domingo, 7 de agosto de 2011

Dia 13 A.V.

SM
Já tirei o atraso, então agora é só contar o fim dessa semana mesmo. E até que eu fiz bastante coisa, viu... Na quarta-feira, eu fui no Louvre. Eu cheguei lá um pouco depois da uma e fui embora mais de 6 da tarde. Se contar a fila para entrar, digamos que eu fiquei no museu mesmo quase 5 horas. E, no balanço geral, foi chato. Tem algumas coisas bem interessantes, mas no geral, é uma confusão. Por exemplo: a parte da antiguidade: Egito, Grécia e Roma. A começa com Egito. A gente entra numa sala e está lá escrito: século tal. Aí tem uma vitrine de moedas, então tem várias, umas do lado das outras, tudo numeradinho, com uma plaquinha pequena escrita: 1. moeda egípcia século tal. 2. moeda egípcia século tal. e assim vai. Parece uma vitrine de anel. Depois vem uma de potes. E são um monte de gamelas e gamelinhas enfileiradas em prateleiras, e a mesma coisa para a inscrição. Tem algumas coisas interessantes, é verdade, e que vale a pena ver, mas a maioria das coisas não tem muito sentido. Tem uma sala lá, só de inscrições. Então são várias vitrines com pedras cheias de hieróglifos. Algumas estão traduzidas, mas as outras não. E é pedra, e pedra. Depois vem a parte da Grécia, que é a mesma coisa. Só que da Grécia, além do mais, tem muita gente sem roupa, coisa que dos egípcios não tem. Mas é vaso, e moeda, e estátua, tudo nas vitrines. Parece loja mesmo... Tudo isso, o Napoleão roubou dos seus lugares de origem e transportou até a Europa. Depois tem a parte de Roma, a qual ele já pegou pronta e classificada do museu do Vaticano. Mas é a mesma coisa.
Depois, mudando de pavimento, porque são 3, tem uma parte de esculturas da idade média. Não é muita coisa, mas é incrível. Tem pedaços de parede, um pórtico, com o mesmo tipo de inscrição ridícula. Um pedaço de parede com um arabesquinho esculpido: "escultura da região da Borgonha século XIII". Tosco! Depois, eu fui para uma parte mais recente. Era de pintores renascentistas e barrocos, separados por nacionalidade. Começava pelos italianos. E aí vinha por época. Mas era assim: Fra Angélico, então tinha vários pedaços de paredes, que era principalmente onde ele pintava, com as plaquinhas idiotas: "Fra Angelico, séc , São Domingos." E 20 centímetros de espaço, a próxima parede. Depois, vinham os pintores renascentistas italianos. Imaginem uma galeria, de uns 20 metros de largura por mais de 200 de comprimento. E desse jeito: um quadro do lado do outro, 20 centímetros entre cada, parecia loja de quadro, sério. E no fim, a Mona Lisa. E o monte de babacas olhando e não sabendo porque. Grande retardamento... Aquela porcaria não é melhor nem pior que os outros mais de mil quadros do corredor. E ficam lá os turistas bobalhões babando em cima de eles não sabem o que.
Depois vem outros artistas, outras nacionalidades. E eles são bem bonitos, alguns quadros, mas o jeito do museu é muito tonto. Desvaloriza todas as peças. É o contrário da criação do mundo. Deus criou bom, bom, bom, e no final ficou muito bom. Lá eles colocaram bom, bom, bom, e no final ficou ruim. Tinha também umas coisas preciosas, umas jóias, que eram bem bonitas e bem interessantes. Mas era a mesma coisa do resto. Vitrines e vitrines. Tinha lá a coroa do Napoleão e a de Carlos Magno. O mais interessante é imaginar o Louvre como um palácio. Ele não foi criado para ser um museu. Não que o rei morasse lá, mas era usado para administração. E é uma coisa enorme. E tinha algumas salas muito bonitas! E na saída, eu vi uma coisa que garanto que ninguém sabia que tem em Paris. Era uma micro praça com uma estátua do almirante Coligny.O dito era um protestante importante de 155x que mandou os protestantes franceses tentarem colonizar o Rio de Janeiro. Sinto, filhinho, mas ele viveu para ver a surra que eles tomaram. Eu passei e não resisti a mostrar a língua e falar com a estátua: "Sinto muito, fracassado... Nós, brasileiros e católicos, somos melhores. Vocês acreditando ou não que os índios eram gente, o fato foi que eles botaram vocês para correr fácil fácil."
