A terça feira foi um dia menos corrido. Isso porque a gente acordou tarde, eu não muito, é verdade, mas a Sophie, sim. Eu fiquei não fazendo nada durante a manhã, tirando umas fotos, tomando um pouquinho de sol que era o que tinha e tirando umas fotos, zanzando por lá, etc. Depois do almoço, a gente ia, e foi né, para Jousselin. A gente chegou lá por volta das 3. E fomos primeiro visitar o castelo. A fachada é inacreditável. Quer pela estrada, em baixo, onde a gente vê o castelo, lá em cima, encarapitado nas rochas, quer passando as muralhas, de dentro da cidade. Tem uma história interessante sobre ele. Ele pertencia, pertence, na verdade, à família Rouen. No tempo das guerras de religião, os Rouens, protestantes, eram contra o rei, que era católico. Com alguma desculpa, não sei bem qual, o cardeal Richelieu, que não era bom, mas dessa vez estava do lado certo, conseguiu uma ordem do rei para derrubar 5 das 9 torres que tinha o castelo. Assim que ele saiu da entrevista com o rei, com a ordem assinada, ele cruzou por acaso com o então duque, creio eu, de Rouen. E falou para ele: "senhor duque, acabei de jogar uma boa bola no seu jogo de boliche." É engraçado, vai! E de fato, das 5 torres que o castelo tinha, só sobraram os fundamentos, e a gente ainda os vê no chão. Aliás essa família era só de oportunistas. Eles mal passavam de marqueses e, em pouco tempo e às custas dos outros, ele se içaram ao título de conde, depois duques.
O castelo, por fora, é bem bem lindo. Mas ele ficou abandonado durante muito tempo, e houve uma restauração no século XIX. Não tem muita graça, viu... E depois, como ele é habitado, a visita só pode ser guiada e a guia falou sobre cada peça do mobiliário. Foi chaaaato! Ela era boazinha até, e pelo visto era o primeiro dia dela. Ou dos primeiros, porque ela estava muito pouco à vontade. Mas tudo bem.
Depois, a gente foi na catedral de Josselin. Era até que legal. Nada de muito especial. Ah, só duas coisas. Tinha outro Santo Expedito. Eita povo. E tinha também, para combinar um vitral estilo ponto de ônibus de santo. Coitados, alguém precisa dizer que não passa ônibus ali... Eles estão esperando há séculos, já. Só para ter certeza de que todo mundo sabe o que eu estou falando, ponto de ônibus de santo é quando tem um monte de santos, mais ou menos amontoados. No caso, esse estavam um do lado do outro, de cima a baixo, se ordem nenhuma. Digo, cada um na sua casinha, quadrada, mas sem relação entre si. Não gosto muito disso.
Bem, saímos de lá às 5 horas, e como era no caminho, eu pedi para passar e ver Santo Ivo. Como diz a quadrinha, que nem sei se tem equivalente em francês, mas não importa, "santo Ivo era bretão, advogado, mas não ladrão. Vejam que admiração!" Pois é. Tudo verdade. E ele é padroeiro dos advogados, na verdade.
Santo Ivo era de uma família rica, e ele era o herdeiro da família. Acho até que era filho único, mas não tenho certeza. E ele era advogado. Ele trabalhava para os pobre e foi distribuindo toda a fortuna da família. O processo de canonização dele começou logo depois da morte dele. Então, no processo tem depoimentos dos pais dele, reclamando que ele dava tudo para os pobres. E o que sobrou, ele tinha deixado um testamento de dar para a Igreja também. Sobrou o crânio dele, que fica exposto numa urna, no canto da catedral. Todo ano, vários advogados e magistrados e etc do mundo todo fazem uma pequena procissão com a relíquia. Eles saem da catedral e vão até a igreja da cidade dele, que fica há uns 5 kms de distância. Eles vão e cada um passa de joelhos por baixo de um altar na frente da igreja, no meio do cemitério, claro, onde fica a relíquia. Depois tem uma cerimônia na igreja e eles voltam. As fotos era bem legais, mas eu não lembro mais o dia. Acho que é em maio, não sei porque.
A cidade já é bem bonitinha. Eu gostei. Era mais rica que as outras, e além de ser mais bem cuidada, tinha mais tipos de casas. A gente deu uma volta por algumas ruas onde passa a procissão e depois fomos na igreja da cidade dele. A gente entrou por acaso, porque, em tese, já deveria estar fechada. Tem uma placa de pedra enorme, com o testamento dele transcrito em latim, claro.
Saindo de lá, a gente foi numa cidade onde tinha um enorme castelo medieval, mas que tinha sido completamente destruído, e só tinha sobrado a igreja. As pessoas tinham feito a cidade inteira com as pedras, e só tinham sobrado os contrafortes da fortaleza. Tinha algum interesse nesse lugar, mas eu não me lembro qual. Talvez eu lembre mais tarde. Vou tentar fazer um esforço. O problema é que eu vi muita coisa e foi muita informação em pouco tempo. Então algumas coisas estão um pouco desorganizadas. Mas eu até me espantei pelo tudo que eu lembro.
Bem, depois a gente voltou para casa e foi tudo. Eu até pendei em escrever quarta e quinta hoje, mas não vai dar. Eu estou morrendo de sono. Amanhã eu escrevo. Mas faltam poucos dias para tirar de atraso. até o fim dessa semana eu tenho certeza que já vou ter me alcançado.
É isso, pessoas maravilhosas. Eu to fazendo uma lista imensa de coisas a fazer no Brasil. Agora também uma de coisas a fazer em Paris nas minhas últimas 3 semanas. E estou incluindo comprinhas. E fim. Muitos beijos e estou com super saudades. Cuidem-se todos (as). SM
Nenhum comentário:
Postar um comentário