Já cheguei nessa semana. Segunda feira eu fui na escola. Finalmente, depois de tanto tempo passeando, eu precisava me voltar um pouco aos estudos. Era uma professora nova, chamada Edwige, formada em letras clássicas, ou seja, grego e latim. Nossa, sem exagero, acho que foi a melhor professora que eu tive. A anterior era boazinha também, mas essa era muito boa. Logo no 1o dia ela me viu com um livro que a Sophie tinha me emprestado e ficou conversando comigo no intervalo sobre literatura e me recomendou outros livros e tal. E depois, de tarde, tinha uma outra professora. Mas não tinha a mínima comparação. Enquanto a da manhã era toda culta, certinha, etc, a da tarde chamada Catherine, era meio grosseirona, e falava que gostava de aprender novas gírias e palavrões pra sair falando. E ela era igualzinha à bruxa da pequena sereia. Idêntica! Era incrível! E foi indo. A gente aprendeu muita coisa essa semana. Eu pelo menos. Podia ter essa professora sempre, viu... Porque ela saiu de férias sexta e a gente vai mudar de novo. E aliás, a escola vai ficar quase vazia essa semana. Porque os alunos estão indo embora quase todos também. Não importa. A aluna mais importante ainda vai ficar 15 dias...
Na terça, eu fui na casa da Sophie jantar. Primeiro, ela tinha dito que teria também um outro amigo dela. Eu não gostei muito, na miúda, porque se tivesse, a gente não poderia conversar muito à vontade. E eu, como tinha uma mala enorme de presentes para levar, em vez de pegar o metrô, que era mais rápido mas andava mais, eu peguei o ônibus. E aí pude ir sossegada. Quando eu cheguei lá, a primeira boa surpresa foi que o amigo não viria. Porque ele achava que os jantares na casa dela era muito "intelectuais", que ela e os amigos dela tinham "um papo muito cabeça", seria a definição. Eu fui entrando, com a minha malinha e o outro pacote. E fui tirando:
1- um chapéu e uma bolsa de papel, daquelas de enroladinho que imita palha, coloridos, muito lindos, que ela amou. E ela nem acreditava que era papel;
2- um chinelo bordado. E ela ainda pode escolher entre azul, prata e laranja. ela escolheu laranja. Eles era iguais, só mudava a cor, e eu gostei de todos;
3- um Divino de madeira, daquele tipo falso-velho pintado de branco e desgastado. A Air France tinha quebrado 4, dos 8 raios, quando eu estava trazendo da Inglaterra. Mas, modéstia à parte, ficou tão bem colado com super-bonder e disfarçado com branquinho que nem dava para perceber;
4- uma toalha de 1,5x2,10 bordada à mão, daquelas bem Brás, e um caminho de mesa idem, para a mãe dela. Eu falei que era bordado à mão, mas só para ela poder dizer pra mãe dela. Porque eu, sinceramente, acho que ela não sabe o valor que isso pode ter. Ela não sabe bordar, então não creio que ela imagine sequer o tempo que levaria para fazer aquilo, muito menos o custo de uma coisa dessas se fosse feito aqui na França. Mas a mãe dela certamente sabe. A mdm Morin já tem mais de 65, então acho que ela tem sim noção daquilo.
5- uma caixa com 2 garrafas de cachaça paulista. E tinha uma tipo Ouro e outra Prata. Eu não tenho a menos ideia da diferença. As duas tinham o mesmo teor alcoólico, mas a Ouro era amarela e a Prata era transparente. Eu falei pra ela que não sabia a diferença. E o problema era que o nome era Caribeña. Que ódio! Isso não é nome em português. Mas tudo bem. Não era cachaça para exportação. E no fim era mais um ponto positivo, porque ela gostou de ganhar uma cachaça que era de fato para os brasileiros. Mas eu disse pra ela ficar sossegada que ela só tinha 45% de teor alcoólico. Não era uma daquelas de alambique, das malucas com 70%, que nem eu tomei uma vez. Porque, na minha modesta opinião, aí já fica ruim.
6- um outro chinelo bordado para a Emanuelle, que me emprestou a mochila de acampamento e mais um, junto com uma bolsa de barbante para a Eleonore, que foi quem me levou na pélé. E aí, quanto aos chinelos, vai ser na sorte pra que vai cada um, porque estava escrito nas caixas prata e azul. E nenhuma das duas cores é parecido nem em francês, nem em inglês. E como ela não sabe espanhol nem português, já era! Não importa, os dois eram bonitinhos.
7- uma caneta que eu comprei na casa do Sherlock Holmes e um marcador de páginas do museu da Jane Austen, tudo vindo da Inglaterra, desse último fim de semana, pelos livros que ela me emprestou.