Bem, isso tudo foi na quarta. Na quinta, eu saí tarde da escola, então não fiz nada. Na sexta, eu saí cedo e como eu tinha prometido, eu fui de novo na Nossa Senhora das Vitórias ajudar a limpar as plaquinhas de promessa. A gente lavava, com sabão e secava, e empilhava de novo. Pela velocidade do trabalho, acho que assim que as freiras acabam de limpar tudo, elas já podem recomeçar... A questão é que cada vez precisa tirar e recolocar, então é um trabalho imenso. Mas a gente parou antes da hora e foi carregar umas coisas que elas precisavam. E acabou sendo engraçado, vai. E no final, a gente ganhou um lanche e eu pelo menos fui embora. Porque tinha as vésperas e elas cantam tudo em francês, é uma coisa estranha de mais. E eu também tirei foto das plaquinhas de promessa lá. Algumas só, claro. Umas mais interessantes. Estou devendo um post sobre elas. E enquanto a gente limpava, tinha gente de várias nacionalidades. Das 6, só uma era francesa, aliás. Tinha uma russa, uma senegalesa, uma senhora da Martinica, uma norte-americana, a francesa e eu. A norte-americana era bem novinha e estava fazendo um trabalho na faculdade sobre inscrições em latim em Paris.
E no sábado, eu resolvi sair, e fui no museu dos Invalides, que é o museu da guerra. Nossa, eu não me lembrava como era legal! Tinha uma parte de armaduras, que era muito muito legal, depois uma do tempo entre século XVI e XIX e depois uma das grandes guerras. Era muito legal! Muito bem feito e tudo... Eu cheguei lá às 4 e fui quase expulsa às 6 quando o museu ia fechar. Eu tirei várias fotos de lá, aliás. Mas foi legal,
Hoje, eu acordei cedo e fui na missa. Vai, não tão cedo. A missa era às 11, e eu acordei às 9. Quando eu ia sair, a outra menina que está morando comigo me perguntou onde eu ia, falou que queria sair e tals. E eu prometi que na volta da missa a gente sairia. E tive que sair. Quando eu voltei da missa, ela estava lá, e a gente foi primeiro na Torre Eiffel, mas só ali por baixo. Depois nós fomos em Montmartre, na basílica do Sagrado Coração. Lá, desde que a igreja foi constru;ida, há 125 anos, tem exposição perpétua do Santissimo Sacramento. O ostensório é fixo, já feito no altar, e fica lá o santíssimo exposto. E as pessoas vão lá rezar dia e noite, de forma que há 125 anos naquela igreja tem sempre alguém rezando. Eu gostei muito! A igreja em si não tem nada de mais. Só o fato de que ela está bem alto, no alto de um morro, e de lá de cima a gente vê a cidade inteira. Gostei de lá, viu... Por fim, a gente foi comer uma crepe e depois veio para casa. Foi, digamos, um domingo bem aproveitado. Além do mais, eu descobri que no IBP de Paris tem missa de sábado à noite, o que me dá certa comodidade, porque como eu vou viajar para Portugal nesse domingo, eu não sei se, chegando em Fátima, eu ainda consigo assistir missa.
E é tudo. Hoje começaram meus últimos em Paris. Esse foi o último domingo. Está acabando. Eu gostei muito de ter vindo, mas a verdade é que eu não aguento mais. Estou cansada de não estar em casa. Aliás, uma coisa sobre a contagem. Eu chego na sexta, dia 19. Subtraindo 7, hoje, de 19, não dá 13, dá 12. Mas lembrem-se, dia 0 não existe. Eu chego no dia 1. Então, até sexta que vem!
Muitos beijos e Salve Maria.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Dia 18 A.V. - tirando o atraso

SM
Bem, no domingo, eu acordei e fui na missa. Aliás, quando eu estava me arrumando para ir, eu tropecei de uma maneira que eu ainda não consegui entender em mim mesma e tomei um tombo incrível. Eu caí de joelhos e pensei "nossa, parece filme de aparição", porque foi bem assim minha queda. E agora, cada vez que eu ajoelho, eu penso na minha queda, porque eu machuquei mesmo o joelho... Enfim, não vou ficar lamentando-me de minhas doenças como uma velha. Eu fui na missa na Saint Eugène. Todo mundo diz que lá a missa é muito bonita, e tal, e o coral, e não sei o que... E, já descontando que está nas férias, embora não seja um desastre, eu não vejo nada de tão fenomenal assim. Aliás, sobre as férias, é uma coisa impressionante. Eu não acreditava antes de ver. Tinham me dito que Paris ficava vazia no mês de agosto. Eu pensei: "ah, duvido. Deve ter muito turista mesmo assim..." Eu acreditava mesmo que muitos parisienses pudessem viajar, mas não nesse conceito forte de cidade vazia. Além do mais porque minha escola fica em um bairro muito turístico, então eu achava que não mudaria nada ou quase nada. Mas eu estava errada, claro. É inacreditável. De sexta para sábado, as pessoas sumiram. Sabe o jeito que fica São Paulo naquela semana entre o Natal e o Ano Novo, ou pior, no dia seguinte ao Natal, onde a gente tem a impressão que se olhar bem, a gente acaba encontrando as mesmas pessoas todo dia, porque só sobraram alguns poucos condenados na cidade? Imaginem o m6es inteiro sendo dia 26/12. Paris fica assim. Mesmo num bairro muito turístico, onde eu estudo, tem várias lojas e restaurantes que fecham todo ou parte do mês de agosto. Uma loucura...
