domingo, 31 de julho de 2011

Dia 20 A.V. - tirando o atraso

SM
Bem, domingo passado. A missa era às 9, então a gente precisava pegar o trem das 8:10 na estação. Dessa vez, a gente acordou na hora certa e foi tudo bem. A gente tomou café, arrumou as coisas, porque a gente ia embora direto, pegou várias coisas que eram para por na mala do Antônio para levar para minha avó e foi para a estação. Lá a gente se despediu da minha tia, que ia para um domingo de reunião com umas carmelitas que ela frequenta. Pegamos o trem, tudo bem, fomos para a igreja, tudo bem. Quando a gente estava quase chegando, logo saindo da estação, a gente viu as crianças, ali na frente. A d. Ivone e a p. Érika estavam tão desligadas que elas viraram duas vezes e não viram a gente. Depois a gente foi junto para a igreja e de novo era aquela missa estranha. Na saída, as crianças iam num lugar tomar um café da manhã inglês. Eu e a Clara resolvemos ir junto. E até que foi gostoso. Eu comi só um pouco do feijão com molho de tomate. Mas o bacon estava maravilhoso. E tinha também pão, o ovo eu dei as gemas mas comi a clara, e estavam boas. E segundo a Clara, ela gosta das gemas porque elas a completam. E tinha chá também que estava bom pra caramba. Mas como o Luis não gostou muito, eu troquei o chá dele com o meu suco de laranja.
No fim do café, a gente tinha resolvido ir numa feira de antiguidades que a gente tinha achado no guia. Mas como a Clara estava super hiper sobrecarregada de coisas, a gente antes voltou no apartamento para deixar tudo. E entre ir, voltar e tal, a gente acabou desistindo e indo na casa do Sherlock Holmes. Ela já tinha ido, mas a gente foi de novo. Era, claro, na Baker Street, 221B. Esse número não existia e no começo da década de 90 eles fizeram um processo na prefeitura para criar onde seria mais ou menos o lugar e ali fizeram o museu. No térreo tem uma lojinha. No primeiro andar tem a sala e o quarto dele. São 17 degraus, claro. E eles montaram baseados em todas as descrições que têm. O Conan Doyle deve ter desenhado a casa, porque lá estava escrito que nenhuma descrição é incongruente. E eles também montaram o museu com vários objetos que teriam pertencido ao Sherlock Holmes. Lá dentro se tem de fato a impressão de que ele realmente existiu.
No segundo andar, onde seria o quarto do Watson e da dona, eles não são muito mobilhados e fizeram um museu de cenas. Tem uma cabeça imensa do cão dos Baskerville, empalhada numa parede. E tem várias outras estátuas de cera, como o homem do lábio torcido, etc. Um senhorzinho vestido de Watson apresenta tudo. A Clara tirou foto com ele, mas eu não. Ele explica qualquer coisa que se perguntar. Acho que ele está lá desde que fizeram o museu, pelo que eu ouvi de orelha ele explicando para uma outra pessoa. E depois eu desci para a lojinha e comprei, claro. Na saída, a gente foi almoçar numa rede que chama prêt-a-manger, que tem vários lanches naturais, suco etc e tal. A gente comprou, mas como era mais caro comer lá, bem mais caro, aliás, a gente pediu para viagem. E depois, onde comer? Ah, fácil, num ponto de ônibus. A gente se instalou lá, calmamente e foi comendo. Tinha um lanche de salmão e outro de rúcula com tomate seco. Cada uma comeu metade de cada e comemos também um musse de limão, muito bom, e um gingerbredman. Eu nunca tinha visto, só na história. Mas a gente viu e comprou e comeu. Até que era bom, viu! E depois a gente foi para perto de onde eu tinha que pegar o ônibus para o aeroporto. E lá tinha umas lojas de souvenires e a gente comprou várias coisas. A Clara, principalmente. E depois a gente fez juntas uma lista de coisas que eu ainda tinha que ver em Paris e aí já era hora de ir embora e eu fui.
