alguma coisa. Ele perguntou o que e quando eu disse que era o celular ele falou que tinha achado e indicou o banco onde estava. Quando eu subi, encontrei várias coisas perdidas: carteira, cartão do mêtro, etc. E foi uma super aventura.
Saindo de lá, a gente já super feliz e aliviada, mas super cansada. A gente foi pegar o trem. E a Clara também precisava recarregar o passe dela de metrô. Primeiro ela tentou no guichê e depois a gente teve que ir na máquina automática. Mas deu certo. E por fim, a gente pegou o trem que ia para a casa da minha tia, avisou que estava chegando e pronto. Chegando lá, ela comprou comida indiana. A gente foi junto e ela comprou um pouco de cada coisa para a gente experimentar. A gente sentou na sala e ficou comendo e falando. E era muito muito boa mesmo a comida. Nossa, delícia! E a gata, que é meio obesa ficava querendo comer também, mas minha tia não deixava, claro. E ela de novo não saía do meu pé. Eita bicho estranho! Mas tudo bem, eu não odeio mais gato... E depois a gente foi dormir, porque a gente estava de fato esgotada. A minha tia tinha sugerido que a gente visse uma exposição de objetos sacros católicos valiosos, mas como os museus são de graça no domingo a gente passaria o dia todo só na fila, então a gente ainda não tinha decidido o que fazer. E de novo, o post ficou gigante e para amanhã ainda tem várias coisas para contar. E conto e conto também essa semana. Já estou me alcançando sem fazer muita coisa...
E hoje foi o fim do primeiro antepenúltimo-penúltimo. Antepenúltimo sábado da viagem e penúltimo sábado de Paris. Minha viagem está chegando ao fim. Me pergunto o que será do blog sem ela. Vou pensar em algo útil.
Divirtam-se.
BJS, SM!

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Dia 22 A.V. - tirando o atraso

SM!
Pois bem. Agora estou só há uma semana de mim mesma. Eu andei pensando se nessa semana de pausa entre duas viagens eu não fiz nada mesmo. E digamos que quase nada. A minha professora saiu de férias, e portanto a gente teria uma nova na semana seguinte. No mais, eu falei com a minha tia para combinar o fim de semana e com a Clara. E na sexta depois do almoço eu fui para o aeroporto, onde eu comecei a escrever as minhas férias. Eu comprei um Mc Duplo, que não sei se ainda existe aqui na França ou se acabou de voltar, que me fez lembrar minha adolescência. Ir na cidade não fazer nada de quarta-feira, almoçar Mc Duplo e ficar vagando por lá até resolver pegar o ônibus e voltar para casa, eventualmente, ou ir para a pizzada, mais provavelmente, eu um lugar que hoje eu não frequento mais. Lindos tempos passados que não voltam. Mas o Mc Duplo voltou! Bem, enquanto eu comia meu Mc Duplo, eu fiquei escrevendo. Quando faltava mais ou menos uma hora para o embarque, eu, inocentemente, fui guardando meu computador para fazer o check-in. Aí aparece um policial armado com aquelas metralhadoras deles me fala para sair de lá que a área seria evacuada. Eu pensei, aconteceu alguma coisa no restaurante, e ia me dirigir à área do check-in. Aí ele virou e falou: "Não, por lá não. Vamos evacuar todo o terminal 2B! Venha por aqui, rápido." Ele nem tava bravo, tava só com pressa. Eu fui e passei por baixo de uma porta tipo de garagem meio fechada e fui junto com as outras pessoas esperar. No fim, eles acabaram deixando nosso terminal fechado por meia hora. Quando reabriu, estava uma loucura as guichês da EasyJet. O próximo voo a sair ia para Barcelona, então passou uma mulherzinha gritando Barcelona, Barcelona e apareceram umas 3 ou 4 pessoas. Depois ela passou gritando Londres e eu me apresentei, junto com mais um grupo de 4 pessoas.Eu fui com uma das atendentes e eles foram com outra. Ela me perguntou se eu tinha bagagem para despachar e como eu disse que não, ela me falou: "sorte sua." Algo me diz que a garantia de chegada das malas não era absoluta. Mas eu não tinha, então tudo certo. Era só mesmo minha bolsa e minha mochila. E ela me falou para correr porque o embarque já estava acontecendo no portão 27 e a gente estava perto do 10. E lá fui eu, mais uma vez, correndo pelo Charles de Gaule. Eita aeroporto complicado esse! Parece que o tempo todo a gente tem que correr nele! Mas eu cheguei no portão, passada pela polícia e fui passar e fui passar no detector de metal. Até aí, tudo bem. Aí uma criatura igualmente brasileira, quando colocou as coisas dela para passar, não sei como, perdeu o passaporte. E eu passando logo atrás, chegou minha baciinha, eu fui colocando o casaco e tals. Ela vira, vê o meu passaporte e fala: "Esse é o meu." Eu respondo em francês para os policiais entenderem. "Não, esse é meu". Ela: "Tem certeza?" "Estou absolutamente certa." Aí a policial virou pra mim e fez cara de "que doida essa". Mas eu acabei encontrando o passaporte da criatura caído no chão. Sorte dela. Entrando no avião, o problema foi que não tinha lugar marcado. E como eu fui da últimas a entrar, claro, eu fiquei no meio. Primeiro eu terminei o livro que eu estava lendo, que era em francês, claro. Depois, eu recomecei a escrever o texto do blog. Aí o cara do meu lado virou e falou: "Ah, você também é brasileira?" E ele era diplomata, segundo ele, e trabalhava em Brasilia, mas tinha feito faculdade em São Paulo e era de São José do Rio Preto. E estava lá de turismo com amigos e já tinha ido e bla-bla-bla. Mas a gente conversou até chegar em Londres. Na saída ele me falou que não tinha idéia de como chegar em Londres, porque a gente estava chegando no aeroporto de Lutton, que é meio afastado da cidade, na verdade, é uma outra cidade. Nossa, que lugar chato. Começando que não tem corredor de avião. A gente sai sempre na pista. E depois, na hora de passar na alfândega, o guarda olhou pro meu passaporte e reclamou que eu já tinha ido para Londres fazia muito pouco tempo, porque eu estava voltando. Eu expliquei que estava indo ver minha amiga. E ele: é, mas porque você foi e voltou? Oras, amigão, porque eu tinha o que fazer em Paris durante a semana! E depois, ele acabou carimbando e pronto! E eu tinha encontrado mais um casalzinho de brasileiros, que eu tenho certeza que pelo menos um dos dois é da FEA e um outro brasileiro também que tinha feito faculdade em Londres e estava voltando para passear e visitar. E nós quatro saímos para tentar ir para Londres. No final das contas, minha tia tinha me dado umas instruções muito boas para pegar um trem e ir direto para a casa dela, mesmo porque o aeroporto era no sul e a casa dela no norte. E enquanto todos os outros pegaram um ônibus que ia para o centro de Londres, eu peguei um que ia para a estação de trem. Cheguei na estação de trem, comprei o bilhete, que foi caro, diga-se de passagem, e fiquei esperando uns 15 minutos. Mas deu certo. No meio do caminho, a Clara ia me encontrar. Eu tava meio preocupada com isso, porque não sabia se ela ia conseguir. A gente tinha combinado de ficar na primeira porta, para poder se encontrar mais fácil. E quando o trem estava chegando na estação, eu fiquei perto da porta para tentar ver ela passando. E eu vi e ela me viu e foi tudo bem. Nós entramos no trem e fomos para a casa da tia Marina. Ela estava esperando a gente na estação. Quase a gente não vê, aliás, mas ela chamou a gente e oi, oi etc e tal. Aí a gente foi comprar comida num supermercado. Compramos na verdade cerveja e sucrilhos para o dia seguinte. E depois pegamos o ônibus e fomos para a casa dela. Ela tinha comprado comida chinesa de supermercado e até que estava gostosa, viu. Era um conceito diferente de comida chinesa, mas não era ruim. A gente estava morrendo de fome também e comemos muito muito. E depois morrendo de sono por isso a gente dormiu bem loguinho. Ela divide a casa com um, acho que amigo dela, chamado Paul. Isso é até bem comum na Inglaterra, porque é muito difícil comprar uma casa sozinho, então é comum que várias pessoas dividam uma casa. Ela tem o quarto dela, uma parte dela lá e eles dividem a cozinha, etc e o quarto de hóspedes os amigos dos 2 usam. Ela que me contou isso tudo. Ela tem uma cadela chamada Susie, que eu não sei a raça, claro, mas parece um pouco com um são bernardo. Ela é grande e fica o tempo inteiro com um pinguim de pelúcia na boca. E de noite, ela corre pelo corredor, sei lá por quê. É um bicho louco. E depois tem uma gata que chama Rosie. Eles compraram a gata porque tinha muito rato que aparecia na casa. A minha tia queria por veneno ou ratoeira, mas o Paul achou que ia fazer muita meleca e eles acabaram comprando a gata. E deu certo, porque sumiram os ratos e todos os bichos indesejados da casa. Aliás, sobre gatos, eu tenho algo a declarar. Eu odiava quando eu vim pra cá. Mas agora eu nem odeio tanto. Pra começar que eu aprendi a conviver um pouco com a gata da Sophie, que chama Cannelle e espalha pelo pela casa inteira, nos sofás e mesmo a gata estando de férias, eu sentei no sofá e fiquei com um pouquinho de pelo de gato na roupa. E a Rosie sismou comigo. Ela não parava de me seguir, vinha passando perto, roçando o rabo na minha perna pra ver se me convencia a ficar coçando ela. E enfim, agora eu não odeio mais tanto gato. Não quer dizer absolutamente que eu vou chegar em casa e comprar um. De modo algum. Mas eu não odeio mais tanto.
No dia seguinte, sábado, a gente ia passear com as crianças. Mas a aventura foi grande. Eu preciso contar em detalhes, por isso vou deixar para o próximo post. Só para falar mais um pouco de animais, eu não sei se meus pais se lembram, mas antes de vir para cá, a minha proposta tinha sido: limpar o porão de casa e eu poderia comprar um canário. Se eles não se lembram, eu vou lembrá-los porque eu quero muito meu canarinho. Eu já andei pensando num nome. Se bem que o mais legal seria um papagaio que gritasse "to indo" quando alguém me chamasse, mas um canário seria bom já.
Pessoas, amanhã, dia 21 A.V., eu conto nossa (minha e da Clara) aventura em Londres.
Bom congresso. Vocês não sabem, mas é uma agonia ficar fora quando tem "coisas" acontecendo aí pela sede. Não, não é nenhuma fofoca. É só o congresso mesmo, a sede ontem com o padre Aulaigner, etc e tal. Mas eu volto logo. Agora faltam só 3 semanas. No terceiro sábado eu já estarei aí.
Salve Maria.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Dia 23 A.V. - tirando o atraso