Bem, depois da missa, eu encontrei com uma das mulheres que fazia parte do coral da Santa Joana e a gente foi almoçar juntas. Ela também encontrou uma amiga da irmã dela, que ela nem conhecia, e fomos nós 3. Ela mesma é analista de sistemas, digamos. a amiga, chamada Maria Letitia, é a responsável pela biblioteca do Chateau de Versailles. Muito glamour, né? Pois é... Super chique! Ela me deu um cartãozinho dela e tudo... Muito legal!
Na saída, como o lugar que a gente almoçou era exatamente do lado da igreja Nossa Senhora das Vitórias, e as duas estavam querendo ir na Paris Plage, eu fui para a igreja. Além do mais, eu estava querendo mesmo ir visitar a igreja. E eu gostei muito. Começando que ela tem as paredes todas lotadas de promessa. Sabe aquelas plaquinhas, escritas obrigada, etc, em pedra, claro, para durar? Então, e depois, os corações de promessa também... Todos os ornamentos das paredes, no alto, porque em baixo é tudo coberto de promessa, são feitos de "mosaicos" desses corações. Gostei muito. E eu passei mais de hora lendo essas plaquinhas. Muitas eram repetitivas, mas algumas nos fazem imaginar histórias muito interessantes... E mesmo as repetidas, imaginar a intenção, o estado de espírito da pessoa que mandou colocar aquilo. Mas algumas eram ainda mais interessantes. Para o post de amanhã, eu quero transcrever algumas e comentar sobre elas.
Na segunda, eu tive aula uma parte do dia. Então, de tarde, eu não podia fazer muita coisa. E resolvi ir na igreja de Santa Maria Madalena, a Madeleine, que é citada no livro do Eça de Queiroz, A Cidade e as Serras. Sinceramente, nunca tinha ido numa igreja que inspirasse menos piedade na minha vida! Mesmo essas igrejas modernosas, horrorosas, que eu conheço várias. É uma igreja do século XIX, pelo menos uma parte, muito parecida com um templo, e está toda suja por fora, toda preta. Já dá medo de entrar. E por dentro, continua parecendo um templo. Ou vai, um saguão de biblioteca de filme, no máximo. Lá na frente tem o Santíssimo, no altar principal, não sei por quê. Eu vi duas ou três pessoas em silêncio, sentadas, mas ninguém ajoelhado. Eu fiz questão de rezar o rosário de joelhos lá, porque era uma coisa inacreditavelmente pagã. Lá, eu acho, estão as relíquias de santa Maria Madalena, em um relicário, no canto do altar, mas não dá pra ver direito. As estátuas todas eram bem feitas, não tinha ninguém sem roupa, nem mal-vestido. Mas acho que inspirava menos piedade do que aquelas coisas renascentistas de Roma, se isso é possível. E o altar era igualmente feio, mas o mais impressionante era, sem dúvida, o mosaico em cima do altar. Representava Napoleão chegando no céu, sendo apresentado pelo papa a Jesus e à santa, que flutuavam ambos em nuvens, e vários bispos junto, patriarcas orientais, muita gente, enfim. E ele estava com o manto de rei e a coroa de louros, que eu tenho certeza que ele não levou para a outra vida, e pegava em uma almofadinha a coroa dele de imperador. Inacreditável! Eu não conseguia tirar os olhos daquilo. Eu tirei foto, claro, mas eu acho que, para mim, essa igreja se tornou um passeio obrigatório aqui em Paris. Muita da minha raiva de Paris pode ser encarnada nessa igreja.
Hoje, para compensar, eu fui na Rue du Bac, ver a capela da medalha milagrosa. Ali sim inspira piedade. A igreja não fica vazia um minuto. É uma capelinha de uns 200 lugares, é verdade, mas fica o tempo todo lotada. E as pessoas vão lá mesmo para rezar. Até de joelhos. Embora eu tenha preferido a calma da Nossa Senhora das Vitórias, é interessante de mais ver a cadeira onde nossa senhora sentou. E lá, fora as relíquias, se tem mesmo um ar de santidade. É impressionante. E o bom é que lá não tem sentido o turismo, porque a capela não tem grande interesse artístico. É só mesmo a religião, então a gente acaba vendo mais latinos do que tudo. Na saída, eu passei pela Nossa Senhora das Vitórias de novo. E como eu estava lá rezando ainda perto da hora de fechar, uma das freiras me pediu para ajudar a "fechar a igreja". Ou seja, arrumar as coisas para fechar. E eu soprei sinceramente umas 200 velinhas, porque as velas pequenas não podem ficar acesas à noite por causa de incêndio. Então lá passei eu apagando. Só não sei o tempo que elas levam para acender tudo no dia seguinte. Mas eu fiquei imaginando várias crianças com inveja de mim... Depois eu ajudei mais um pouco e ela me pediu para voltar na sexta, às 3 da tarde para ajudar a limpar as plaquinhas de promessa. Oba! Então sexta eu volto lá.
E foi isso. Essa semana eu estou de fato fazendo turismo em Paris. Sozinha, literalmente. Rodeada de coreanos e chineses, porque é só quem tem por aqui, quase. Faltam só 18 dias para eu voltar. Eu não vejo a hora.
Até mais, gente. Estou com muita saudades já. Mas está acabando.
Vários beijos e Salve Maria.