Bem, tirando o atraso, né? Na quarta-feira da semana retrasada, a casa inteira tinha que ajudar a arrumar a festa. mas, sinceramente, eu me senti um pouco inútil. E olha que eu fiz tudo o que tinha disponível. De manhã, a gente foi no marché, que é uma feira bem grande. E lá, a Sophie me comprou para comer uma coisa muito estranha. Eu não me lembro o nome, mas era uma galette de linguiça. Era bom, mas ficava meio sei lá, estranho. Porque a galette tem sempre um gosto fraquinho e a linguiça, mesmo sendo suave, tem gosto forte. E eles pegavam uma galette dobrada em 4, portanto com forma de V e enrolavam a linguiça. Ficava um pouco parecendo que a gente estava comendo a embalagem. Mas era gostosinho. E enquanto isso, eu conheci Saint Brieuc. O problema de Saint Brieuc é o mesmo do Brasil, por exemplo. A cidade não era tão pobre, então foram feitos prédios novos e demolidos os antigos. Sobrou só um pouquinho de coisa. E a catedral foi uma coisa incrível. Com o tempo, ela, claro, tinha subido o nível. Quer dizer, o chão estava um pouco mais alto. E entre o primeiro e o segundo chão, tinha várias tumbas de bispos da cidade. Eles simplesmente jogaram tudo fora e guardaram as pedras de lápide para forrar o chão. E os ossos e restos mortais eles jogaram tudo numa vala comum, com o maior desrespeito, um absurdo.
Bem, não tendo mais o que fazer, e sendo hora do almoço, nós voltamos para almoçar. Depois do almoço, primeiro, precisava lavar umas cadeiras. E a Sophie e eu lavamos, mas mais ou menos. Porque eram aquelas cadeiras de plástico, mas era brancas, então de ficar o ano todo empilhadas elas já estavam malhadinhas, porque a poeira impregnava. Foi por isso que eu pirei quando compraram cadeira de plástico branca lá para casa. Tem algum sentido terem inventado as marrons e as pretas, mas como eu não estava na hora. Se bem que em casa elas nunca passam um ano pegando poeira, mas assim que começar a encardir, sinto muito, vai tudo para a Toca de Assis. Depois, precisava pegar umas mesas alugadas ali por perto. E a mãe pediu para o Stephane ir com a Pajero do pai, mas como a gente já tinha terminado, a gente foi ajudar também. A princípio, eu ia só para passear, mas depois, minha experiência em arrumar festas diversas, muito maior que a deles, ajudou na hora de colocar as mesas e amarrar com os elásticos. Não que eu tenha sido indispensável, não disse isso, mas ajudei.
Na volta, a Sophie foi ler ou fazer não sei o que. E eu, que fico doida de ver uma festa no dia seguinte e não fazer nada, fui ajudar a montar a mesa de pingue pongue, depois montei as mesas de sentar, limpei, coloquei as cadeiras e montei a mesa das crianças. Aí não tinha mais nada mesmo a fazer. Então eu também sentei pra ler. Na hora do jantar, chegou um outro irmão da Sophie, que é casado e tem uma filha, chamada Emma de uns 10 anos, acho. E ela estava meio tímida, no começo. Mas depois a gente ficou amiguinha.
No dia seguinte, era o dia da festa. Em tese, era para todo mundo acordar cedo porque tinha muita coisa para fazer. Eu acordei as 8 e apareci 15 pras 9. E fui ajudando o que tinha. Mas a Sophie apareceu quase meio dia. A mãe dela não gostou muito, e disse que eu tinha feito o trabalho dela. Mas ela teve razão. Se ela fosse tão necessária, alguém teria ido chamá-la. Mas é verdade que o conceito de muito o que fazer é diferente. Porque eu fiquei separando talher, prato, copo, etc. E eu já tinha aprendido. Fiz tudo bem divagar, com clama, porque se não eu corria o risco de ficar a toa de novo. Eu imagino a minha casa num dia de festa de 50 e tantas pessoas. Às 8:30 os últimos estariam sendo jogados para fora da cama pela minha mãe! E na véspera eu certamente não estaria tão à toa.