SM!


Agora faltam os fins de semana em Londres. Ainda estou na escola, mas resolvi aproveitar o tempo, mesmo assim.
Assim que eu cheguei do trem, eu fui para casa, troquei de mala, não, eu só joguei para fora da mala a maioria das roupas e deixei duas para ir para Londres. Aliás, desde aquele dia, meu quarto ainda não voltou à ordem. Mas isso é segredo, gente. E depois, eu fui esperar o Pedro na frente da Notre Dame. Nós nos encontramos às 3 e antes de ir para o aeroporto, nós fomos "almoçar" no subway que tem ali na praça. Aliás, o Pedro gosta daquele lugar, viu! Ele sempre pede pra gente ir lá quando ele vem pra Paris.
Bem, depois nós fomos de metro até o lugar para pegar o ônibus para o aeroporto. Já na saída do metro ele ficou querendo achar que sabia onde pegava o ônibus e ele deu uma errada, mas vai, né. E ele ficou meio bravo que eu critiquei e tals. É fogo, viu! Eu tenho sempre a impressão de ter 2 irmãos mais velhos: ele e a Teresa. Et pourtant,... Mas tudo bem, a gente pegou o ônibus e foi tranquilo. A gente chegou no aeroporto, fez check-in, comprou libra e tudo. E ficou esperando o voo um tempão. E foi normal. A gente entrou no avião de um lado e saiu pelo mesmo, mas num lugar diferente. Estranho! Mas saímos do aeroporto e antes a gente passa na alfândega. É uma coisa muito chata. A gente está vindo da própria comunidade européia e tem que passar na alfândega. Um desaforo! A gente esperou na fila um bom tempo mas passamos fácil e pronto. Pegamos a mala e fomos para o trem. Eu estava com medo porque meu cérebro derreteu para o inglês e o Pedro fala bem pior que eu. Como disse uma colega aqui da escola, a gente tem um cérebro que cresce devagar. Como a gente superinflou o francês em pouco tempo, ele apertou as outras línguas. Se bem que acho que isso volta. Digo, com o crescimento normal do cérebro, tudo voltará ao normal e o inglês voltará ao seu tamanho original.
O trem. A gente pegou o trem que ia até uma estação de Londres, no centro. E de lá, a gente foi de táxi para o apartamento porque a estação de metrô por perto estava fechada para reformas no fim de semana. Aliás, Londres fica um caos no fim de semana, porque está tendo uma grande reforma no sistema de metrô, então já viu! O táxi é muito estranho em Londres, mas muito particular. Eles gostam demais dos táxis deles, é considerado até como um cartão portal de Londres. Enfim, chegamos na rua mas nada do táxi achar o número. Aí a gente acabou descendo e procurando a pé. E o problema é que o taxista tinha passado um pouco, porque tinha duas cegonheiras na frente e a gente não viu o número.
Quando a gente chegou no apartamento, abriram a porta, tal, mas as crianças já estavam se preparando para deitar. O pedro foi dormir no apartamento dos meninos, e deram o sofá lá pra ele. Eu fui no das meninas e me deram uma cama mas que estava sem colchão. Eu coloquei um edredon embaixo e me cobri com o outro e dormi. Se estava duro? Não sei, eu dormi. Dormi que nem um anjo até o despertador tocar para a missa no dia seguinte. A missa era às 9 e a gente ia sair de casa às 8. Eu estava quase morta. Mas eu não estava ali para dormir, então não tinha muito que reclamar. Além do mais, como eu estava com fome a Clara me fez pão com nutela de jantar, o que já compensava um pouco dos meus problemas.
A missa é na igreja dos oratorianos. E é uma missa muito estranha. Para começar que ninguém responde. Não que as pessoas não prestem atenção. Elas acompanham, mas ninguém responde. A igreja até que não tem pouca gente. Mas além do mais, as pessoas economizam nos movimentos. Quer dizer, pequenas levantadas e sentadas não contam. Não se levanta no Glória, porque vai reajoelhar logo depois, então já fica ajoelhado de vez. E o mesmo no Credo, ninguém levanta, porque passa do sentado para o joelhos, e o Pai-Nosso, idem. E na hora da comunhão, quando o padre comunga já vai todo mundo para a fila e tem o dominusundinhu, mas ninguém ajoelha nem nada. É doido. Bem missa é missa, e pronto. O bom é que antes das 10 já acabou e pronto.
Na saída a gente foi para Warwick. No caminho para a estação de trem, a gente parou em um mercado para comprar o almoço das crianças, e o nosso, claro. E fomos de trem. Quando a gente chegou na estação, que as crianças foram usar o banheiro e não sei o que, a gente descobriu que o trem sairia em 5 minutos. E toca a chamar todo mundo de novo correndo para pegar o trem. O Pedro e eu pegamos quase no último instante, porque a gente teve que comprar os bilhetes antes. Foi uma loucura. Mas deu. A gente sentou e foi quase duas horas de viagem. Um momento foi meio chato porque eu dormi e quase caí em cima da mulher que estava do meu lado. Eu fiquei tão sem graça que eu só conseguia pensar em falar "pardon, je suis désolée" para ela, E eu falei e ela deve ter pensado que eu era francesa, portanto pelo menos fiz os franceses se passarem por maus. Muito bom. E a gente comeu nosso lanche ainda no trem e demorou muito para chegar! Nossa, eu pareço criança falando assim.
Chegando na estação, todos os carros alugáveis estavam alugados e a gente teve que andar 15 minutos a pé. Mas tudo bem, eu não me incomodei nem um pouco. A gente foi indo e conversando e foi bom, foi gostoso. A gente chegou no castelo, entrou e foi super interessante lá dentro. As crianças gostaram muito porque a maior parte do castelo tem um museu de cera muito interessante. As pessoas são muito reais. Depois a gente andou em cima da muralha, e estava muito vento e chovendo, mas isso que é o mais legal. E no fim do museu, claro, tinha a lojinha. O Pedro e eu não íamos comprar nada, então a gente ficou lá fora. Eu sentei numa cadeira mais longe e ele sentou ali perto da entrada. E ficou numa posição de semi movimento, como se ele tivesse pronto a conversar com quem saía da loja. E claro, todo mundo olhava pra ele e encarava para ver se não era uma estátua de cera também. Eu de longe só ria... Claro, enquanto isso a Clara e eu tiramos muito atraso de fofoca. Segundo a Júlia, ela tava pulando no aeroporto antes de sair.
E no fim voltamos para a estação. E enquanto as professoras compravam os tickets das crianças, nosso trem passou. Resultado, tivemos que pegar o próximo, que era mais de uma hora depois. Eu tava de boas, mas as crianças estavam cansadas e com fome. As peripécias foram várias para pegar o trem. a gente tentou ir para outra estação para ver se tinha um trem antes, mas acabou que não deu. A gente chegou tarde, quase 11 horas acho em casa e por isso que não deu para esperar a minha tia. No caminho, na estação de trem, a gente parou no Burguer King e a comida foi muito boa. Eu não gosto muito, mas uma cebola frita que eles tem lá é muito maravilhosa. E eu estava com fome, então o meu lanche com bacon estava divino. E todas as crianças comeram felicíssimas. E chegaram em casa mais felizes ainda. Pode-se imaginar.
Quando eu cheguei, eu fui arrumar uma quantidade imensa de presentes e etcs que ela tinha me trazido para dar pra Sophie e para minhas outras amigas. Eu conto o inventário quando eu deu. Eu dei anteontem, então ainda falta uma semana. Eu arrumei tudo e no dia seguinte, segunda passada, o Pedro e eu saímos do apartamento super cedo, às 5, porque era o primeiro metrô e fomos até a estação e para variar pegamos o trem na última hora. Mas trem é trem. E depois, lá fomos nós para o aeroporto. O problema é que a gente estava em aviões diferentes, então ele saiu antes e eu fui embalar as malas para não quebrar nada. Só que eu percebi que todas as libras tinham ficado com ele! E eu fui tentar trocar um pouco de libras por uma nota de 200 euros, mas a mulher não quis trocar para mim. Eu reparei que ela tinha um nome em português e comecei a reclamar baixo em português, como se não tivesse reparado. E ela lá, sorrindo com cara de boba. E no final eu disse, em português também alto. E as pessoas, depois de viver muito aqui na Inglaterra perdem a noção. Elas esquecem que a gente sabe ler e reconhecer quando alguém fala português também. Mas no fim, deu para embalar as minhas malas e foi tudo bem. Eu dormi quase o tempo todo do voo. E o Pedro ficou me esperando no aeroporto de Paris. A gente voltou junto para Paris e fomos almoçar onde? Não, no Mc perto da estação de metrô. E depois disso eu me despedi dele e ele foi pegar as coisas para voltar para São Paulo e eu voltei para casa.
O resto da semana foi quase só dormir. Eu estava super cansada. Na quarta eu fui na missa, porque a D. Elda tinha morrido e eu queria mandar rezar uma missa pela alma dela. Só que a Saint Eugène também tem férias. Mas é só umas semi férias. Então tem missa em latim dia sim dia não e missa em francês dia sim dia não. Então eu só pude marcar para essa sexta, ou seja, amanhã. E essa foi a semana passada. Depois, começa o fim de semana, que eu também fui para Londres, de novo. Mas isso fica para outro post.
Eu fiquei morrendo de vontade de ir na sede hoje. Muita mesmo! Mas tudo bem. A vida é assim. Cuidem-se que eu já volto. Quero todo mundo em forma porque a gente vai em muito restaurante, em!
Salve Maria.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Dia 24 A.V. - tirando o atraso