E só isso. Não bem só, mas só. Ela gostou, acho. Depois, a gente sentou no sofá da sala, onde eu peguei um pouco de resto de pelo da gata, como eu contei, e começou a tomar cidra e conversar. Aliás, cidra é muito bom... Eu nunca reparei, mas deve ter algumas boas aí. E é uma boa idéia pegar o costume, porque a cidra tem o teor alcoólico de cerveja, é fraquinha, e não é tão amarga, para quem não gosta de cerveja. E a gente foi tomando e conversando. E primeiro a gente falou de várias coisas, que a gente concordava, e depois, ela começou a falar de coisas que a gente não concordava. Parecia que ela tinha um script já do que a gente falaria e nem se dava ao trabalho de disfarçar. Ela ia só lançando os temas. Me senti quase numa entrevista. Mas não que só eu falasse, a gente discutia bastante. E claro, enquanto isso eu melhorava o francês... Quando deu umas 10 horas, ela resolveu fazer um jantarzinho. Nada de muito. Ela misturou um resto de comida da manhã com 3 ovos batidos, omelete, e pronto. Eu concordei, claro. Mesmo porque, ela gastou no máximo 2 minutos para fazer, e a gente pode continuar conversando o tempo todo. Quando deu umas 11 horas, que ela pegou a sobremesa, eu pensei: daqui a 1 hora, mais ou menos, eu saio. Porque se não eu perco o metrô. E, 20 minutos depois, eu olhei o relógio e era 1:20. Eu falei: "ih, Sophie, já perdi o metrô!" Mas aí ela chamou um taxi e eu voltei para casa. No caminho, eu liguei para a minha mãe, que tinha falado comigo as 8 daqui e pedido para ligar quando eu saísse da casa da Sophie. Mas como ela estava ocupada, ela me disse que ligaria depois. E ligou quando aqui já era quase 3... Ela me tirou do meio de um agitado sonho em francês e queria que eu falasse em português. Eu não estava conseguindo, aí a gente começou a conversar em francês mesmo. E ela deu muita risada e contou lá em casa. Enquanto isso, os seminaristas todos e o padre Aulaigner comendo pizza e deram risada de mim, pode? Absurdo, né? E outra, toda uma festa lá em casa e eu aqui, toute seule, tadinha de mim...
Bem, na quarta eu não fiz muita coisa. Estava acabada e não aguentava mais. Então, depois da aula eu só vim para casa. Na quinta e na sexta, igual. Mas na sexta, eu fui na missa que eu tinha mandado rezar pela d. Elda, na Saint Eugène. E bem, foi missa normal, de Santa Marta, a da bíblia. Na sexta também eu fiz um levantamento de deveres ainda por fazer aqui em Paris e coisas a comprar. Então eu trabalhei até que bastante. E no sábado, eu saí do quarto só para jantar, porque eu fiquei arrumando a bagunça E olha que era muita! Eu tirei 3 sacos de supermercado cheios de lixo, e guardei todas as minhas roupas de volta no armário. Foi um sufoco... Mas pelo menos meu quarto está arrumado agora.
E domingo, eu conto amanhã, ou depois, porque se não, eu tenho medo de acabar meu assunto. No mais, eu fico pensando em tudo que eu falei com a Sophie principalmente na terça. E eu acho que sinceramente, tem muita coisa a ser feita aí, na sede. Eu não falei nada, mas às vezes, eu ficava com vergonha do que a gente não fazia. E não eram coisas ruins essas em! É em parte verdade o slogan da agência de intercâmbio pela qual eu vim: "a gente sempre volta diferente de uma viagem". A primeira diferença é que com essa água meu cabelo voltou a ser totalmente liso. A segunda é que eu falo bem melhor francês. E a terceira é que até os franceses me deram ideia do que fazer aí no Brasil. Me aguardem, gente... Brincadeira, mas é verdade a parte das ideias.
SM. Beijos e estou com saudades, mas essa é minha penúltima semana na escola!!! EBA!!!
4 comentários:
Olha só, eu também quero presentes!
Mas cachaça já tem muito aqui, quero presente frances pra dizer que sou chique, alias eu AMO o terço que você me deu, o de rosas, ele é realmente muito legal hahaha
Não sei se esse jantar foi antes ou depois daquela conversa ue a gente teve.. Você já perguntou pra ela sobre aquele assunto? hahaha
E que coisas devem mudar na sede? To curiosa...
Re, você perdeu o congresso, foi muuuito legal, as palestras foram ótimas, mas os horarios de almoço, janta, lanche e afins com as meninas estava impagavel, rimos demais, eu me descobri praticamente uma santa! Depois te conto o quanto eu tenho virtude! HAHAHA
Estamos com saudades!
SM
Beijos, Thais
SM
Pode deixar que eu estou levando presente sim. E claro que não vai ser do Brasil. Mesmo porque, meu estoque de presentes do Brasil está quase esgotado.
E foi antes o jantar, mas além de eu achar que sei a resposta, não tenho certeza se tenho essa intimidade já com ela...
As coisas a mudar na sede, eu garanto que vocês concordam comigo.
Nossa, imagino a confusão que vocês fizeram lá. Vocês não tem sacralidade suficiente para frequentar esse tipo de evento, é isso que eu descubro...
E quero saber de onde você descobriu tanta virtude...
BJS MTS
SM
eba presentes rsrsrs
tb quero tomar cidra q alias vc anda tomando bastante eim
sobre as mudanças...vc ñ pode ter ctz q vamos concordar =P
E foi legal mesmo o congresso...a thais e eu somos pessoas d fato mto virtuosas hahahaha
Depois preciso t mostrar 2 desenhos q eu fiz no congresso...mto bons hahahaha
Bjos SM
saudades....
Tá bom, tá bom, eu levo... Mas coma, em... "criança que não come não ganha presente" hahahah humor negro esse...
E as mudanças que eu quero propor, tenho certeza que você vai gostar sim, Carol. Te conheço, jacaré!
:)
Nossa, não vejo a hora de estar aí... Mas está acabando!! UHU!!
BJS SM
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