Últimos dias de Bretanha. Na sexta feira nós fomos andar de barco. Em tese, era pra gente sair às 10, mas a gente saiu às 11. A Sophie atrasou, mas acho que ela já estava premeditando o atraso, então tudo bem. Mas se era só andar de barco mesmo, não tinha problema. Eu já estava ficando meio chateada, porque eu iria embora no dia seguinte. E foi o Stephane, a Sophie e eu, já que para manobrar o barco precisa de pelo menos 2 pessoas e eu não contava. Ou contava como negativo, vai. Antes de sair, me emprestaram um agasalho pesado, para, no caso de eu cair, ir direto para o fundo, sem sofrer muito. Brincadeira. É que no barco faz muito frio e parece que passar frio aumenta o enjoo. E eu peguei emprestado um short para por por baixo da saia, porque eu tinha esquecido o meu. E a mdm tentou me emprestar um sapato, mas não servia. Eu sempre achei que tivesse pé pequeno, mas não deu! E depois, ela quis me emprestar um do marido dela, mas era pequeno ainda, e o do outro filho era muito grande. E ainda eu tive que ouvir: "ah, você tem o pé muito grande para mulher". Acredita?
O Morins's Boat, que eu não lembro como chama, não fica bem em Saint Brieuc. É verdade que Saint Brieuc não é praia, mas tem um porto. O problema é que esse porto não é de água profunda, o que quer dizer que quando a maré baixa, os barcos não podem sair. Já nessa outra cidade, não tem esse problema. O MB é um antigo barco de corrida do final dos anos 60, começo dos 70. É portanto um barco velho. Nessas corridas, iam 6 participantes, que dormiam lá, aliás. Então o barco tem 6 camas. Como ele é de corrida, ele é bem estreito, para cortar melhor o vento, e como ele é velho, não tem nada de automatizado nas velas. É, esqueci de contar. Ele tem um motor, mas que é quase só para manobrar no porto. Ele é principalmente à vela. Tem uma vela grande, que fica presa no mastro, e outra presa nela. Dá para imaginar, né? Ele também é de um modelo que se fazia de madeira, mas a empresa fez uma meia duzia com o mesmo modelo, mas de fibra de vidro, parece, e esse é um deles. Ele tem madeira por fora, mas é só decoração. Nossa, fiquei semi-especialista em barcos.
Bem, a gente ia sair lá pelas 11:30, mas eis que... o MB não ligou. Eu pensei: "não é possível! É Deus que não quer que eu saia de barco!" O problema é que a bateria, para dar partida no motor, estava arriada. Alguém tinha desligado o barco a noite toda da tomada e agora precisava recarregar a bateria para funcionar. Muito ruim! E eles colocaram na tomada, mas não ia funcionar tão cedo. Então, a gente resolveu almoçar no barco e voltar e pronto. A gente resolveu nada. Eu estava sem dar minha opinião naquele momento. Só no "oui, ça va". E quando a gente já tinha terminado e estava se preparando para ir embora, apareceram os donos do barco vizinho do MB. E era um casal de velhinhos com um casal de amigos.E começaram a conversar e tals, e tiraram o nosso barco da tomada, e agora a gente não pode sair, bonito o seu barco... E aí os velhinhos convidaram para a gente ir dar uma volta com eles no barco deles. O BdV (barco do vizinho) era bem maior e tinha um nome bonitinho pintado, mas eu não lembro qual. Eu tentei decorar, mas antes mesmo do jantar eu já tinha esquecido. Ele era um barco de velho, segundo os donos, porque a vela subia automaticamente, e as cordas eram todas presas juntar, e para a vela maior, que era mais pesada, tinha um mecanismo que puxava a corda automaticamente. À boca pequena, os dois não gostaram muito, porque o barco ficava quase um videogame. Essa comparação fui eu que fiz, tá? Mas finalmente eu passeei de barco, e a gente rodou por umas 2 horas e foi legal, vai. E faz frio mesmo no barco. Mas eu estava agasalhada, então, tudo bem. Uma hora ficou um sol e outra choveu e depois o sol voltou. Mas eu gostei muito. E fiquei até com vontade de ter um barco. Foi muito legal! Nossa, inexplicável. Eu gostei muito, muito, muito, muito mesmo.
Na saída, a gente passou por um mercadinho de antiguidades perto do porto. E a gente só rodou lá uma meia hora e foi embora, porque era tudo coisa estranha, não tinha nada bonito. E a gente foi para casa e eu estava murchinha, murchinha. Mas eu estava contente também, porque eu tinha gostado. Mas eu ia embora! Depois do jantar, a gente comprou minha passagem de trem para as 8 da manhã do dia seguinte, para Paris. E no dia seguinte cedinho, eu peguei o trem e voltei para Paris. Eu sentei no trem, agarrei minha mala e dormi. Era um TGV. O trajeto que, de carro, a gente fazia em no mínimo 5 horas, ele fazia em menos de 3. A gente passava ainda por umas cidadezinhas antes e parava e depois ele começava a correr. Eu tinha até comprado cadeira para ir de frente, mas quando eu entrei, tinha um cidadão já tão instalado no meu lugar que eu troquei com ele e pronto. E eu fui de costas. Mas nem percebi, viu! Não mesmo. Eu ainda estava meio chateada porque já tinha passado a semana. Eu tinha chegado morrendo de medo, e tinha sido legal, no fim. Se bem que parecia que eu tinha ficado 1 mês lá! E tudo bem, não era o fim do mundo ir embora. Eu estava voltando porque eu tinha que pegar o avião e ir para Londres ainda. Mas isso é o próximo post.
Essa foi a viagem de barco. E o fim da Bretanha. Para tirar o atraso, faltam só dois fins de semana em Londres. E eu conto rapidinho, tenho certeza. No mais, estou com saudades do Brasil, e com vontade de voltar. E divirtam-se enquanto me aguarda.
SM! E super beijos.
2 comentários:
Foi bom saber que os Morins tem um barco que na verdade não funciona. Vou fazer grande usufruto dessa informação.
Boa continuação e bom retorno.
Salve Maria,
Dr. Sucaíno
Pois é, Dr Sucaíno, você e o ex "pai de família" podem aproveitar desde hoje a informação.
E obrigada pelo desejo de boa estadia!
SM,
Regina.
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