SM

Últimos dias de Bretanha. Na sexta feira nós fomos andar de barco. Em tese, era pra gente sair às 10, mas a gente saiu às 11. A Sophie atrasou, mas acho que ela já estava premeditando o atraso, então tudo bem. Mas se era só andar de barco mesmo, não tinha problema. Eu já estava ficando meio chateada, porque eu iria embora no dia seguinte. E foi o Stephane, a Sophie e eu, já que para manobrar o barco precisa de pelo menos 2 pessoas e eu não contava. Ou contava como negativo, vai. Antes de sair, me emprestaram um agasalho pesado, para, no caso de eu cair, ir direto para o fundo, sem sofrer muito. Brincadeira. É que no barco faz muito frio e parece que passar frio aumenta o enjoo. E eu peguei emprestado um short para por por baixo da saia, porque eu tinha esquecido o meu. E a mdm tentou me emprestar um sapato, mas não servia. Eu sempre achei que tivesse pé pequeno, mas não deu! E depois, ela quis me emprestar um do marido dela, mas era pequeno ainda, e o do outro filho era muito grande. E ainda eu tive que ouvir: "ah, você tem o pé muito grande para mulher". Acredita?
O Morins's Boat, que eu não lembro como chama, não fica bem em Saint Brieuc. É verdade que Saint Brieuc não é praia, mas tem um porto. O problema é que esse porto não é de água profunda, o que quer dizer que quando a maré baixa, os barcos não podem sair. Já nessa outra cidade, não tem esse problema. O MB é um antigo barco de corrida do final dos anos 60, começo dos 70. É portanto um barco velho. Nessas corridas, iam 6 participantes, que dormiam lá, aliás. Então o barco tem 6 camas. Como ele é de corrida, ele é bem estreito, para cortar melhor o vento, e como ele é velho, não tem nada de automatizado nas velas. É, esqueci de contar. Ele tem um motor, mas que é quase só para manobrar no porto. Ele é principalmente à vela. Tem uma vela grande, que fica presa no mastro, e outra presa nela. Dá para imaginar, né? Ele também é de um modelo que se fazia de madeira, mas a empresa fez uma meia duzia com o mesmo modelo, mas de fibra de vidro, parece, e esse é um deles. Ele tem madeira por fora, mas é só decoração. Nossa, fiquei semi-especialista em barcos.
Bem, a gente ia sair lá pelas 11:30, mas eis que... o MB não ligou. Eu pensei: "não é possível! É Deus que não quer que eu saia de barco!" O problema é que a bateria, para dar partida no motor, estava arriada. Alguém tinha desligado o barco a noite toda da tomada e agora precisava recarregar a bateria para funcionar. Muito ruim! E eles colocaram na tomada, mas não ia funcionar tão cedo. Então, a gente resolveu almoçar no barco e voltar e pronto. A gente resolveu nada. Eu estava sem dar minha opinião naquele momento. Só no "oui, ça va". E quando a gente já tinha terminado e estava se preparando para ir embora, apareceram os donos do barco vizinho do MB. E era um casal de velhinhos com um casal de amigos.E começaram a conversar e tals, e tiraram o nosso barco da tomada, e agora a gente não pode sair, bonito o seu barco... E aí os velhinhos convidaram para a gente ir dar uma volta com eles no barco deles. O BdV (barco do vizinho) era bem maior e tinha um nome bonitinho pintado, mas eu não lembro qual. Eu tentei decorar, mas antes mesmo do jantar eu já tinha esquecido. Ele era um barco de velho, segundo os donos, porque a vela subia automaticamente, e as cordas eram todas presas juntar, e para a vela maior, que era mais pesada, tinha um mecanismo que puxava a corda automaticamente. À boca pequena, os dois não gostaram muito, porque o barco ficava quase um videogame. Essa comparação fui eu que fiz, tá? Mas finalmente eu passeei de barco, e a gente rodou por umas 2 horas e foi legal, vai. E faz frio mesmo no barco. Mas eu estava agasalhada, então, tudo bem. Uma hora ficou um sol e outra choveu e depois o sol voltou. Mas eu gostei muito. E fiquei até com vontade de ter um barco. Foi muito legal! Nossa, inexplicável. Eu gostei muito, muito, muito, muito mesmo.
Na saída, a gente passou por um mercadinho de antiguidades perto do porto. E a gente só rodou lá uma meia hora e foi embora, porque era tudo coisa estranha, não tinha nada bonito. E a gente foi para casa e eu estava murchinha, murchinha. Mas eu estava contente também, porque eu tinha gostado. Mas eu ia embora! Depois do jantar, a gente comprou minha passagem de trem para as 8 da manhã do dia seguinte, para Paris. E no dia seguinte cedinho, eu peguei o trem e voltei para Paris. Eu sentei no trem, agarrei minha mala e dormi. Era um TGV. O trajeto que, de carro, a gente fazia em no mínimo 5 horas, ele fazia em menos de 3. A gente passava ainda por umas cidadezinhas antes e parava e depois ele começava a correr. Eu tinha até comprado cadeira para ir de frente, mas quando eu entrei, tinha um cidadão já tão instalado no meu lugar que eu troquei com ele e pronto. E eu fui de costas. Mas nem percebi, viu! Não mesmo. Eu ainda estava meio chateada porque já tinha passado a semana. Eu tinha chegado morrendo de medo, e tinha sido legal, no fim. Se bem que parecia que eu tinha ficado 1 mês lá! E tudo bem, não era o fim do mundo ir embora. Eu estava voltando porque eu tinha que pegar o avião e ir para Londres ainda. Mas isso é o próximo post.
Essa foi a viagem de barco. E o fim da Bretanha. Para tirar o atraso, faltam só dois fins de semana em Londres. E eu conto rapidinho, tenho certeza. No mais, estou com saudades do Brasil, e com vontade de voltar. E divirtam-se enquanto me aguarda.
SM! E super beijos.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Dia 25 A.V. - tirando o atraso