Chegando no aeroporto, eu fui logo fazer o check-in. E o senhorzinho que me atendeu, quando viu meu passaporte, já perguntou se eu era brasileira. Claro, estava escrito lá! E quando ele viu meu nome, ele começou a falar em italiano comigo. E por incrível que pareça, meu italiano estava melhor do que meu inglês... E ele foi explicando que eu não podia ter uma mochila e uma bolsa, as duas na mão. E ele sugeriu que eu colocasse a bolsa dentro da mochila. E já foi um sufoco, porque as duas estavam já meio cheinhas. E ainda por cima, ela deveria caber dentro daqueles limites lá. Nem sei como eu consegui, mas eu consegui! E depois, tinha que passar no detector de metal. Acredita que eles me fizeram tirar, além do computador, o celular, a câmera e as chaves. Foi horrível! Odeio aquele aeroporto. E por fim, a gente ia para um saguão onde tinha o free shop. E ficava todo mundo lá, esperando, até que era liberado o vôo. E então aparecia na tv o portão onde a gente deveria ir. E aí era uma correria discreta, porque todo mundo queria estar no começo da fila, já que não tinha lugar marcado. Eu me deixei ficar lá e fui só depois. Não me importava mesmo. No final, eu fiquei em penúltimo da fila. E esperei sentada e quando eu entrei no avião, foi muito bom, porque tinha um lugar na janelinha! Era na fileira da porta, então o comissário foi explicar os procedimentos para abrir e tudo mais. Até parece, né! E tava vazio o lugar porque os outros dois eram dois gordos meio nojentos. Mas eles eram até que educados, e nem amolaram. Eles ficaram no canto deles e eu no meu, e nem estava muito mais apertado do que de costume. Dei sorte, enfim.
Na chegada do Charles de Gaule, eu corri e peguei um roissybus que estava quase saindo. No ônibus eu pensei que nunca eu acreditaria que podia ficar tão feliz de chegar em Paris. Eu não gosto daqui, e foi com verdadeiro espanto que eu percebi como estava com a sensação de estar chegando de fato em casa. Credo! Como assim, Paris pode simbolizar em algum momento um lar para mim? Mas eu sentia mesmo. Eu pensava "to chegando em casa, finalmente!" E ainda lá com a Clara, eu estava super cansada e falei: "nossa, não vejo a hora de chegar em casa!" E ela achou que eu estava falando de ir para o Brasil, mas eu estava mais pensando em Paris, 13o arr. Acho que eu fiquei assim porque: 1- a gente vê muita igreja lá na Inglaterra, e não pode entrar pra rezar um pouco, porque é anglicana. Pelo menos aqui, se a gente quer um sosseguinho, pode entrar numa igreja, sentar lá no fundo, ficar quieta e pronto. Lá não. 2- o meu inglês atrofiado me incomodava muito, enquanto que o francês eu já domino até que bem. Não que eu falei muito muito, mas eu entendo o que as pessoas dizem na rua umas pras outras e posso me comunicar bem. 3- eu não conheço Londres, e me sentia o tempo todo perdida. Aqui em Paris, basta eu olhar uma placa na rua e ver o arrondissement que eu sei onde estou. Eu sei ir de metrô para qualquer lugar, é tudo mais fácil. Fora que eu tenho um lugar realmente meu aqui. Eu até pensei que ia me decepcionar, mas não! Foi mesmo reconfortante chegar aqui! Eu cheguei, deitei e dormi!
Eu pensei em deixar para o próximo post essa semana, e vou deixar mesmo. Mas eu queria completar que, depois de umas coisas eu fiquei pensando se a Sophie tem noção do quanto eu gostei das férias na casa dela e de ter conhecido ela. Acho que não. Estou pensando se escrevo ou não um e-mail pra ela. Pesando pelo lado do sim dizer que eu gostei muito de conhecê-la e que ela me acrescentou várias coisas, porque eu critiquei umas dela também, mas não foi só crítica, e pelo lado do não que eu não quero ser chatinha etc e tal. Mas eu conto depois o que eu resolver.
Muitas saudades e muitos beijos. Eu já estou voltando, pessoas...
SM.

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