terça-feira, 14 de junho de 2011

Dia 67 A.V.

SM

Hoje, claro, tenho muita coisa para contar. Nem todas as palavras do mundo poderiam exprimir meu encantamento por uma das melhores experiências da minha vida! Acho que os dois únicos eventos que eu me lembro de ter gostado mais do que essa peregrinação foi a primeira festa da Montfort no sítio e os dias de abaixo assinado no sítio. É inacreditável fazer essa peregrinação! É muito muito muito bom! É muito emocionante pensar que você está andando com mais 11.000 pessoas rezando pela missa. Imaginar que você está em um ponto ínfimo de 20, 30 metros numa fila de 8 kms...
Enfim. No sábado, a gente tinha que estar em frente à Notre-Dame às 6 da manhã. Eu cheguei lá e fui fazer minha inscrição de última hora. Foi facil, tals. Depois eu fui guardar minha mala grande comecei a entender o esquema das coisas... Os 11.000 peregrinos são agrupados em capítulos. Um capítulo é um grupo de pessoas que anda sempre junto, tem um nome, que vai escrito numa cruz, que reza junto, e tals. Depois, os capítulos são agrupados por região da França. Meu capítulo era Marie Reine Imaculée, da região Yvelines, que é ao sul de Paris, região aliás de Chartres. Essa região, aliás, era a maior, sem comparação. Paris era dividido em 3, e acho que a partir do ano que vem, Yvelines também vai ser dividido. Cada região tem uma cor. A nossa era azul e amarelo. A gente amarrava fitinha azul e amarela na mala para eles saberem. E a gente sempre procurava os cartazes com essas cores. Tinha preto, pros estrangeiros, roxo, para Paris-Sul, etc. Do lado do caminhão onde a gente deveria colocar as malas, tinha uma faixa com as nossas cores. Eram 6 caminhões, acho. Depois a gente ficou esperando pra começar a cerimônia. A abertura é um Veni Creator cantado dentro da Notre-Dame e uma cerimônia com benção, dirigida pelo bispo auxiliar de Paris.
Bem, aqui é o momento de abrir um parênteses. Essa peregrinação é feita há muitos anos. É uma tradiçào muito antiga essa peregrinação de Paris a Chartres. Começou na Idade Média. Depois, isso foi sendo largado. A fraternidade S Pio X começou há vários anos a fazer uma de Chartres para Paris, que acabava em Saint Nicolau de Chardonnay. Depois, algumas pessoas resolveram começar a fazer o contrário. E ela começou pequenininha. Fundaram uma associação chamada Notre-Dame de Chrétienté, que é quem organiza essa peregrinação. E já há alguns anos, com milhares de peregrinos, que aumentam cada vez mais, a abertura é feita na catedral e a missa de encerramento é feita na catedral de Chartres também. Benefícios da legalidade...
Acabada a abertura, a gente começou a sair, e um cara no microfone começa a chamar para a saída. Ele chama a região e depois começa a dizer os nomes dos capítulos da região por ordem de marcha. E vai todo mundo saindo, nos grupos de capítulos, um após outro, com uma distancia de uns 10 metros, no máximo pra não misturar, e vai formando uma fila enorme e larga. Cada capítulo, para ser identificado, carrega uma cruz padronizada com o seu nome e depois, sempre tem estandartes de santos ou dos grupos, algumas imagens, bandeiras, etc. que todo o capítulo se reveza carregando. E isso é muito bonito! Muito muito mesmo. Durante a caminhada, a gente canta muito. Canta o rosário todo, por exemplo, todo dia. E tem também algumas pregações que são padrão, que estão escritas no livrinho, e algumas que o chefe do capítulo faz ou que alguém que se dispôs faz. E a gente canta também e conversa. Enfim, é muito tempo... A gente sai da catedral e começa a subir uma ladeira. Se vê longe a fila, mas ela some antes de acabar. É lindo lindo lindo!
Nós andamos até as 11:00, por vales e montanhas, estradas e florestas... Brincadeira. Brincadeira nada, foi bem isso. A gente parou saindo já de Versailles, num parque. Mas era uma pausa de 10 minutos. Quando a gente chegou, os primeiros já tinham saído há muito tempo... Ficando num ponto parado, a fila demorava mais ou menos 1 hora e 20 para passar. E depois, a uma da tarde, a gente parou num campo enorme para a missa. Quem chegou primeiro ficou esperando a missa um tempão, então eles almoçaram antes. Mas a gente que chegou mais tarde almoçou depois.
Durante a missa (fotos, que eu prometo que vou colocar legenda), tinha vários padres confessando. Tinha uma capela móvel, que viaja de caminhão, onde o padre celebra a missa. Tem cadeirinhas pros clárigos e o povo fica sentado no chão. Os corredores são marcados com umas fitas amarradas. E até que é muito legal ver 11.000 pessoas respondendo e cantando a missa no campo. Maravilhoso!
Depois da missa, a gente saiu e foram mais três andadas de 1:30 separadas por 2 pausas de 15 minutos. Depois, a gente finalmente chegou no acampamento. A logística é inacreditável. Era um campo enorme onde eles tinham separado por região os lugares de dormir. E cada um procurava sua região, achava um lugar, armava sua tenda e pronto. Na verdade, tem algumas tendas comuns, onde você pode simplesmente chegar e dormir, mas nem teria lugar para todo mundo e é muita bagunça, apesar de ser obviamente separado, para homens e mulheres. Eu dormi na tenda da Elianor.