Nossa, agora os dias estão indo em conta-gotas. Mas tudo bem. Meu quarto ainda está uma bagunça, mas pelo menos hoje eu fiz bastante coisa.
Bem, tirando o atraso, né? Na quarta-feira da semana retrasada, a casa inteira tinha que ajudar a arrumar a festa. mas, sinceramente, eu me senti um pouco inútil. E olha que eu fiz tudo o que tinha disponível. De manhã, a gente foi no marché, que é uma feira bem grande. E lá, a Sophie me comprou para comer uma coisa muito estranha. Eu não me lembro o nome, mas era uma galette de linguiça. Era bom, mas ficava meio sei lá, estranho. Porque a galette tem sempre um gosto fraquinho e a linguiça, mesmo sendo suave, tem gosto forte. E eles pegavam uma galette dobrada em 4, portanto com forma de V e enrolavam a linguiça. Ficava um pouco parecendo que a gente estava comendo a embalagem. Mas era gostosinho. E enquanto isso, eu conheci Saint Brieuc. O problema de Saint Brieuc é o mesmo do Brasil, por exemplo. A cidade não era tão pobre, então foram feitos prédios novos e demolidos os antigos. Sobrou só um pouquinho de coisa. E a catedral foi uma coisa incrível. Com o tempo, ela, claro, tinha subido o nível. Quer dizer, o chão estava um pouco mais alto. E entre o primeiro e o segundo chão, tinha várias tumbas de bispos da cidade. Eles simplesmente jogaram tudo fora e guardaram as pedras de lápide para forrar o chão. E os ossos e restos mortais eles jogaram tudo numa vala comum, com o maior desrespeito, um absurdo.
Bem, não tendo mais o que fazer, e sendo hora do almoço, nós voltamos para almoçar. Depois do almoço, primeiro, precisava lavar umas cadeiras. E a Sophie e eu lavamos, mas mais ou menos. Porque eram aquelas cadeiras de plástico, mas era brancas, então de ficar o ano todo empilhadas elas já estavam malhadinhas, porque a poeira impregnava. Foi por isso que eu pirei quando compraram cadeira de plástico branca lá para casa. Tem algum sentido terem inventado as marrons e as pretas, mas como eu não estava na hora. Se bem que em casa elas nunca passam um ano pegando poeira, mas assim que começar a encardir, sinto muito, vai tudo para a Toca de Assis. Depois, precisava pegar umas mesas alugadas ali por perto. E a mãe pediu para o Stephane ir com a Pajero do pai, mas como a gente já tinha terminado, a gente foi ajudar também. A princípio, eu ia só para passear, mas depois, minha experiência em arrumar festas diversas, muito maior que a deles, ajudou na hora de colocar as mesas e amarrar com os elásticos. Não que eu tenha sido indispensável, não disse isso, mas ajudei.
Na volta, a Sophie foi ler ou fazer não sei o que. E eu, que fico doida de ver uma festa no dia seguinte e não fazer nada, fui ajudar a montar a mesa de pingue pongue, depois montei as mesas de sentar, limpei, coloquei as cadeiras e montei a mesa das crianças. Aí não tinha mais nada mesmo a fazer. Então eu também sentei pra ler. Na hora do jantar, chegou um outro irmão da Sophie, que é casado e tem uma filha, chamada Emma de uns 10 anos, acho. E ela estava meio tímida, no começo. Mas depois a gente ficou amiguinha.
No dia seguinte, era o dia da festa. Em tese, era para todo mundo acordar cedo porque tinha muita coisa para fazer. Eu acordei as 8 e apareci 15 pras 9. E fui ajudando o que tinha. Mas a Sophie apareceu quase meio dia. A mãe dela não gostou muito, e disse que eu tinha feito o trabalho dela. Mas ela teve razão. Se ela fosse tão necessária, alguém teria ido chamá-la. Mas é verdade que o conceito de muito o que fazer é diferente. Porque eu fiquei separando talher, prato, copo, etc. E eu já tinha aprendido. Fiz tudo bem divagar, com clama, porque se não eu corria o risco de ficar a toa de novo. Eu imagino a minha casa num dia de festa de 50 e tantas pessoas. Às 8:30 os últimos estariam sendo jogados para fora da cama pela minha mãe! E na véspera eu certamente não estaria tão à toa.
Os tais convidados foram chegar mais de uma. Era a hora esperada, acho. E o almoço começou lá pras duas. Eu, claro, fiquei perto da Sophie. E cada um sentava onde queria, mas como a Sophie não queria sentar com pessoas chatas, o Stephane, que foi sentar logo, guardou lugar para a gente. Na nossa mesa, que parece que não estava ruim mesmo, tinha também um amigo dele da faculdade, que era até simpático, e era casado, tinha 3 filhos, acho, mas tava sozinho. E depois um outro casal de amigos que tinha 3 filhas que estavam lá, sendo o marido marinheiro militar e a mulher professora. E depois tinha um casal de velhinhos de não sei onde, sendo que eu estava sentada entre a velhinha e a Sophie. Sobre o casal novo, ele ia nesse ano para o Tahiti, por 1 ano a trabalho. E a mulher resolveu ir junto. E eu ainda tive que aguentar a amiga falando que elas tinham comprado várias roupas de praia, porque nesses países quentes, a gente fica o tempo todo de roupa de praia, não é? Eu respondi que não sabia, que no Brasil não era assim, mas que eu não conhecia o Tahiti, por isso não sabia se era diferente. Fala sério, ainda ter que aguentar uma dessas! Serio, dava vontade de falar: não, as modas européias ainda não chegaram lá. kupish, kupish na cara! Bem, me voltei para ouvir a conversa dos velhos, que nesse momento conversavam com o Stephane. E o velho estava descrevendo o próprio enterro. Pode parecer engraçado, mas eu não podia rir. E lá vinham todos os detalhes, e ele contava da placa do túmulo que ele já tinha mandado fazer. E ele nos relembrava de tempos em tempos que ele já tinha combinado tudo para a mulher dele fazer. E ela sorria e concordava com uma cara de estúpida, meu Deus! Nem preciso falar que ele é fraterno, preciso? E ele virou para o Stephane e disse, quase literalmente: "Mas eu vou querer que você reze minha missa de corpo presente e encomende meu corpo. E vai ser em tal igreja da fraternidade (s. pio x, claro). E eu já vou falar com o padre tal que ele vai ter que aceitar que você reze a missa." E ele começou a descrever todo o diálogo entre ele e o padre, garantindo que assim que ele encontrasse o padre, e seria logo, ele falaria. E que a mulher dele garantiria que tudo tinha saído conforme planejado. E ela, virava pra mim e dava os seus sorrisinhos imbecis, e ele falando suas idiotices. E eu fui heroica em não rir. Quando a coisa estava ficando difícil, eu engolia a cidra ou a água e servia mais, para me concentrar. Enfim, depois de bem enterrado com toda a pompa, ele ainda declarou que aquela moda, que eu detesto profundamente, de cantar o salve regina durante o último evangelho foi lançada por ele no meio tradi. Parece que não é bem verdade, mas eu, educadamente falei um "interessante" típico do Zeca. E depois, ele se pôs a falar mal dos americanos na segunda guerra. Que eles tinham atirado numa procissão de enterro de uma cidade ali vizinha e tinham matado 300 pessoas, acho. E que eles tinham causado mais mortes do que os alemães etc e tal e que disso ninguém lembrava. Não que os americanos sejam santos, porque eles destruíram Montecasino e isso é imperdoável, mas ele esqueceu que não fossem por eles, a França seria um país nazista? É, talvez o velho não se incomodasse muito. Principalmente pelo que veio depois.
Falou-se de empregadas portuguesas. E ele falou que os portugueses eram muito bons para se ter como empregado porque eles tinham 3 qualidades, a saber. 1- eram trabalhadores. Ok. 2- eram católicos. Ok. 3- eram brancos, e isso era muito importante. E ele ainda virou para mim e disse, é importante sim. E você ainda tem que graças a Deus porque você é brasileira, mas pelo menos é branca, então tudo bem! Epa, pera lá! Eu sou brasileira, e com muito orgulho. Graças a Deus não sou francesa. E o fato de eu não ser negra não me faz a mínima diferença. Alguém precisa explicar para ele que racismo é pecado e que eu não gostei nada nada dessa dupla afronta. E ele ainda, 'viu'? E eu me servi de vinho e não falei nada. Mas bem que devia ter dito na cara dele que racismo é pecado.
Enfim, depois do doce que estava super bom, eu levantei e fui ajudar a madame Morin a servir café. E houve outro episódio meio desagradável, onde um cidadão velho chato me tratou muito pior que se deve tratar empregado, muito mau educado. E eu fiquei brava com ele, mas depois ele veio dar uma de engraçadinho perto de mim e eu percebi que ele estava meio passado já, então tudo bem. E aí, ja era hora do jantar. Eu ajudei a rearrumar as coisas para comer resto do almoço e arrumei a mesa também. E no fim, o jantar foi mais engraçado, porque eu fiquei ca roda conversando com o tal da faculdade e ele era simpático e foi bom. Deu para compensar o almoço. Eu acalmei um pouco. Depois, uns velhinhos, amigos do ms Morin, que são uns marinheiros de Saint Malo foram tocar no piano. E eu sentei ali do lado e comecei a cantar junto, algumas musicas que eu sabia. E depois, sentou um outro, chamado Paul, que tem bem a cara de um piratinha de filme, e começou a tocar umas músicas italianas. Mas ele tocava só uns pedaços, e pulava para outros e mudava de música e era um caos. Mas como eu conhecia super bem quase todas, eu conseguia cantar até várias partes. E ele ficou super encantado e super feliz. E enquanto isso, a Emma, que estava zanzando por lá porque as outras crianças já tinham ido embora veio ficar ali comigo, e a gente ficou amiguinhas. Ela resolveu tirar foto de mim e sei lá. E eu fiquei brincando com ela, foi bom. Me diverti, pelo menos de noite. E por fim, todo mundo foi embora e pronto. E depois, a gente ainda riu bastante tempo das artes de várias pessoas lá, algumas que eu nem conhecia, nem sabia quem eram, e outras que eu tinha visto.
mas no geral foi bem divertido. Passei por uns apertos, mas não estou arrependida de nada. Tinha cada louco, mas foi bom. E finalmente eu fui dormir porque eu claro, estava morta. Não antes da mdm Morin ma falar que tinha sido muito bom eu estar lá, e que os amigos marinheiros doidinhos tinham ficado felizes e obrigada pela ajuda, etc. E ela me elogiou tanto que eu quase pedi para gravar e mandar para a minha mãe. Poxa, essas coisas só acontecem quando ninguém está vendo! Acho que vou mudar para a França. Aqui as pessoas me dão valor. Na verdade, acho que aqui eles são tão chatos que qualquer brasileiro, que não é chato já faz muito sucesso.
Mas é isso, pessoas. Antes de dormir, as únicas coisas que eu fiz ainda foram combinar um passeio de barco no dia seguinte e rezar a oração da noite. Mas isso eu conto depois. Amanhã, talvez.
E é tudo desses dois dias. Não creio que alguém esteja lendo, mas tenho certeza que, daqui a algum tempo, quando eu reler, vou achar muito muito divertido. É um diário sem cadeado. Como lê quem quer, perde um pouco o interesse. Mas eu não me importo. Interessa a mim.
Super beijos a todos. Salve Maria.

