Tenho alguns assuntos atrasados, ou que ficaram para trás. Por exemplo, o arroz. Eu contei que quinta a madame ia fazer arroz. Digamos que estava... diferente. Era um arroz daqueles meio com casca, feito mais ou menos como macarrão, não sei. Ele era cozido de uma maneira estranha, e era estranho. E meio moreninho, acho que por causa da casca. Mas até que não tava ruim, não. Gostei.
E também de quinta. Eu almocei um lanche lá perto da escola... E isso sim era drole. Era um misto no pão Pullman. Com o pequeno porém de que era arranjado da seuinte forma: Pão; pão; presunto; queijo; presunto; queijo. Genial, não? Aí a indiana dava uma tostadinha no queijo de cima para não escorrer e esquentava. No final até que ficava bem bonzinho, mas eu ainda acho que era mais fácil se tudo ficasse dentro do pão e não só em cima.
Agora de ontem: Não houve nada muito especial. Eu fui na escola, e a professora elogiou o meu trabalho que eu tinha pedido ajuda mesmo porque só eu tinha feito. Depois, de noite eu fui na missa. Antes da missa, eu fui procurar um amigo do padre Giorgio, o famoso padre São Mauro da Santo Antonio. Ele tinha me dito que o tal padre estivera no Brasil e que agora trabalhava aqui nos Scalabrinianos. Só para situar, esses padres são especializados em cuidar dos imigrantes italianos no mundo. O padre Giorgio vive insistindo para eu ir nos eventos deles aí de São Paulo. "Você não pode esquecer suas origens!" Eu até agora tenho conseguido dar desculpas bem razoáveis...
Enfim, eram dois endereços. Um mais longe e outro mais perto. Eu fui no mais perto primeiro, para manimizar o risco. Mas é óbvio que não deu certo. Era uma igreja, onde o padre só ficava perto dos horários das missas. A casa era no outro endereço. Lei de Murph! Lá fui eu então para o outro endereço. Por sorte era a mesma linha de metro.
Falando em linha de metro, quem vier para Paris precisa andar primordialmente em 2 linhas: a 4, que tem os trens mais velhos do que minha avó e a 1, que tem uma linha tremenda. os trens são relativamente novos, mas é bem interessante ficar no primeiro carro e ir observando a linha. O trem vai bem devagarzinho. Acho que até os maquinistas tem medo que ele tombe ou bata, sei lá.
Mas estava indo eu para encontrar o tal padre quando o Pedro me ligou e me deu uma bronca por eu falar quase todo dia com vocês! Disse que assim eu não ia saber nada, que eu não podia falar português nenhuma vez e etc! Posso com uma coisa dessas? E ele ainda falou que ele não falava português nunca. Rá! Mas 1- ele fala francês então com os amigos, e eu não conheço ninguém aqui. E 2- isso não é verdade. Ele sempre liga lá em casa. Mais de uma vez por semana. Para resolver isso, ele já me contou que a irmão do Stéphane, um outro seminarista de lá, a qual mora em Paris também ia visitar o irmão amanhã, (eu contei que eu vou no seminário amanhã, né?) e eu poderia ficar amiga dela. Quanta honra! Brincadeira. Quem sabe ela não me leva numa baláde de Jesú traditionel... hehe Brincadeira de novo!
Enfim... Cheguei lá e me atendeu um padre velhinho. Eu expliquei minha história e ele começou a falar comigo em italiano. O tal padre que tinha estado no Brasil não morava mais lá, mas tinha um padre português que poderia me confessar sem problemas. Só que ele tinha saído fazia 3 minutos e só voltaria no dia seguinte. Hoje, portanto. E que ele o avisaria. "Ti aspetiamo domani matina. Ciao, bella." Fazer o que? E lá voltei eu para a missa. Teve benção do Santíssimo antes e missa, tal. E era sexta e eu não tinha o que fazer, então fui no Mc mesmo. E lá, substituindo aquelas mulherzinhas que fazem papel na fila tem um tóten em 5 linguas diferentes. Assim, quem não fala francês faz o pedido e só entrega o impresso e o dinheiro no caixa. C'est génial, n'est ce pas?
Enfim, hoje eu acordei cedo para ir na missa. Era nove e meia de sábado. Ninguém merece! Minha avó diria: missa dos velhinhos... E não tinha nenhum dos 6 rapazes que ajudam o padre, então o padre tava sem acólito mesmo. Depois, eu fui confessar. E tava lá de novo o padre, conversando comigo em italiano. Ele disse que ia chamar o padre e depois que ele já vinha e sumiu. E passaram por lá vários rapazes de uns 25, vai, no máximo. Bonjour, bonjour. E depois entrou um outro: Bom dia, eu sou o padre. Caramba! Sério mesmo, ele tinha cara de pessoa absolutamente normal! Era super hiper novo, com roupas normais, obviamente, e cara de padre zero. Ave Maria! Mas absolvição é igual. Confessei saí e pronto. E digo uma coisa: onde há vida há esperança: pela primeira vez eu vi uma freira vestida de freira aqui na França! Andando de metro! Surpreendentíssimo!
E eu vim para casa e pronto. Fui dar uma olhada na loja da Europcar onde eu vou pegar o carro amanhã e aquele lugar é nojento! Cheira mais mal que qualquer beco em São Paulo. Dava para diferenciar os diversos tipos de nojeiras... Ah mais uma coisa. eu estou pegando o do da Stella. Velhinhas me contando histórias... Quando eu subia, uma me falou: "Sabe, eu nunca subo com ninguém no elevador aqui, mas voê eu deixei entrar. Porque outro dia, eu estava aqui no elevador do prédio, onde moramos eu e ela aliás, e entraram duas pessoas comigo. Um rapaz e uma moça. E eles me assaltaram e me roubaram tudo! Até minha carte bleu." Não sei bem o que é carte bleu mas parecia importante, porque ela repetiu isso várias vezes. Eu quase disse para ela: 'ainda bem que estamos em um país sem criminalidade!' Fiquei chocada dela ter sido assaltada dentro do elevador, o qual, para ser acessado, é preciso passar por uma porta que fica trancada e a gente tem que abrir.
É isso, gente. Agora vou dormir porque amanhã eu acordo cedo.
Só para deixar para vocês, essa é uma entrevista com o "Arnesto", o amigo do Adoniran Barbosa para quem o mesmo escreveu o samba. Ela foi feita na comemoração do centenário do Adoniran. Reparem que o velhinho nem fala direito, mas ainda toca bem violão. Música é emoção!
SM!
2 comentários:
SM!
Você ainda não tá trabalhando né mocinha? A Stella me disse que vocês ficam conversando o dia todo.. Eu diria que isso é não saber aproveitar uma viagem a Europa, devia estar no minimo estudando frances! hahahaha
Fiquei chocadíssima com essa história de pão pão e depois os recheios por cima, será que os franceses ainda não sabem usar o pão? hahahaha
SM
Beijos, Thais
Não estou, infelizmente. E eu estou sim estudando... Acho que sou a mais estudiosa daquela escola! Tudo bem, não é difícil. Cheio de filhinho de papai que só pensa em festa... rsrsrs
Pois é, eles não sabem o que é açucar refinado, também. Aliás, eles não sabem nem mesmo o que é açucar! Civilização...
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