Os tais convidados foram chegar mais de uma. Era a hora esperada, acho. E o almoço começou lá pras duas. Eu, claro, fiquei perto da Sophie. E cada um sentava onde queria, mas como a Sophie não queria sentar com pessoas chatas, o Stephane, que foi sentar logo, guardou lugar para a gente. Na nossa mesa, que parece que não estava ruim mesmo, tinha também um amigo dele da faculdade, que era até simpático, e era casado, tinha 3 filhos, acho, mas tava sozinho. E depois um outro casal de amigos que tinha 3 filhas que estavam lá, sendo o marido marinheiro militar e a mulher professora. E depois tinha um casal de velhinhos de não sei onde, sendo que eu estava sentada entre a velhinha e a Sophie. Sobre o casal novo, ele ia nesse ano para o Tahiti, por 1 ano a trabalho. E a mulher resolveu ir junto. E eu ainda tive que aguentar a amiga falando que elas tinham comprado várias roupas de praia, porque nesses países quentes, a gente fica o tempo todo de roupa de praia, não é? Eu respondi que não sabia, que no Brasil não era assim, mas que eu não conhecia o Tahiti, por isso não sabia se era diferente. Fala sério, ainda ter que aguentar uma dessas! Serio, dava vontade de falar: não, as modas européias ainda não chegaram lá. kupish, kupish na cara! Bem, me voltei para ouvir a conversa dos velhos, que nesse momento conversavam com o Stephane. E o velho estava descrevendo o próprio enterro. Pode parecer engraçado, mas eu não podia rir. E lá vinham todos os detalhes, e ele contava da placa do túmulo que ele já tinha mandado fazer. E ele nos relembrava de tempos em tempos que ele já tinha combinado tudo para a mulher dele fazer. E ela sorria e concordava com uma cara de estúpida, meu Deus! Nem preciso falar que ele é fraterno, preciso? E ele virou para o Stephane e disse, quase literalmente: "Mas eu vou querer que você reze minha missa de corpo presente e encomende meu corpo. E vai ser em tal igreja da fraternidade (s. pio x, claro). E eu já vou falar com o padre tal que ele vai ter que aceitar que você reze a missa." E ele começou a descrever todo o diálogo entre ele e o padre, garantindo que assim que ele encontrasse o padre, e seria logo, ele falaria. E que a mulher dele garantiria que tudo tinha saído conforme planejado. E ela, virava pra mim e dava os seus sorrisinhos imbecis, e ele falando suas idiotices. E eu fui heroica em não rir. Quando a coisa estava ficando difícil, eu engolia a cidra ou a água e servia mais, para me concentrar. Enfim, depois de bem enterrado com toda a pompa, ele ainda declarou que aquela moda, que eu detesto profundamente, de cantar o salve regina durante o último evangelho foi lançada por ele no meio tradi. Parece que não é bem verdade, mas eu, educadamente falei um "interessante" típico do Zeca. E depois, ele se pôs a falar mal dos americanos na segunda guerra. Que eles tinham atirado numa procissão de enterro de uma cidade ali vizinha e tinham matado 300 pessoas, acho. E que eles tinham causado mais mortes do que os alemães etc e tal e que disso ninguém lembrava. Não que os americanos sejam santos, porque eles destruíram Montecasino e isso é imperdoável, mas ele esqueceu que não fossem por eles, a França seria um país nazista? É, talvez o velho não se incomodasse muito. Principalmente pelo que veio depois.
Falou-se de empregadas portuguesas. E ele falou que os portugueses eram muito bons para se ter como empregado porque eles tinham 3 qualidades, a saber. 1- eram trabalhadores. Ok. 2- eram católicos. Ok. 3- eram brancos, e isso era muito importante. E ele ainda virou para mim e disse, é importante sim. E você ainda tem que graças a Deus porque você é brasileira, mas pelo menos é branca, então tudo bem! Epa, pera lá! Eu sou brasileira, e com muito orgulho. Graças a Deus não sou francesa. E o fato de eu não ser negra não me faz a mínima diferença. Alguém precisa explicar para ele que racismo é pecado e que eu não gostei nada nada dessa dupla afronta. E ele ainda, 'viu'? E eu me servi de vinho e não falei nada. Mas bem que devia ter dito na cara dele que racismo é pecado.