domingo, 24 de julho de 2011

Dia 26 A.V. - tirando o atraso

SM

A terça feira foi um dia menos corrido. Isso porque a gente acordou tarde, eu não muito, é verdade, mas a Sophie, sim. Eu fiquei não fazendo nada durante a manhã, tirando umas fotos, tomando um pouquinho de sol que era o que tinha e tirando umas fotos, zanzando por lá, etc. Depois do almoço, a gente ia, e foi né, para Jousselin. A gente chegou lá por volta das 3. E fomos primeiro visitar o castelo. A fachada é inacreditável. Quer pela estrada, em baixo, onde a gente vê o castelo, lá em cima, encarapitado nas rochas, quer passando as muralhas, de dentro da cidade. Tem uma história interessante sobre ele. Ele pertencia, pertence, na verdade, à família Rouen. No tempo das guerras de religião, os Rouens, protestantes, eram contra o rei, que era católico. Com alguma desculpa, não sei bem qual, o cardeal Richelieu, que não era bom, mas dessa vez estava do lado certo, conseguiu uma ordem do rei para derrubar 5 das 9 torres que tinha o castelo. Assim que ele saiu da entrevista com o rei, com a ordem assinada, ele cruzou por acaso com o então duque, creio eu, de Rouen. E falou para ele: "senhor duque, acabei de jogar uma boa bola no seu jogo de boliche." É engraçado, vai! E de fato, das 5 torres que o castelo tinha, só sobraram os fundamentos, e a gente ainda os vê no chão. Aliás essa família era só de oportunistas. Eles mal passavam de marqueses e, em pouco tempo e às custas dos outros, ele se içaram ao título de conde, depois duques.
O castelo, por fora, é bem bem lindo. Mas ele ficou abandonado durante muito tempo, e houve uma restauração no século XIX. Não tem muita graça, viu... E depois, como ele é habitado, a visita só pode ser guiada e a guia falou sobre cada peça do mobiliário. Foi chaaaato! Ela era boazinha até, e pelo visto era o primeiro dia dela. Ou dos primeiros, porque ela estava muito pouco à vontade. Mas tudo bem.
Depois, a gente foi na catedral de Josselin. Era até que legal. Nada de muito especial. Ah, só duas coisas. Tinha outro Santo Expedito. Eita povo. E tinha também, para combinar um vitral estilo ponto de ônibus de santo. Coitados, alguém precisa dizer que não passa ônibus ali... Eles estão esperando há séculos, já. Só para ter certeza de que todo mundo sabe o que eu estou falando, ponto de ônibus de santo é quando tem um monte de santos, mais ou menos amontoados. No caso, esse estavam um do lado do outro, de cima a baixo, se ordem nenhuma. Digo, cada um na sua casinha, quadrada, mas sem relação entre si. Não gosto muito disso.
Bem, saímos de lá às 5 horas, e como era no caminho, eu pedi para passar e ver Santo Ivo. Como diz a quadrinha, que nem sei se tem equivalente em francês, mas não importa, "santo Ivo era bretão, advogado, mas não ladrão. Vejam que admiração!" Pois é. Tudo verdade. E ele é padroeiro dos advogados, na verdade.
Santo Ivo era de uma família rica, e ele era o herdeiro da família. Acho até que era filho único, mas não tenho certeza. E ele era advogado. Ele trabalhava para os pobre e foi distribuindo toda a fortuna da família. O processo de canonização dele começou logo depois da morte dele. Então, no processo tem depoimentos dos pais dele, reclamando que ele dava tudo para os pobres. E o que sobrou, ele tinha deixado um testamento de dar para a Igreja também. Sobrou o crânio dele, que fica exposto numa urna, no canto da catedral. Todo ano, vários advogados e magistrados e etc do mundo todo fazem uma pequena procissão com a relíquia. Eles saem da catedral e vão até a igreja da cidade dele, que fica há uns 5 kms de distância. Eles vão e cada um passa de joelhos por baixo de um altar na frente da igreja, no meio do cemitério, claro, onde fica a relíquia. Depois tem uma cerimônia na igreja e eles voltam. As fotos era bem legais, mas eu não lembro mais o dia. Acho que é em maio, não sei porque.
A cidade já é bem bonitinha. Eu gostei. Era mais rica que as outras, e além de ser mais bem cuidada, tinha mais tipos de casas. A gente deu uma volta por algumas ruas onde passa a procissão e depois fomos na igreja da cidade dele. A gente entrou por acaso, porque, em tese, já deveria estar fechada. Tem uma placa de pedra enorme, com o testamento dele transcrito em latim, claro.
Saindo de lá, a gente foi numa cidade onde tinha um enorme castelo medieval, mas que tinha sido completamente destruído, e só tinha sobrado a igreja. As pessoas tinham feito a cidade inteira com as pedras, e só tinham sobrado os contrafortes da fortaleza. Tinha algum interesse nesse lugar, mas eu não me lembro qual. Talvez eu lembre mais tarde. Vou tentar fazer um esforço. O problema é que eu vi muita coisa e foi muita informação em pouco tempo. Então algumas coisas estão um pouco desorganizadas. Mas eu até me espantei pelo tudo que eu lembro.
Bem, depois a gente voltou para casa e foi tudo. Eu até pendei em escrever quarta e quinta hoje, mas não vai dar. Eu estou morrendo de sono. Amanhã eu escrevo. Mas faltam poucos dias para tirar de atraso. até o fim dessa semana eu tenho certeza que já vou ter me alcançado.
É isso, pessoas maravilhosas. Eu to fazendo uma lista imensa de coisas a fazer no Brasil. Agora também uma de coisas a fazer em Paris nas minhas últimas 3 semanas. E estou incluindo comprinhas. E fim. Muitos beijos e estou com super saudades. Cuidem-se todos (as). SM