No domingo, às 5 da manhã no acampamento já começou a chamada. No auto falante o sujeito chamava, dizendo que era hora de acordar, 5 da manhã. Depois, às 5 e 10 ele dizia que a gente tava atrasado porque ele ainda estava vendo várias barracas montadas. E aí começava a tocar música. Era música clássica, em altos brados no auto falante. Nossa região seria a primeira a sair, então 5:30 ele já começou les Yvelines, não se atrasem. E 15 pras 6 foi a primeira lista dos capítulos, com avisos para a gente se posicionar para não atrasar a coluna. E 6 horas ele foi chamando já os capítulos e a gente começou a sair.
Na hora do almoço, a missa foi com o padre Laguérie. E depois saindo todo mundo e etc. Esse dia, eu machuquei o pé. Na verdade, eu tinha batido ele no sábado e estava andando um pouco torto. E de andar um pouquinho torto 60 kms eu destruí meu pé. Mas tudo bem. Eu fiquei só duas etapas sem andar. Uma antes e uma depois do almoço de domingo. E eu fiquei no grupo dos fatigués. Pera lá! Eu não estava cansada! Eu estava machucada! E teve um padre que ficou falando dentro de uma igrejinha em uma micro-cidade-modelo de interior da França e a gente rezou o rosário e pronto.
De noite, no acampamento, eu estava super animadinha. Eu até jantei a sopa deles, a conselho da minha mãe e tava boa mesmo. Eu tinha tomado 1,5 aspirina e meu pé não estava mais doendo tanto, então eu fiquei saracuteando, e fui na Benção do Santíssimo e na Consagração à Nossa Senhora. E depois, eu ainda passeei e foi bem legal.
Na segunda, a gente estava quase no fim da fila. Então eu arrumei logo minhas coisas, guardei no caminhão e fui para a entrada do acampamento ver os grupos saírem. É muito legal! Eu fiquei ouvindo ele chamar cada um. E o povo de uma região lá atrasou e não aparecia. E ele ficou muito bravo, disse que era falta de caridade que eles estavam atrasando a coluna e que a gente, mais para trás, podia não ter pausa por causa deles. E aí logo depois eles apareceram e acabou indo tudo certo. E a gente se virou para tirar o atraso. E tivemos pausa sim. Ufa!
E foram duas caminhadas de 2 horas com pausa de 15 minutos, almoço e 2 horas. E chegar em Chartres é simplesmente indescritível! A catedral a gente ve logo depois da pausa, mas ainda tá bem longe. E logo depois do almoço a gente começa a entrar nos subúrbios de Chartres. E quando a gente entra na cidade mesmo, 5 kms depois, os primeiros já estão chegando na catedral, então a fila fica num anda-para bem devagar. E está todo mundo animado, então a gente vai cantando cada vez mais alto e cada vez mais feliz. E depois tem a missa com o cardeal. Claro que não cabe todo mundo dentro, então entram primeiro os capítulos estrangeiros. Eu estava em um francês, mas eu acabei convencendo a mulher a me deixar entrar.
E a missa lá dentro foi linda. Primeiro, na procissão entraram todas as bandeiras e estandartes que tinham vindo na peregrinação. E a gente cantava, todo mundo na igreja. Foi muito bonito. E depois teve a missa com o bispo. De tudo isso tem foto. E por fim, saímos da missa. E eu voltei para perto do grupo. E de lá a gente foi pegar o trem. Eram dois. O primeiro ia direto para Paris e o segundo parava em Versailles. E eles eram todos de Versailles, e entraram no segundo. Eu também tinha entrado, mas depois mudei de idéia e saí rápido pra pegar o primeiro. Eu entrei lá, toda feliz. E o trem tava lotado. Parecia aqueles filmes de fugitivos de guerra. Saia gente pelo ladrão! E um monte de mala, todo mundo morto... E o trem, que deveria partir às 7 fechou a porta as 7:2o e de novo às 7:25 e foi sair já passava de 7:30. E quando ele começou a se mexer, a gente começou a cantar: Jubilate deo aleluia! E a gente foi cantando até Paris, onde eu peguei o metro e corri para casa rapidinho, ou o quanto podiam minhas pernas, e tomei banho e dormi. No metro, eu reparei que as pessoas ficavam reparando em mim. Eu não sabia por que. Quando eu cheguei em casa que eu olhei no espelho depois de 3 dias... Eu estava cor de terra! Bordo escuro, entre marrom e vermelho. Nossa! Meu rosto não descascou, ainda bem.
E hoje eu dormi 10 horas, então eu nem fui na escola e fiquei só escrevendo e batendo papo.
É isso gente. Tem muito mais coisas, mas eu conto conforme for lembrando.
BJS SM

4 comentários:

Carol disse...

Noooossa mto legal...eu quero ir tb!!!!

Regina disse...

Vcs tem q vir mesmo!!! É muito muito bom!!! E que bom que não houve comentários indiscretos da sua parte dessa vez... :)

Regina disse...

links para as fotos q eu tinha esquecido:
https://picasaweb.google.com/reginaoeste/OiGarottinha3Pele

http://www.nd-chretiente.com/index-site.php?file=2011/photos11&show_heading=list&dir=photos&page_num=1

Carol disse...

Ñ seja por isso..."De noite, no acampamento, eu estava super animadinha."...hahahahaha
vc tava la como quem ñ querr nadaa