Enfim, depois do doce que estava super bom, eu levantei e fui ajudar a madame Morin a servir café. E houve outro episódio meio desagradável, onde um cidadão velho chato me tratou muito pior que se deve tratar empregado, muito mau educado. E eu fiquei brava com ele, mas depois ele veio dar uma de engraçadinho perto de mim e eu percebi que ele estava meio passado já, então tudo bem. E aí, ja era hora do jantar. Eu ajudei a rearrumar as coisas para comer resto do almoço e arrumei a mesa também. E no fim, o jantar foi mais engraçado, porque eu fiquei ca roda conversando com o tal da faculdade e ele era simpático e foi bom. Deu para compensar o almoço. Eu acalmei um pouco. Depois, uns velhinhos, amigos do ms Morin, que são uns marinheiros de Saint Malo foram tocar no piano. E eu sentei ali do lado e comecei a cantar junto, algumas musicas que eu sabia. E depois, sentou um outro, chamado Paul, que tem bem a cara de um piratinha de filme, e começou a tocar umas músicas italianas. Mas ele tocava só uns pedaços, e pulava para outros e mudava de música e era um caos. Mas como eu conhecia super bem quase todas, eu conseguia cantar até várias partes. E ele ficou super encantado e super feliz. E enquanto isso, a Emma, que estava zanzando por lá porque as outras crianças já tinham ido embora veio ficar ali comigo, e a gente ficou amiguinhas. Ela resolveu tirar foto de mim e sei lá. E eu fiquei brincando com ela, foi bom. Me diverti, pelo menos de noite. E por fim, todo mundo foi embora e pronto. E depois, a gente ainda riu bastante tempo das artes de várias pessoas lá, algumas que eu nem conhecia, nem sabia quem eram, e outras que eu tinha visto.
mas no geral foi bem divertido. Passei por uns apertos, mas não estou arrependida de nada. Tinha cada louco, mas foi bom. E finalmente eu fui dormir porque eu claro, estava morta. Não antes da mdm Morin ma falar que tinha sido muito bom eu estar lá, e que os amigos marinheiros doidinhos tinham ficado felizes e obrigada pela ajuda, etc. E ela me elogiou tanto que eu quase pedi para gravar e mandar para a minha mãe. Poxa, essas coisas só acontecem quando ninguém está vendo! Acho que vou mudar para a França. Aqui as pessoas me dão valor. Na verdade, acho que aqui eles são tão chatos que qualquer brasileiro, que não é chato já faz muito sucesso.
Mas é isso, pessoas. Antes de dormir, as únicas coisas que eu fiz ainda foram combinar um passeio de barco no dia seguinte e rezar a oração da noite. Mas isso eu conto depois. Amanhã, talvez.
E é tudo desses dois dias. Não creio que alguém esteja lendo, mas tenho certeza que, daqui a algum tempo, quando eu reler, vou achar muito muito divertido. É um diário sem cadeado. Como lê quem quer, perde um pouco o interesse. Mas eu não me importo. Interessa a mim.
Super beijos a todos. Salve Maria.
2 comentários:
eu to lendo viu...tudo bem q eu ainda ñ li todos esses "tirando o atraso" mais aos poucos EU tiro o atraso hehehe e deu pra percebe q ñ to lendo em ordem né mas tudo bem...
Mto educadinha vc ajudando na festa eim =)
bjos SM
VOLTA LOGOOO
Fico feliz e agradeço! Quando eu vejo lá zero comentários eu tenho impressão que ninguém lê, mas tudo bem... rsrsrs
Nem era educação, era necessidade. Eu não posso ficar parada vendo uma festa ser preparada!
BJS BJS SM
PS: eu to louca pra voltar mesmo!
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