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Dia 28 A.V. - tirando o atraso

SM
Segunda feira. Não hoje, claro, que hoje é sexta. Eu vou contar de segunda feira. Passada. Se a gente imaginar que a baía de Saint Brieuc é um V, estando Saint Brieuc no vértice, no domingo a gente foi pelo lado direito até a ponta, no farol. Segunda gente foi pelo esquerdo. A gente começou por uma ilha chamada Bréat (Breá). O nome parece preá, e eu fiquei tentando enxergar se dava para ver uma preá no mapa da ilha, para não esquecer o nome, mas não dava. Talvez os gregos antigos que inventaram o zodíaco conseguiriam. Mas eu consegui não esquecer o nome. A gente ia até uma cidade chama da Paimpol, que ficava na costa e de lá pegava a balsa para ir até a ilha. Mas não era nem que nem a balsa da praia grande. Era um barco só para passageiros mesmo. Tudo bem, a gente não tinha mesmo intenção de ir de carro... Quando a gente chegou, a maré estava bem baixa, o que fez com que a gente tivesse que andar um bom pedaço a pé. Aí a balsa chegou e a gente entrou e a travessia durou nem 5 minutos, porque o resto era apé de novo. Resumindo, quase que dava para atravessar andando. Talvez molhasse o sapato. Hehehe. Bem lá fomos nós, e andamos por essa ilhinha um bom tempo e tals. Era bonitinho, sim. Era ‘mignon’ pelo menos. Tinha várias pequenas casinhas nas cidadezinhas, e fazendinhas... Parecia coisa de conto de fada. A ilha, no inverno, tem 400 habitantes. No verão chega a 4.000. Coisa de louco! Segundo a Sophie, cheio de parisinense. Mas ela falou que queria comprar uma casa lá, e no inverno, ficar em casa, escrevendo romances, que é o sonho dela (por isso que a gente se deu bem! Sonhos iguais... hehehe), e no verão vender crepes e galettes para os turistas. O lugar onde a gente almoçou era assim. Era uma casa onde, de abril a outubro ele vendiam crepe adoidado, de dia e de noite. E o resto do ano, eles comiam crepe. Ou o dinheiro, pelo menos. Mas ela mesma concordou que deve ser meio difícil. Imaginem se a sede fosse uma ilha. A gente passa 6 meses recebendo novidade, e 6 meses fermentando as mesmas. E tudo que um faz ou não ou fala, ou não, ou sei lá, durante o inverno, faz uma tempestade. Coisa de louco! Mas no verão é uma ilha bonitinha para se visitar. Por cidade à beira-mar, eu prefiro Paraty, mas é um estilo diferente, e não é de todo mau. Gostei. Aliás, nessa cidade, eu entendi um cartão-postal-piada que falava no bretão na praia, na cidade e no campo, e ele sempre em cima de um tratorzinho. E lá as pessoas andavam também com uns tratorzinhos minúsculos. Pessoas, claro, os habitantes. A gente andava a pé. E nós fomos por um lado da ilha até a ponta e voltamos pelo outro lado.
Toda essa região era de pescadores. Acho até que ainda é, mas as coisas mudaram muito para essa gente. Eles saíam no começo da primavera e iam pescar na Islandia, lá pro Polo Norte. E ficavam pescando até o fim do verão. E no inverno, eles voltavam para casa e vendiam aquele bando de peixes e frutos do mar que eles tinham pescado. Só que evidentemente acontecia todo ano de algum (uns) navios não voltarem. E as famílias ficavam esperando perto de uma cruz, chamada cruz das viúvas, que fica em Paimpol, acho, para ver se chegavam os navios. E mesmo quando chegavam, dependendo da cor das velas, era se tinha morrido alguém ou não. E quando chegava no meio do outono, os navios que não tivessem chegado eram dados como desaparecidos, todo mundo morreu e pronto. Triste, né? E bem, quando a gente ainda estava indo, a Sophie me falou: “ah, numa cidadezinha ali perto tem um cemitério “três mignon”, quer dizer, muito fofinho. Eu fiquei imaginando o que seria um cemitério três mignon. Eu até tentei não rir, mas não deu. E enquanto eu não vi o tal cemitério mgnon, eu não sosseguei de chamar tudo mignon. Mas isso só aconteceu no fim do dia.
Mas estávamos nós na ilha e paramos numa igrejinha. Do lado de fora tinha o cemitério. Depois, no átrio, tinha dois bancos encostados na parede e várias placas grudadas falando de navios e marinheiros desaparecidos. Nossa, dava muita pena. Um monte de gente. E olha que a cidade é minúscula... Mas aí, dentro da igreja, eu vendo quietinha, dali a pouco, eu olho pro lado e vejo a Sophie e o Stephane discutindo sobre um santo. Me aproximo eu e com quem me deparo? Com nosso amigo Santo Expedito! Nossa, mal pude crer que tinha um Santo Expedito perdido nas terras longínquas bretãs! Já imaginou?! E a questão era que o santo tinha perdido a mão da cruz, por isso o cras na boca do corvo não fazia sentido. Eles estavam imaginando que era uma palavra onomatopaica. E eu expliquei, claro. E eles ficaram surpresos de como eu conhecia um santo o qual eles nunca tinham visto! Mas depois de saber identificar uma Nossa Senhora Aparecida, a segunda coisa que os nenês aprendem no Brasil é identificar um Santo Expedito. Está no sangue! Depois a gente continuou nosso passeio pela ilha. Chegou na ponta norte, e desceu pelo outro lado. E a gente foi numa igrejinha chamada Saint Michel. E lá eu aprendi que Era costume dedicar todas as igrejas em alto de morro para São Miguel. Vai lá saber por quê, mas era. Depois de lá, a gente foi embora da ilha, rumo ao famoso cemitério mignon. E olha, eu não diria propriamente mignon, mas eu gostei. Era interessante, digamos. Tinha uma parede chamada muro das memórias. E Nessa parede, tinha várias placas pretas com os anos e os navios com mortos de cada ano. Quando não tinha número nenhum, queria dizer que o navio tinha desaparecido. Nessa terra, eles tem muito esse costume de memória coletiva, principalmente ligada ao mar. E no meio dessas placas, tinha também algumas plaquinhas que as pessoas colocavam pelos seus mortos. Era muito triste. Mas era interessante. Enfim, conheci o cemitério mignon.
Saindo de lá, só para mais uma coisinha, a gente passou em um castelo muito modelo. Era um castelo construído em cima de um morrinho artificial bem pequeno. E depois tinha um fosso artificial, e ele tinha 4 torres redondas, era um quadradinho, super hiper estereotipizado. Eu até achei que fosse um século XIX da vida, mas não. Ele tinha sido atacado no séc XIII, acho. E tinha ficado em ruínas até hoje. Era muito legal ver, por uma das muralhas arruinadas, uma torre que acabava do nada, uma escada que ia de nenhum lugar para lugar nenhum, só sustentada por uma parede, tal e tal, bem de filme. E algumas partes mais inteiras... Foi o que eu mais gostei. Era meio assim, super romantismo, idade média sombria que não volta mais, mas eu gostei.
E por fim, para terminar essa mesma idéia, a gente foi numa abadia que tinha sido destruída pela revolução francesa. Era uma abadia bem grande, mas só tinham sobrado alguns pedaços e as duas paredes da igreja. E no meio cresciam flores e um jardim pseudo-desordenado. Idem na imagem, mas idem interessante. E porque eu lembro de alguns nomes hoje? Simples, porque na volta a Sophie me emprestou um romance sobre esses lugares, especialmente Paimpol, e os navios. Desses romances tipo rios de lágrimas com 2 páginas a cada 20 para a gente respirar. Muito triste, mas legalzinho, ainda assim. Ela adora esse tipo de coisa. Embora eu prefira livros alegres, ou pelo menos com final feliz, porque a vida já é triste, esse foi interessante. Nada de absurdamente literário, mas... E hoje, eu descobri que esse autor era franc6es, mas viveu muito tempo na Turquia. Quem me contou foi uma colega turca da sala. Tudo isso vai entrar no meu bocado de ciência da Efologia.
E de noite, mais uma chance de vomitar conhecimento inútil. Estava a família toda discutindo sobre a festa de quinta e alguém falou que a madrinha da Sophie já tinha prometido os ovos às clarissas para não chover. E me perguntaram obvio o que a gente fazia no Brasil para pedir para não chover e eu falei que a gente rezava para São Pedro, etc e tal. E estavam eles se perguntando o que fariam as clarissas com tantos ovos. E aí eu expliquei que era para engomar os véus, que elas usam de uma maneira toda especial, que elas usavam não sei se ainda hoje, mas até pouco tempo atrás, claras de ovo. Eu ainda prefiro o método São Pedro, mas... E aliás, enquanto eu estava pretinha encardida, a Sophie, por causa do sol estava super vermelha. Acontece que ela estava com uma blusa de alça e ficou marcado não só as alças da blusa como a alça da bolsa que ela carregava. Posso dizer bem feito? Posso. Bem feito. Mas eu tava encardida do cotovelo para baixo e na parte de cima do pé, que não era nem coberta pela minha saia, até o pé, claro, que é quase só isso que eu uso aqui, nem pelo sapatinho. E minha cara preta também.
E durante o jantar, eita família que gosta de temas polêmicos! Começaram a discutir sobre racismo. Que não sei quem era racista, que os franceses eram racistas, mas que aceitavam os orientais e não gostavam dos negros. E o tio pra mim, como que se desculpando, disse que não tinha preconceito, mas que não queria um negro na família, que era o que a Sophie estava defendendo que queria, porque o problema era que ela teria um monte de mulatinhos de filhos. E eu querendo um monte de nenês pretinhos! Mas tem povo besta, mesmo! Será que eles já viram um nenê pretinho? Minha mãe, quando era pequena tinha uma vizinha que teve um nenê pretinho. E quando chegou o nenê dela, minha tia, ela ficou muito brava e queria que minha avó devolvesse, porque ela era branquinha e sem graça! Para não gostar de nenê pretinho precisa nunca ter visto um! Pode ser que fique feio quando cresce, mas nenê pretinho é lindo! E o velho ainda completou que eu podia estar acostumada, mas eles não. E eu não me pude agüentar e respondi que a cada nova leva de imigrantes europeus, a gente tinha o trabalho de ensinar catolicismo para eles, ou seja, deixar de ser racista e catequizar as pessoas. É de fato estava todo mundo de acordo que esse era o segredo anti-racismo. E o problema era a religião. E fim da segunda.
E bem que eu queria escrever mais, contar mais coisas, mas o post ficou imenso.
Por isso beijos mil e estou com saudades, mas o fim se aproxima, Deo Gratias! SM!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Dia 29 A.V. - tirando o atraso

Continuando de onde eu tinha parado. Domingo, a gente foi na missa. Era em Saint Brieuc, às 11 horas, numa capela chamada Notre-Dame d`Esperance. Ficou a família inteira reclamando que a Sophie estava sempre atrasada, e ela estava mesmo, atrasando pra missa, e ainda falaram pra ela seguir meu exemplo, porque eu estava pronta mais de 10 minutos antes de sair. Eu pensei mesmo em ficar quieta, mas pelo bem da verdade e da justiça, eu fui obrigada a explicar que esse fato só acontecia porque eu estava na casa dos outros. Fosse na minha, eu estaria atrasada e ela na hora, com certeza. Bem, ainda que eu não possa garantir a segunda parte, a primeira, por estatística amostral é verdadeira. Eps! A missa foi normal. Quem reza lá é um padre da Cristo Rei, todo arrumadinho, como soem ser os mesmos, com a batina impecável e o sapato de fivela, grande remoque dos franceses em geral. Enfim, durante a missa, salvo o fato de o povo não ser muito bom em cantar, foi tudo normal. Na hora do sermão, começou com os anúncios e tal, depois ele subiu no púlpito e começou a falar. Eu até tentei, mas 30 segundos depois, como eu não estava entendendo nada, eu simplesmente entrei em standby, e me preocupei com o meu terço. E era acordada somente pelo claque das folhas que ele jogava no chão. Pois é, ele lia e jogava no chão. E fazia claque, bem alto. E eu contei mais de 6. Mas de qualquer maneira, a duração do sermão foi 1 rosário. O que me fez lembrar do pe. Jonas. O que me fez lembrar também do dia anterior, no qual a gente tinha discutido a praticidade de contar distâncias em terços, pratica comparativa muito eficiente, adotada em diversos lugares do mundo. O que me fez perceber que mesmo com tanta distração, eu tinha conseguido rezar o rosário. O que me deu certeza que o sermão foi longo. Mas na volta, a madame Morin, que não é nem um pouco besta, burra, ignorante, etc me falou: “ah, você gostou do sermão?” Eu, no ai meu Deus, e agora. Mas ela me tirou do apuro. “Ah, eu nem sei do que ele falou. Nos primeiros 5 minutos eu não entendi nada, aí parei de prestar atenção.” Que bom, não tinha sido só eu. Eu quero dar uma sugestão para o pe. Perrel: no quinto ano de seminário, isto é, antes da ordenação diaconal, os seminaristas precisam ter uma aula de como fazer sermão. E isso inclui saber não ultrapassar uns 10 minutos.
Bem, o ms e a mdm tinham sido convidados para almoçar, então a gente almoçou e depois foi passear. E agora começam algumas dúvidas. Eu não sei bem se eu vou acertar os nomes das coisas, mas tudo bem. Eu vou contando e talvez eu descubra depois que errei, ou não. Bem, a primeira cidade foi uma cidadezinha, que eu já não sei o nome, claro. Ela tem uma igreja muito estranha. Porque ela começou a ser construída no século XI, depois, no século XIII ajuntaram uma porta e uma nave lateral, depois no século XIV mais outra coisa e finalmente no século XIX uma torre, e pintaram as paredes daquele jeito imitando pedra sendo pedra. Mas recentemente, isso é, faz uns 5 anos, acho, quando resolveram restaurar a igreja, eles encontraram nas paredes, pinturas do século XI. Pena que a gente não conseguiu entrar pra ver. Mas tudo bem. Disso tenho algumas fotos.
Depois de lá, a gente só deu uma parada em um castelo estilo medieval. Estilo mesmo, porque ele foi feito no séc XVI, acho. Ele tem uma muralha na frente com duas torres redondas guardando a porta, bem de desenho, e dentro tem o castelo, também fortificado. Mas além de ter várias janelas na muralha, quando a gente dá uma volta, a gente vê que a muralha só é alta na frente. Dos lados, não passa de um murinho. Ele chama Bien Assis, porque é como um retângulo deitado. É bem mais largo do que alto. Mas a gente não entrou e foi embora e pronto. Disso também tenho fotos.
Depois, a gente foi num tal de Cap Frehél. Lá tinha um farol, bem na pontinha da terra. Na chegada do farol, tinha um bar com uma plaquinha avisando: último bar antes da Grã-Bretanha. Muito engraçado... hehehe. Enfim, piadas a parte, chegamos no farol e o lugar era bem legal. Eu andei me lembrando que o professor tinha contado de um lugar onde ele tinha ido, cujo caminho era todo de flores roxas. Se ele falou, era esse lugar. Eles restauraram a flora do lugar. Dependendo da época, o chão fica todo roxo, ou amarelo ou branco. Quando eu fui, parece que estava trocando de época, não sei. Mas era bonito, mesmo assim. Fora isso, as beira-mares são todas praias de pedras. Algumas, na maioria das vezes, inacessíveis. E foi bem engraçado, quando a Sophie me mostrou uma praia chamada não sei o que dourada, a qual ela gostava muito, porque era de areia. Eu olhei e falei: “legal, pra mim, praia era sempre de areia. Fazia parte do meu conceito de paia a areia. Sem areia era beira-mar, não praia.” Mas aqui, o conceito foi alargado para acessível, nem que seja só de barco. Aqui eu também tenho foto.
Saindo de lá, nós fomos para um castelo bem ali perto. É um castelo no alto de um rochedo, bem defendidinho. Fora as várias coisas interessantes, uma das que eu mais gostei foi a pseudo-porta. Pois é, lá em baixo, em um canto, tinha uma corrente muito forte, na qual, se um barco entrasse, ele era sempre lançado contra os rochedos. Os espertinhos fizeram uma porta bem ali, no alto no promontório, como se ali fosse uma subida. Os inimigos vinham e chap! Boa, né? E depois, lá eu descobri outra coisa. Que as hortências que a gente conhece, azuis ou lilás, não passam de uma parte. Existem hortências super- rosa, super-roxas, brancas, lilás, azul claro, e as mais raras lá são as que nem a gente conhece. Porque ao que parece, a cor depende do material do solo. E em um mesmo canteiro, podem ter várias cores. Eu tirei fotos, aliás. E depois, tinha uma torre, em cima da qual tinha uma outra torrezinha. E eu fiz que fiz para subir, e primeiro ia só eu, mas depois acabou indo todo mundo, inclusive a Sophie, que tem medo de altura. E lá era super legal.
E para terminar sobre o castelo, pode ser hora de contar o primeiro mote da viagem. As caves, ou adegas, ou porões. Há alguns anos, a família Morin tinha uma empregada portuguesa chamada Maria, que morava lá na casa deles. E quando os meninos, Pedro e Zeca, foram lá nas férias de Natal, acho, eles começaram com piada de que as famílias francesas todas tinham escravas portuguesas e que as prendiam no porão. E quando eu cheguei lá, a piada estava já instaurada. E a cada subsolo pequeno, era sempre a casa das portuguesas. Só um detalhe, a Maria tem uma casa de campo em Portugal e viaja sempre. Mas a cada coisa que eu fazia para ajudar, era sempre a mesma piada: “ah, você também é um pouco portuguesa...”
Bem, depois que saímos desse castelo, a gente foi numa cidade, que eu também não me lembro o nome, onde tinha a tal praia de areia. Ela me falou: “une plage de sable”. E eu, na minha ingenuidade, pensei que fosse alguma areia diferente, sei lá. Eu perguntei “comment?” E ela “Il n’y a pas de pierres, il y a du sable.” Uau. Mas nessa cidade não tinha nada de muito útil a fazer. Só tomar um milkshake, três français, e pronto. Mas eu tomei um de café e era bom, viu. Até pra mim, que não sou muito ligada em sorvete.
E por fim, nós passamos em uma outra cidade medieval, a qual eu também não lembro o nome, claro. E nessa cidade, eu aprendi uma coisa nova. Por exemplo, a gente pensa, cidade medieval com um castelo. Montainha, fosso, castelo. Mas e se não tem montainha? A gente muda de lugar? Não, a gente constrói a montainha, oras. Legal, né? Eu não sabia. Essa cidade foi feita assim. Se bem que agora não tenha sobrado o castelo, só algumas muralhas, ela foi feita assim. Super, eu gostei. Mas aí já era tarde e a gente voltou pra casa.
Lá, tinham chegado uns tios. Não sei tios de onde, nem nada. Famía, enfim. E durante o jantar, a gente conversando e começaram a falar dos aborígenes na Austrália, onde mora um irmão lá da Sophie. E tal e tal, e eu na minha. E o tio do meu lado. Eu perguntava e era educada e tal, claro. Eu sou super fina. Sei comer como uma princesa, sei me interessar por assuntos que não tem o mínimo interesse, e sei perguntar com curiosidade coisas que eu não quero saber só porque a pessoa quer ser questionada. Enfim, nem era tanto o caso, eu estava gostando da conversa. Isso foi o caso em outro dia. No dia da festa. Mas, me vira o tio e fala: “ah, eu vi um filme sobre os índios do Brasil, e não era nada assim. Eles vivem em harmonia com a natureza, eles são civilizados mas não querem nem saber das coisas do mundo moderno.” Eu, “epa!” E o velho ainda insistiu, não é? E eu disse, não! Ele, mas eu vi num filme, e tal, e era um documentário de um francês que viajou pela Amazonia. E eu falei, claro, e ele viu as aldeias de teatro, onde os índio escondiam os Porsches no meio da floresta e fingiam. Ele não gostou, e ainda não acreditou em mim quando eu disse que tinha certeza absoluta que o tal francês tinha tido uma vigilância estrita do governo, e que mesmo os brasileiros não podiam visitar assim, de boas uma aldeia indígena, imagine os franceses. E todo mundo entrou na conversa e perguntou e eu expliquei, e todo mundo acreditou, mas ele não. Até que o ms Morin virou pra ele e falou: “é, talvez ela conheça alguma coisa do Brasil mais do que nós.” Ele continuou não acreditando, mas depois a gente até que ficou amiguinhos, eu e o tio.
E tudo isso foi um dia só. Só um domingo. Eu queria deixar tudo junto, então aí está. Amanhã eu conto outros dias. E bom, gente. É o que eu lembro. Continuo dizendo que foi uma super viagem. E pronto. Já falei de mais. Super beijos e estou com super saudades. Ainda bem que eu volto já já.
SM!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Dia 31 A.V. - tirando o atraso

Então, sábado. A Sophie tinha combinado comigo de sair da casa dela às 10, mas a gente acabou atrasando e saindo só às 11. Tudo bem, não tinha hora marcada para chegar em Saint Brieuc (Lê-se Sambriê). Seria bom chegar para jantar, ou, pour l’aperitif, como eles dizem, que é o aperitivo, mesmo. Além disso, ela gosta de ir pela Normandia, por estradecas regionais. O que é bom também, porque elas são bem mais bonitas e bem menos chateantes que as auto-estradas. E como a diferença é só de 1 hora de caminho a mais, tudo bem. Certo, uma hora de caminho pode ser, em vez de meia, uma e meia, mas não é o caso, absolutamente. Em vez de 4 horas é 5. Ela considera longe, mas nem é tanto. E por outro lado, era sábado, e provavelmente as saídas de Paris em auto-estrada estariam congestionadas. Como de fato estavam. No caminho, obviamente, só nós duas no carro, a gente conversou o tempo todo. Sobre escolas, vida, missa, irmão seminarista, estudo, ela ir pro Brasil, como ela de fato irá no ano que vem, provavelmente, etc e tal. E mal deu pra perceber o tempo. A gente parou, claro, no caminho, pra almoçar, e nem precisou abastecer. Isso aliás é o máximo aqui na Europa. Os tanques são enormes. É de fato muito super, como diria a Clara.
Enfim, após horas, chegamos a Saint Brieuc. É o centro do departamento, isto é, uma espécie de mini-estado, como há 57, acho, na França. E é uma cidade grande... Tem 50.000 habitantes. Só pra dar uma noção de valores, é um terço de Itapetininga. Eu sei. Não podemos nunca trabalhar sobre comparações, porque não trabalhamos sobre as mesmas magnitudes. É que nem somar 100mts com 10kms. Mas tudo bem. A casa da família dela era em Trégueux (Lê-se Tréguê), que é um subúrbio da metrópole. Heheh. Mas um subúrbio com pequenas chácaras, e a casa da família era uma casinha séc XVII, acho. Muito lindinha, aliás, grande, e muito chique. Eu, contrariando meu costume, tirei algumas fotos da casa, mas um dia minha máquina acabou a bateria, então tem algumas fotos que eu não tenho, mas a Sophie vai me passar semana que vem.
Bem, chegamos no sábado à noite, e estava só a família mínima mesmo. A saber, o pai, a mãe e o irmão dela, Stephane, que estuda no IBP com meus irmãos, e por isso eu conheci a Sophie etc e tal. E era, digamos, dia de comemoração, porque a Sophie passou em um concurso público para professora. Tem algumas escolas privadas que contratam professores pelo mesmo concurso do estado, e depois, selecionam entre os interessados que passaram no concurso. A escola dela chama Gerson, e é uma escola católica razoavelmente boa, digamos. E é um concurso difícil, portanto tinha mais que comemorar, mesmo. Ela estudou letras clássicas na faculdade, então ela é professora de latim e francês para uma sala de 12 anos. E o pai dela abriu uma champagne e tals e a gente bebeu e ficou conversando. E mais tarde, umas 9 e pouco, a gente foi jantar. E tinha lagostin, que estava muito bom.
Só um parênteses sobre minha alimentação nessa semana. Em 7 dias passados lá, eu tomei 4 copos de água e 1 de coca. O resto foi só cerveja, cidra, vinho... E em segundo lugar, eu comi frutos do mar quase todos os dias. E era bom, viu! E eu também nem tenho muito o costume de comer isso no Brasil, mas eu adoro. E por isso foi super bom. Eu comi lagostin, caranguejo, siri, e conchinhas várias. E foi legal, viu. E fim do sábado. Amanhã eu conto domingo e o resto. Acho que já falei de mais. Mas vai precisar de uma semana de relatos contínuos para tirar todo o atraso. Tudo bem, o importante é eu guardar tudo.
SM. Eu volto logo. Faltam poucos dias, graças a Deus... hehehehe